Tentação. Essa expressão vem do latim temptatĭo e significa instigação ou indução ao desejo de algo não permitido. Pode tratar-se de uma pessoa, uma coisa, uma circunstância ou outro tipo de estímulo. A tentação está associada à sedução e à provocação. Leia: “Os evangelhos falam dum tempo de solidão que Jesus passou no deserto (cf. Mc 1,12), imediatamente depois de ter sido batizado por João: Levado pelo Espírito para o deserto, Jesus ali permanece sem comer durante quarenta dias. Vive com os animais selvagens e os anjos servem-no.
Os evangelistas mostram a tentação, mas mostram também como Jesus foi vitorioso sobre cada uma dessas investidas do mal. (cf. .Lc 4,13). Enquanto o primeiro Adão caiu, Jesus Cristo, o novo Adão, venceu, permaneceu de pé: “A tentação de Jesus manifesta a maneira própria de o Filho de Deus ser Messias, ao contrário da que Lhe propõe Satanás e que os homens desejam atribuir-Lhe. Foi por isso que Cristo venceu o Tentador, por nós: ‘Nós não temos um sumo-sacerdote incapaz de se compadecer das nossas fraquezas; temos um que possui a experiência de todas as provações, tal como nós, com exceção do pecado’ (Hb 4,15). Todos os anos, pelos quarenta dias da Grande Quaresma, a Igreja une-se ao mistério de Jesus no deserto” (CIC 540).
Nós, fiéis batizados, abraçamos o ideal de vida de seguimento a Cristo, abraçando cada um a própria cruz (cf. Mt 16,21-17). Se Ele foi tentado, nos também seremos. Porém, se Ele venceu as tentações, nós, por virtude de Sua graça, também venceremos.
Como é importante aprendermos, em Deus, a interpretar os sinais dos tempos e os movimentos da graça em nossas vidas. A Igreja, nesses tópicos sobre a tentação, nos aponta uma declaração que muito se repetiu nos discursos do Mestre: “O Reino de Deus está próximo” (Mc 1,14-15).
“Todos os homens são chamados a entrar no Reino. Anunciado primeiro aos filhos de Israel, este Reino messiânico é destinado a acolher os homens de todas as nações. Para ter acesso a ele, é preciso acolher a Palavra de Jesus” (CIC 543). Porém, há um detalhe nos discursos do Mestre que, se a Igreja deixasse de evidenciar, seria imprecisa: a quem é destinado o Reino de Deus? O Reino é dos pobres e pequenos, quer dizer, dos que o acolheram com um coração humilde. Jesus foi enviado para ‘trazer a Boa Nova aos pobres’ (Lc 4,18). Declara-os bem-aventurados, porque ‘é deles o Reino dos céus’ (Mt 5,3).
“Foi aos ‘pequenos’ que o Pai se dignou revelar o que continua oculto aos sábios e inteligentes. Jesus partilha a vida dos pobres, desde o presépio até a Cruz: sabe o que é sofrer a fome, a sede e a indigência. Mais ainda: identifica-se com os pobres de toda espécie, e faz do amor ativo para com eles a condição da entrada no seu Reino” (CIC 544). Veja, como o amor do Mestre é um amor ativo! Ele mostra, assim, que de fato a fé e o próprio amor sem obras, são uma fé e um amor mortos. Além dos pobres, outro público que está no centro de suas ações messiânicas são os pecadores, os pequenos e as crianças (cf. Mt 5,3).
Concluímos, então, a partir desses exemplos da vida do próprio Cristo, que reduzir a fé cristã a ativismos sociais é equivocado. Porém, não notar que a mensagem de Cristo certamente supõe obras e transformações que promovam integralmente a pessoa humana, é também um equívoco de compreensão de Sua mensagem profética no mundo.
Participe do Retiro Quaresmal da Comunidade Shalom!
A Comunidade Shalom apresenta um itinerário formativo e oracional: o Retiro “Do deserto à Ressurreição”.
Inscreva-se gratuitamente na página comshalom.org/quaresma, e tenha acesso a conteúdos em vídeo, como pregações semanais do Padre João Chagas, além de conteúdos formativos e oracionais para você viver uma experiência de conversão.
