Brevemente a Arquidiocese terá quatro novos sacerdotes para a vida pastoral de nossa Igreja. Moços, ricos de ideal, preparados nos longos anos do Seminário, poderão por certo ser valiosos operários da vinha do Senhor.
A ordenação, que ora se aproxima como aurora radiosa, deve ser vista sob a circunstância do tempo atual. São tantas as conquistas da ciência e tantos os avanços da técnica, que ousamos lembrar a velha expressão de Paulo VI: os tempos atuais parecem mais orientados para a conquista da terra do que para o reino de Deus. Em muitas circunstâncias, Deus é esquecido, como se não existisse. Para muitos, ainda hoje, o ato principal da criatura humana é afirmar certa autonomia absoluta, portanto a tudo.
Por graça de Deus, vivendo neste tempo difícil e desconcertante, temos a alegria e o conforto de ver e sentir a nossa Igreja tomando consciência aprofundada de sua missão evangelizadora, Igreja maternalmente de braços abertos para oferecer, acolhedora, os recursos com que Deus a dotou em favor da humanidade.
A missão da Igreja – portanto do padre – é voltar-se para o diálogo construtivo com o homem moderno, oferecendo-lhe não só à inteligência, mas também ao sentimento cordial, a riqueza do Evangelho, a tranqüilidade da verdade, a serena vivência da paz.
Talvez por isto – a busca sincera da verdade – é que fez cessar a moda infeliz, vigente num passado não distante, de atirar pedras nos outros e na própria Igreja, esquecidos da pitoresca observação de Papini: a pedra que atiramos em alguém é uma a menos para batermos no peito…
Nós todos, fiéis e apóstolos, precisamos arder de amor pela Igreja de Cristo. É ela Mãe e Mestra. Ela se concretiza historicamente na diocese. É aí que ela se encontra. Por isto agora, após o primeiro Centenário de nossa diocese, vendo sua história, sentindo suas lutas e alegrando-nos com suas vitórias, nos engajamos no seu serviço como missionários que a amam, por ela trabalham e a ela se dão com fervor.
Dom Benedicto de Ulhoa Vieira
Arcebispo Emérito de Uberaba (MG)