Igreja

João Paulo I: conheça a história do Papa do Sorriso, agora Beato da Igreja

O Beato João Paulo I, nascido Albino Luciani, foi Papa por apenas 33 dias e ficou conhecido mundialmente como o “Papa do Sorriso”. Beatificado pelo Papa Francisco em 2022, sua memória litúrgica é celebrada em 26 de agosto.

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No dia 17 de outubro de 1912, nasceu Albino Luciani, que depois se tornaria sacerdote, bispo e o futuro Papa João Paulo I. Esse santo pastor veio de uma família simples e humilde. Seu nome de batismo foi uma homenagem feita por sua família a um amigo que morreu num acidente ocorrido por uma explosão numa carvoaria. 

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Seu pontificado durou apenas 33 dias, todavia, sua simpatia e carisma pessoal eram tão contagiantes, que não demorou muito para ser reconhecido por todos como “O Papa do Sorriso”. Sua humildade e pobreza de coração já se revelaram por ocasião da cerimônia onde fora coroado sucessor de Pedro, pois foi ele o primeiro, desde Clemente V, a recusar o rito de coroação. Sua simplicidade de coração foi ainda mais longe, pois também recusou a ser carregado em uma liteira como os papas anteriores. Ao ser eleito, adotou um nome duplo, algo também novo, até então.

Infância e família simples

De família simples e piedosa, sentiu-se incentivado desde cedo para o serviço a Deus, sobretudo por sua mãe, Bertola, mulher discreta e fervorosa. Seus estudos ocorreram no seminário Minori, em Murano, e foram concluídos no seminário Georgiano, em Belluno. Ele foi ordenado presbítero no dia 7 de setembro de 1935, tornando-se pároco, serviço que tanto almejara. 

Segundo testemunhas, ele não possuía grandes ambições, só queria amar e servir a Deus, no entanto, foi nomeado bispo pelo Papa João XXIII e cardeal por Paulo VI. Esteve presente no Concílio Vaticano II, em 1962, convocado pelo Papa João XXIII. Simples, entusiasmado e apaixonado por Deus, era o Patriarca de Veneza quando, no dia 26 de agosto de 1978, com 56 anos, foi eleito Papa.

Detalhe: com 99 votos a 11. Placar este que revelou a grande esperança que os demais pastores da Igreja depositavam nesse servo. 

A princípio, conta-se que teria cogitado a possibilidade de recusar o pontificado, mas fora encorajado e animado pelo cardeal holandês Johannes Willebrands, que estava sentado a seu lado na Capela Sistina, e incentivou-o a abraçar com coragem a vontade de Deus. Segundo testemunhas, ele teria ouvido o seguinte estímulo: “Coragem. O Senhor dá o fardo, mas também a força para carregá-lo.”

O significado do nome 

Seu nome de pontificado foi escolhido para homenagear seus antecessores, o Papa João XXIII e o Papa Paulo VI. Na época do conclave, o cardeal britânico Basil Hume, um de seus eleitores, chamou-o de “o candidato de Deus”. Esse santo e dedicado pastor fez sua páscoa no Palácio Apostólico do Vaticano na madrugada de 28 de Setembro de 1978. Os comentários a seu respeito na Igreja sempre foram o de um papa afável e terno. 

Dizem que João Paulo I havia comentado com alguém mais próximo que sua hora já estaria chegando e que Deus estava preparando algo grande para a Igreja. Um cardeal presente na ocasião, que preferiu o anonimato, confirmou que esse homem era o grande Karol Woytila, hoje nosso amado e querido São João Paulo II.

Sua páscoa 

À tarde, enquanto rezava na capela papal acompanhado pelo seu secretário, o padre irlandês John Magee, João Paulo I sentiu uma forte dor no peito, mas recusou que chamassem o médico. Jantou, deitou-se e acabaria por morrer nessa mesma noite, tendo sido encontrado morto na manhã seguinte. O laudo médico é de que ele tenha sofrido um infarto do miocárdio ou teria sido vítima de uma embolia pulmonar. 

Seu corpo foi encontrado por uma religiosa que trabalhava na residência papal há vários anos. Sua morte provocou enorme tristeza entre os fiéis, tanto que, mesmo sob chuva intensa, a praça de São Pedro ficou totalmente lotada. Em sua homenagem, Karol Woytila, seu sucessor, adotaria seu nome ao ser eleito, em 16 de outubro de 1978, tornando-se o Papa João Paulo II.

Beatificação

A história de Albino Luciani ganhou um novo capítulo em 4 de setembro de 2022. Na Praça de São Pedro, no Vaticano, o Papa Francisco presidiu a celebração na qual proclamou João Paulo I como Beato da Igreja Católica. A cerimônia ocorreu quase 44 anos após a morte do pontífice, que faleceu em 28 de setembro de 1978, depois de um breve pontificado.

O reconhecimento da santidade de Luciani avançou após a Igreja aprovar um milagre atribuído à sua intercessão. O caso envolveu Candela Giarda, uma menina argentina de 11 anos, que em 2011 sofria de uma grave encefalopatia inflamatória aguda, estado epiléptico refratário maligno e choque séptico. Diante da gravidade do quadro, o sacerdote Juan José Dabusti propôs à família que invocasse a intercessão de João Paulo I. A menina apresentou uma recuperação considerada rápida, completa e duradoura, sem explicação científica para a cura.

O Papa Francisco autorizou o decreto que reconheceu o milagre em 13 de outubro de 2021, abrindo oficialmente o caminho para a beatificação. Menos de um ano depois, em 4 de setembro de 2022, João Paulo I foi proclamado Beato durante a celebração no Vaticano.

Atualmente, João Paulo I é celebrado liturgicamente em 26 de agosto, data que recorda sua eleição como sucessor de Pedro em 1978. A causa de canonização permanece em andamento. Para que ele seja declarado santo, a Igreja deverá reconhecer um segundo milagre atribuído à sua intercessão. Após a beatificação, a causa passou para a Diocese de Roma, e a Fundação Vaticana João Paulo I tornou-se a responsável pela causa.

Assim, Albino Luciani, conhecido mundialmente como o “Papa do Sorriso”, é hoje venerado pela Igreja como Beato João Paulo I, testemunha de humildade, simplicidade e serviço no exercício do ministério petrino.


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