Fala pessoal! Me convidaram para partilhar um pouco sobre esse tempo em que estou em missão. Me chamo João Pedro e tenho 26 anos. No dia 26/10/23, parti em missão para a cidade Lima, no Peru.
Tudo começou na reciclagem de 2022, em que Deus inspirou muitos irmãos que sentiam uma chama arder dentro de seus corações a se lançarem em missão, entretanto, eu não sentia nada. Foi no sábado, no retiro pessoal, que senti que Deus me chamava para me lançar sem medo porque me convidava a viver um tempo de grande conversão, tanto vocacional quanto pessoal.
Não foi fácil, fiquei muito tempo rezando com isso para que não fosse uma coisa da minha cabeça e também tinha um grande medo: de minha namorada não aceitar. Há pouco havíamos começado a namorar (a reciclagem foi em agosto e o início do nosso namoro em abril), como diria para ela que queria ir em missão? Loucura! Porém, se realmente era a vontade Deus, devia segui-la.
No final do ano, a chama parecia uma fogueira e em cada oração Deus me chamava mais e mais a ir em missão. Meu coração apertava mais porque não sabia como dizer à Vanessa que o Senhor me pedia para partir. Porém, quando é a Sua Vontade Ele sempre nos surpreende. Ela foi para o retiro de célula e quando voltou me pediu para conversar; Deus a estava chamando para ir em missão! Então partilhei que Deus também me chamava e todos os nossos temores se foram, pois Ele nos chamava para viver esse tempo juntos.
Assim começou o processo: falamos com os formadores comunitários, rezamos muito e no dia de Santa Rosa de Lima no Brasil, chegou a resposta: Ela ia para Brasília (Asa sul) e eu para o Peru (Lima).
Gente, não é fácil! Sendo sincero, está sendo a coisa mais difícil da minha vida esse tempo em missão porque Deus está me formando muito e ser formado doi; amadurecer doi, pois necessito fazer morrer o velho em mim para deixar o Novo brilhar.
Assim, quero deixar 3 pontos em que Deus está me formando todos os dias nesse tempo missionário:
- Contemplação:
Não sei se vocês lembram quando a nossa querida mãe, Emmir, pregou para nós exortando toda a comunidade sobre o baixo índice da constância na vida de oração dos irmãos. Então, irmão que está lendo isso, se faz muito tempo que você não reza, ou reza de forma inconstante, eu partilhava dessa mesma dor que você, pois quando saí de casa, minha oração era uma porcaria e fui percebendo que não a tinha como valor real da minha vida.
Sou tão ruim que Deus precisou me enviar em missão para salvar-me e, vivendo com os irmãos da comunidade de vida, aprendi o quão necessária é a oração na minha vida. Não é porque sou melhor ou algo assim, é justamente por saber o quão ruim eu sou e até onde posso chegar que me agarro em Deus, para que Ele possa resplandecer em mim.
A nossa vida, o ministério, o nosso trabalho, família, amigos, estudos, célula… só têm sentido com a oração! Deus tem que ser o centro. São coisas óbvias, que sabemos, mas que eu não vivia. Digo e repito: Nosso Senhor me tirou de casa, de tudo o que era importante para mim, só para me fazer entender o valor real da vida com Ele.
2. Unidade:
Meus irmãos, não sei se na missão ou CEV de vocês tem isso, mas infelizmente entre nós existem os famosos “grupinhos” e está tudo bem porque a gente sempre tem um grupo de irmãos que é mais próximo. Mas quando você vive em uma casa comunitária não existe isso – não sei em missões maiores, porque só vivi aqui.
Uma casa comunitária é uma casa com um monte de pessoas diferentes (culturas, tradições, hábitos) que convivem juntas. A própria rotina te lança a se importar com o irmão, como ele está; te leva a crescer, a amadurecer, a partilhar, enfim, a sair de si em todos os momentos, não tem vida cômoda.
Como isso é essencial para mim porque na casa dos meus pais tenho tudo “meu”. Hoje, aprendo a viver a pobreza diariamente, sendo sóbrio ao comer porque tenho irmãos que precisam comer, sendo sóbrio no meu falar, em me portar, em escutar também. Aprendo a ter um horário para fazer as coisas, a famosa ordem que me faltava. De tanto pedir a Deus que me ajudasse com isso, Ele me colocou como aliança missionária.
Como às vezes eu não me importava com meus irmãos de célula. Só convivia naquele momento e voltava para casa onde meu mundo existia. Quantos irmãos são salvos só por uma mensagem de “estou rezando por você” ou quando convido para conviver? Sair de si! O que a gente fala tanto na comunidade, mas que eu não vivia. E tudo isso por falta de uma vida de oração verdadeira, porque é impossível viver uma relação com Jesus e não se importar com o outro.
3. Evangelização:
Se eu não rezava, não vivia bem a unidade, vocês acham que evangelizava? Pior que sim, era meu ministério, mas não passava disso: um ministério. A radicalidade tão característica de nosso carisma era morna, pouco a pouco ia se apagando e tornando-se fria. Realmente, se não estivesse aqui não sei o que seria de mim, porque nascemos para evangelizar! Nasci para isso! Meu Deus, como não vou evangelizar os jovens que não te conhecem? Como não gritar para o mundo que Tu os ama, como São Francisco fazia? E eu não vivia isso plenamente porque faltava a oração!!!
Para finalizar, Deus me chamou porque minha vocação estava morrendo. Ele realmente me tirou de uma vida medíocre e começou uma Obra Nova que exigiu abrir meu coração para tudo: um novo país, um novo idioma, um povo novo, uma nova cultura. Se Deus te chama a também viver esse tempo é porque tem algo em você que precisa mudar, algo que Jesus quer mudar para te salvar. Por isso, em oração, pergunte o que Ele quer transformar na sua vida e vai sem medo!
obs: Rezem por mim e pela Vanessa, e por nossas missões!
E você, já pensou em ir em missão?
Assim como João Pedro, o Senhor também pode estar lhe inquietando a ir em missão para outro lugar que não seja sua terra natal. Viva essa experiência de sair de si e de encontro com o novo de Deus que nos desinstala. Conheça a campanha missionária da Comunidade Nascemos para a missão através da página comshalom.org/missao e saiba como viver uma experiência de envio missionário.




