No decorrer da caminhada quaresmal, a Igreja celebra a Solenidade de São José. No silencio do homem justo de Nazaré encontramos o perfil de um “contemplativo na ação”. Enquanto trabalhava estendia o clima de silencio e de profunda contemplação do mistério “escondido” com o qual mantinha contato todos os dias. É no seu intimo que José faz o sacrifício de sua vida inteira às exigências da vinda do Messias até sua casa. É dela que provem as decisões de se colocar integralmente a dispor dos desígnios divinos, oferecendo sua própria liberdade, sua legitima vocação humana, aceitando viver num incomparável amor virginal e renunciando ao natural amor conjugal que constitui e alimenta a mesma família. José é um homem comum mas senhor de sua vontade pois a coloca em prontidão para o serviço de Deus.
Na noite da fé ecoa dele um “Fiat” silencioso que encontra o de Maria e o de Jesus na sua oferta total na cruz. O que precisamente une José a Maria e a seu Filho é o Amor verdadeiro e as exigências do mesmo amor. Um ama o outro e se dá ao outro e pelo outro. José faz a experiência desse amor porque contempla a humanidade de Cristo e presta serviço de caridade para o desenvolvimento desta mesma humanidade.
No evangelho José é destacado como justo (Mt 1,19); sua justiça não se caracteriza por uma mera observância das leis, mas por uma profunda escuta da vontade de Deus. Na vida da Igreja, houve sempre um lugar distinto para a sua veneração: há relatos do século VII nos quais a Igreja já pedia sua intercessão e sua festa litúrgica foi instituída no século XII e durante os séculos foram dadas a seu nome as mais variadas distinções. O papa Pio IX em 08 de dezembro de 1870 o declarou Patrono da Igreja Universal.
O esposo de Maria e pai nutrício de Jesus é recordado duas vezes no calendário litúrgico: pela “solenidade de São José, esposo da Virgem Maria”, no dia 19 de março, e pela “memória facultativa de são José operário”, no dia 1° de maio. Na solenidade do dia 19 de março é recordado que são José é o homem justo e fiel que Deus pôs como guarda de sua casa; é ele quem liga Jesus a descendência de Davi (Mt 1,1-16). Os textos eucológicos citam José como aquele que se consagrou ao serviço do Filho de Deus, nascido da Virgem Maria e chefe da Sagrada Família. Note-se que esta celebração recorda o mistério da Encarnação, do qual José é participante. Os textos bíblicos exaltam a figura de José a quem foi confiada a guarda de Jesus e de Maria. Diferente da solenidade, a memória de são José operário foi instituída por Pio XII em 1955 no contexto da festa dos trabalhadores celebrada no mundo todo no dia 1° de maio.
Santo Irineu afirma que “assim como José cuidou com amor de Maria e se dedicou com empenho jubiloso à educação de Jesus Cristo, assim também guarda e protege o seu Corpo místico, a Igreja, da qual a Virgem Santíssima é figura e modelo“, supliquemos sua intercessão para que as portas da divina providência se abram e a graça de Deus seja derramada a fim de que no intimo de nossas vidas imolemos a Deus um sacrifício santo para gerar vidas novas para Deus e para a Igreja.
Vinicius Ribeiro
(Missionário da Comunidade Shalom – Fortaleza)
Assessoria Litúrgico-sacramental