Entre os maiores enigmas da história do cristianismo estão aqueles que giram em torno da vida oculta de Jesus Cristo. São várias as teorias acerca do período que abrange Sua idade de 12 aos 30 anos. Porém, assim como as lições que Ele nos deixou mediante Sua vida pública, o silêncio e a escassez de informações de Sua trajetória oculta em Nazaré também tem muito a nos ensinar. Aqui vemos mais um sinal de que a Encarnação do Verbo não foi um teatro. O Salvador do mundo, antes de revelar Sua missão redentora, experimentou na própria carne as etapas de desenvolvimentos naturais como qualquer ser humano.
“Jesus nasceu na humildade dum estábulo, no seio duma família pobre. As primeiras testemunhas deste acontecimento são simples pastores. E é nesta pobreza que se manifesta a glória do céu. A Igreja não se cansa de cantar a glória desta noite: ‘Hoje a Virgem dá à luz o Eterno e a terra oferece uma gruta ao Inacessível. Cantam os anjos e os pastores, e com a estrela os magos põem-se a caminho, porque Tu nasceste para nós, pequeno Infante. Deus eterno!’” (CIC 525).
Atividades cotidianas
Esses detalhes evidenciados pelo Catecismo da Igreja, mostram como a Encarnação de Jesus foi concreta e de modo a abranger todas as atividades da vida cotidiana. Desde o nascimento, os cuidados, a alimentação, a educação, as brincadeiras, os ritos de iniciação na fé judaica, etc. Além disso, continua o Catecismo: “‘Tornar-se criança’ diante de Deus é a condição para entrar no Reino, e para isso, é preciso abaixar-se tornar-se pequeno. Mais ainda: é preciso ‘nascer do Alto’ (Jo 3,7), ‘nascer de Deus’ para se ‘tornar filho de Deus’. O mistério do Natal cumpre-se em nós quando Cristo ‘Se forma’ em nós. O Natal é o mistério desta ‘admirável permuta’” (CIC 526).
Jesus abraçou a condição humana e foi introduzido nos costumes e tradições de Seu povo. O Catecismo relembra, inclusive, alguns gestos e ações de iniciação na fé judaica que o Messias também recebeu:
“A circuncisão de Jesus, oito dias depois do seu nascimento, sinal da sua inserção na descendência de Abraão, no povo da Aliança, da sua submissão à Lei e da sua deputação para o culto de Israel, no qual participará durante toda a sua vida. Este sinal prefigura ‘a circuncisão de Cristo’, que é o Batismo” (CIC 527).
Outra curiosidade
Ademais, um fenômeno curioso é o fato de que a vida pública de Cristo foi mínima, se comparada à Sua trajetória de vida oculta: “Durante a maior parte da sua vida, Jesus partilhou a condição da imensa maioria dos homens: uma vida quotidiana sem grandeza aparente, vida de trabalho manual, vida religiosa judaica sujeita à Lei de Deus, vida na comunidade. De todo este período, é-nos revelado que Jesus era ‘submisso’ a seus pais e que ‘ia crescendo em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens’ (Lc 2,52)” (CIC 531).
A vida oculta do Senhor é um ato profético que nos aponta o cotidiano como um espaço de formação de Deus. Mostrando ainda que a academia de Deus é a vida e que na vida é que são forjados os santos.