Neste primeiro domingo da Quaresma, a Igreja nos conduz ao deserto com Jesus (Mt 4,1-11). Este Tempo favorável que iniciamos na Quarta-feira de Cinzas não é um convite ao isolamento triste, mas ao combate espiritual. Jesus, como o “Novo Adão”, enfrenta o tentador para nos mostrar que a nossa filiação divina é provada na escuta da Palavra e na força do Espírito Santo.
Para ajudá-lo a rezar com este Evangelho, apresentamos abaixo os cinco pontos baseados em nossa partilha no podcast (https://youtu.be/T7tccdH5XjI), que você pode assistir para melhor meditar e rezar, selecionando as legendas no seu idioma.
- O Espírito conduziu Jesus…
Diferentemente do que possamos imaginar, Jesus não foi ao deserto por uma vontade meramente humana. Ele foi conduzido pelo Espírito (cf. Mt 4,1). É o mesmo Espírito que havia descido sobre Ele no Batismo e do qual Ele já era pleno. O deserto, aqui, não é apenas um lugar geográfico, mas o espaço da intimidade e da prova. Jesus vai para lá “para ser tentado“, mostrando que a tentação faz parte do caminho do discípulo, mas que nunca estamos sozinhos: somos movidos pela força de Deus para enfrentar o inimigo e com Jesus, vencê-lo.
- Quarenta dias e quarenta noites
O número quarenta é carregado de simbolismo bíblico: lembra os 40 anos de Israel no deserto e os 40 dias de Moisés e Elias na montanha. Jesus passa por este período de jejum e oração para se preparar para Sua missão pública. Ao final desse tempo, o texto diz que Ele “teve fome“ (Mt 4,2). Essa fome revela a humanidade de Jesus e Sua total solidariedade com a nossa fraqueza. É nesse momento de vulnerabilidade física que o tentador se aproxima, tentando desviar o Filho de Sua confiança no Pai.
- “Não só de pão vive o homem” (e a Pobreza)
O demônio ataca a necessidade básica da fome, propondo que Jesus use Seu poder para benefício próprio (“manda que estas pedras se transformem em pães“). É a tentação da autossuficiência e do materialismo. Jesus vence pelo Conselho evangélico da pobreza, respondendo com a Escritura: “Não só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” (cf. Mt 4,4). Ele nos ensina que o “ter” e a satisfação material não preenchem o coração; nossa maior necessidade é a comunhão com a vontade do Pai.
- “Não tentarás o Senhor teu Deus” (e a Obediência)
Ao ser levado ao ponto mais alto do Templo, Jesus é tentado a realizar um “show de fé”, forçando a proteção de Deus e o diabo cita até o Salmo 90(91). É a tentação do orgulho e do espetáculo. Jesus responde com o Conselho evangélico da obediência e o respeito à soberania de Deus: “Não tentarás o Senhor teu Deus” (cf. Mt 4,7). Ele nos mostra que a verdadeira confiança não exige milagres por capricho nem manipula a relação com Deus, mas aceita o caminho do Pai na simplicidade.
- “Adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás.” (e a Castidade)
O tentador oferece o poder e a glória do mundo em troca de idolatria. É a tentação de colocar qualquer realidade (sucesso, dinheiro, prazer) no lugar de Deus. Jesus encerra o combate com o Conselho evangélico da castidade, aqui compreendida como a entrega total e exclusiva do coração ao Senhor: “Adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás” (cf. Mt 4,10). Ao ordenar “Retira-te, Satanás!“, Jesus reafirma que o coração humano só encontra sua liberdade quando pertence unicamente a Deus.
Conclusão: Vencer as tentações com a Palavra de Deus
O ponto central da vitória de Jesus em todas as frentes é o uso da Palavra de Deus. Ele não dialoga com o tentador. Ele responde com “Está escrito…”. No deserto, a Palavra revela-se como a arma eficaz contra as sugestões do Maligno. Este Tempo quaresmal é uma oportunidade para nos alimentarmos mais das Escrituras, pois é através dela que discernimos as ciladas das tentações e encontramos a força para as vencer, vivendo com autenticidade as práticas do jejum, da oração e da caridade.
Passos da Lectio Divina
- Leitura (lectio):
Leia pausadamente Mateus 4,1-11. Observe as três propostas do tentador e como cada uma delas é respondida por Jesus com uma citação da Palavra de Deus.
- Meditação (meditatio):
Em que áreas da minha vida sou tentado a colocar o “prazer”, o “possuir”, o “poder” ou o “ser visto” à frente da vontade de Deus? Tenho recorrido à Palavra de Deus para enfrentar as minhas lutas diárias?
- Oração (oratio):
Reze, por exemplo, assim: “Senhor Jesus, Vós que vencestes o tentador no deserto, dai-me o Vosso Espírito para que eu também saiba discernir e vencer o mal em minha vida. Fortalecei a minha vontade e dai-me fome da Vossa Palavra…” (continue sua oração conforme o Espírito lhe inspirar).
- Contemplação (contemplatio):
Adore a Jesus Cristo, o Filho Unigênito, Pobre Casto e Obediente. Contemple o Senhor que, mesmo na fome e na prova, permanece fiel ao Pai, e peça a graça de uma confiança inabalável na Providência Divina.
- Ação (actio):
Nesta primeira semana da Quaresma, escolha uma das tentações que mais o aflige e pratique um gesto concreto de renúncia para reafirmar a soberania de Deus sobre a sua vida. Escolha ou reafirme seus propósitos quaresmais.
Até a próxima semana!
Shalom!
(selecione as legendas em seu idioma)