Se você gosta de história, já deve ter percebido um fenômeno curioso. Ao longo dos milênios e séculos, personagens tão especiais, que conseguiram com suas atuações, mudar ou resinificar o conceito de algumas palavras. Jesus, na condição de filho de Deus e de Salvador entre as infinitas, ousadas e criativas instruções, resinificou o sentido da palavra “Senhor”.
Esse título, ou pronome de tratamento, em quase todas as culturas antigas, causou muitos desconfortos. Mesmo hoje em dia se não soubermos utilizá-lo, ele pode causar incômodos a alguns corações. Pode nos fazer lembrar de episódios jurídicos tensos, entre patrões e empregados, chefes e comandados, lembra ainda os tristes acontecimentos da escravidão, de ditaduras e por aí vai.
Cuidado com o conceito errado
Fiz essas pontuações, porque se projetarmos um conceito errado, equivocado da palavra Senhor na nossa relação com Jesus, correremos o risco de rejeitarmos sua autoridade e Senhorio em nossas vidas. Olharemos com suspeitas e ressalvas suas amorosas orientações, sempre na tentação de termos cartas na manga, ou um segundo e preventivo plano.
Jesus possivelmente percebeu que pairava nos comentários e nos comportamentos, alguns conceitos equivocados sob seu Senhorio. Assim, ele realiza um gesto que para muitos foi chocante, mas com um olhar de fé, nota-se que foi uma atitude profética. Que gesto foi esse? Leia:
“Jesus, sabendo que o Pai tinha colocado tudo em suas mãos e que de Deus tinha saído e para Deus voltava, levantou-se da mesa, tirou o manto, pegou uma toalha e amarrou-a na cintura. Derramou água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos, enxugando-os com a toalha com que estava cingido. Chegou a vez de Simão Pedro. Pedro disse: “Senhor, tu me lavas os pés? ” Respondeu Jesus: “Agora, não entendes o que estou fazendo; mais tarde compreenderás”. Disse-lhe Pedro: “Tu nunca me lavarás os pés! ” Mas Jesus respondeu: “Se eu não te lavar, não terás parte comigo”. Simão Pedro disse: “Senhor, então lava não somente os meus pés, mas também as mãos e a cabeça”. Jesus respondeu: “Quem já se banhou não precisa lavar senão os pés, porque já está todo limpo. Também vós estais limpos, mas não todos” (João: 13,3-10).
O amoroso Senhorio
Jesus com esse gesto mostrou o que significa viver sob o seu Senhorio. Viver sob o Senhorio de Jesus, significa permitir que Ele lave os nossos pês, que nos batize no seu amor e misericórdia. Mergulhados nessa experiência de sermos lavados, aprenderemos com Ele a lavarmos os pés dos nossos irmãos, transbordando em suas vidas o amor recebido de modo tão convincente e generoso.
Se eu e você acolhermos esse amoroso Senhorio, não faremos nenhuma escolha na vida, não tomaremos nenhuma decisão sem antes consulta-lo. Você aceita esse desafio? Olhe aí para os aspectos mais concreto de sua vida e se pergunte: “Como permitir aqui nesse lugar que o Senhorio de Jesus prevaleça e reine?” Uma das percepções que você terá é que, possivelmente estava gastando energias preciosas na busca de coisas inúteis e passageiras. Ou pior poderia estar até mesmo servindo a outros senhores.
Oração de renúncia e de compromisso
Reconheça hoje, agora, suas cegueiras. Se você for sincero seus olhos se abrirão e um novo surgirá em sua relação com Deus, com seus familiares amigos, conhecidos e com você mesmo. Notará na sua vida preciosas oportunidades de se tornar uma pessoa muito, muito melhor. Aceita esse desafio? Se você deseja Jesus, como o Senhor absoluto de sua vida, faça essa oração de renúncia e de compromisso:
“Senhor Jesus, inconscientemente, eu me comportava e vivia como se fosse a pessoa mais livre e realizada deste mundo. Trazia, porém, dentro de mim grandes escravidões disfarçadas de alegria, de felicidade e de paz. Acolhia em minha vida, inúmeros senhores, que me escravizavam e me afastavam de ti. Mas agora, Senhor, nesse momento eu te aceito como meu único mestre, meu supremo e insubstituível condutor e orientador. Renuncio a toda forma de pecado, renuncio as falsas doutrinas e as propostas enganadoras de Satanás. Renuncio a lazeres, divertimentos que me enterravam na lama da impureza e da idolatria dos prazeres da carne. Que essa disposição e decisão de vida possa ser luz e uma placa sinalizadora na vida de outros corações, que, como eu antes, vivem ainda confusos e desorientados. Me guarde, Senhor, me defenda, seja meu escudo contra os dardos inflamados e magoados do Maligno. Invoco ainda a presença Materna de sua querida Mãe, desejo, como ela, dizer até meu último dia neste mundo: “Eis aqui o Servo do Senhor, faça-se em mim, segundo a tua palavra. Amém”.
Por Rodrigo Santos
