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Intercessão pelos que sofrem: três realidades que pedem oração

Desastres naturais, doenças e violência entre jovens revelam dores do mundo que também podem ser acolhidas pela oração.

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Todos os dias, notícias sobre guerras, desastres naturais, doenças e diferentes formas de violência chegam até nós. Em meio à velocidade das redes sociais e da rotina, porém, algumas dessas dores podem parecer distantes. Para a Igreja, essas realidades também são um chamado à intercessão.

Interceder é colocar diante de Deus a vida daqueles que sofrem, confiando que a oração não é indiferente à realidade. Por isso, diante de diferentes situações que marcam o mundo atual, somos convidados a rezar por aqueles que enfrentam a dor, o medo e a solidão.

Desastres naturais e o sofrimento de milhares

Entre as situações que pedem oração estão os desastres naturais. No Himalaia, uma inundação seguida por uma onda de lama, provocada pelo choque de uma geleira com uma massa de rocha na fronteira entre Nepal e China, atingiu comunidades inteiras, destruindo pontes, casas e plantações.

Milhares de pessoas ficaram desabrigadas e isoladas. Além das vítimas e de suas famílias, a situação também mobiliza equipes de resgate e comunidades que enfrentam a falta de água, energia elétrica e infraestrutura, aumentando o risco de doenças.

Imagem de circuito fechado de TV das enchentes de 2026 no Nepal, no Porto de Gyirong

Diante desse cenário, a oração se torna também uma forma de solidariedade. Somos chamados a interceder pelas famílias atingidas, pelos profissionais que atuam no resgate e por todos os que participam da reconstrução.

Doenças que atingem comunidades inteiras

Outra realidade que pede atenção é o surto de Ebola na República Democrática do Congo. A doença, causada pela variante Bundibugyo, tem provocado mortes e mobilizado autoridades e profissionais de saúde.

A Igreja local, por meio da Conferência Episcopal do país, também pediu uma resposta mais profunda e urgente diante da situação, destacando a necessidade de equipamentos de proteção para os profissionais que atuam no atendimento à população.

Nesse contexto, a intercessão se une à solidariedade concreta. Rezar pelos doentes, pelas famílias, pelos profissionais de saúde e pelas autoridades responsáveis pelas ações de combate à doença é uma maneira de apresentar essas vidas a Deus.

Jovens diante das novas formas de violência

Há ainda uma dor menos visível, mas que também precisa ser colocada diante de Deus: a realidade de jovens envolvidos em comunidades on-line marcadas pelo ódio e pela violência.

Em ambientes digitais, diferentes formas de extremismo podem encontrar espaço para crescer, especialmente quando jovens enfrentam situações de isolamento, falta de pertencimento ou ausência de vínculos. O ambiente virtual pode, nesse contexto, transformar vazios pessoais em caminhos de violência.

O Papa Francisco já destacava, na exortação apostólica Christus Vivit, a importância dos jovens para a renovação da Igreja:

“Através da santidade dos jovens, a Igreja pode renovar o seu ardor espiritual e o seu vigor apostólico.”
Papa Francisco, Christus Vivit, n. 50

A frase também lança um desafio: como Igreja, somos chamados a acolher os jovens e oferecer espaços onde possam encontrar pertencimento, amizade e um sentido verdadeiro para a própria vida.

Cada jovem perdido em ambientes marcados pela violência pode se tornar, portanto, um chamado à intercessão. É preciso rezar para que encontrem pessoas e comunidades capazes de apresentar um amor que não exige violência para provar pertencimento.

Cristo é o grande intercessor

A oração pelos que sofrem não nasce apenas de um esforço humano. Para o padre Hintz Dagoberto, a confiança na intercessão está fundamentada no próprio Cristo Ressuscitado.

“O terceiro prefácio da Páscoa tem como título ‘O Cristo vivo’, que sempre intercede por nós. Quando falamos de intercessão, devemos reconhecer que temos no céu, junto do Pai, Jesus Ressuscitado, que continua a oferecer-se por nós e, junto do Pai, é nosso eterno defensor”, explica.

O sacerdote recorda ainda o ensinamento do Papa Francisco sobre Cristo como aquele que intercede por cada pessoa:

“Ele reza por mim, Ele reza por todos e reza corajosamente porque faz ver ao Pai o preço da nossa justiça: as suas chagas.”

Por isso, diante das dores do mundo, a resposta do cristão não precisa ser marcada pela impotência. A oração de intercessão nasce da confiança naquele que já venceu a morte e continua a apresentar ao Pai as necessidades de seus filhos.

Como afirma a Carta aos Hebreus: “Aproximemo-nos, então, com confiança do trono da graça para conseguirmos misericórdia e alcançarmos graça, como ajuda oportuna” (Hb 4,16).

Interceder é, assim, não permanecer indiferente diante do sofrimento. É levar ao coração de Deus aqueles que muitas vezes nem conhecemos, mas cuja dor também pode se tornar motivo da nossa oração.


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