Formação

Lições das Bodas de Caná

comshalom

O acontecimento que se deu em Caná, no Evangelho de São João,  tem uma considerável importância (Jo 2,1-11). Com efeito. é  o primeiro dos sete milagres narrados por este Evangelista os quais  patenteiam a divindade de Cristo. O fato ocorreu numa pequena cidade da Galiléia. Uma festa de casamento que poderia ter terminado mal, uma vez que o vinho veio a faltar e isto seria um desastre diante dos convidados. Contudo houve um final feliz porque a Mãe de Jesus, atenta como todas as mães, percebeu o que estava acontecendo e se dirigiu a seu Filho. Este se dispos a fazer a   primeira manifestação de seu poder divino. De plano, é de se admirar a atenção de Jesus e Maria para com os noivos numa gentileza que faz brilhar a fé que nele devemos ter e a confiança inabalável na intercessão da Medianeira de todas as graças. Há, entretanto, um ponto essencial a ser considerado. Este episódio se situa no início do segundo capítulo do Evangelho joanino.

O primeiro foi consagrado ao encontro com João Batista no batismo e ao chamamento dos primeiros discípulos que, antes seguiam o Precursor. Aparece então um constraste, ou seja, enquanto João se alimentava de mel selvagem e rãs, vivendo no deserto, Jesus a primeira coisa que faz é ir a uma festa de Bodas e festa regada a vinho. Isto, contudo, tem um significado profundo que pode ser captado  no texto de Isaías (62,1-5) o qual a liturgia coloca como primeira leitura deste segundo domingo comum. Neste trecho Deus é apresentado como o esposo de seu povo Israel. A aliança entre Deus e Israel é uma aliança nupcial, isto é, indestrutível, baseada num amor total e recíproco. Deste modo, a festa dos jovens esposos de Caná, na visão do Evangelista, introduz à inauguração de uma outra solenidade visualizando outras Bodas, ou seja, a festa anunciada pelos profetas da Aliança de Deus com seu povo através de seu Filho. Trata-se, dE fato,  da Nova Aliança. São João diz que havia seis  talhas de pedra preparadas para as abluções dos judeus, um ritual da antiga religião, mas inteiramente ineficaz como bem o indica o número seis, dado que na Bíblia o número perfeito era o sete. As seis talhas de água da purificação representavam  a lei antiga com toda sua imperfeição por ser incapAz de reconciliar Deus com os homens. Quando se dá, porém, a mudança da água em vinho feita por Jesus, surgia o sinal que ali estava quem viera substituir a lei antiga pela lei nova. Por isto o Evangelista assinalou que Cristo manifestou sua glória a seus discípulos que creram nele. O vinho de Caná prefigurava o vinho da última Ceia, transubstanciado no sangue redentor que seria derraMAdo pela remissão dos pecados, lá no Gólgota. Deste modo, Jesus anunciava sua missão que era realizar a passagem do Antigo para o Novo Testamento. As Bodas do Antigo Testamento eram curtas, faltou vinho. As bodas da Nova Aliança, Bodas do Cordeiro de Deus, durariam sempre a favor de uma grande multidão. Fica entretanto mais uma lição desta página do Evangelho, isto é, um convite também a umA transfornção radical. Isto não apenas na imagem da água mudada em vinho como também naquelas palavras de Maria aos serventes: “Fazei tudo que Ele vos disser”. Será que na sua existência todos os cristãos se esforçam por realizar sempre o que Jesus ensinou?

É preciso seguir a Cristo na alegria e na tristeza, ou seja, em todos os momentos da vida de cada um, sobretudo dentro do lar abençoado pelo Sacramento do Matrimônio. Jesus e Maria  devem morar em cada casa para aí operar o milagre da felicidade, da paz, do diálogo, da confiança recíproca, do perdão imediato. Eis  a vocação de todo lar cristão, ostentando marido e mulher, pais e filhos, os carismas evangélicos da vivência de todas as virtudes que engrandecem os seguidores do Filho de Deus e isto sob a proteção de sua Mãe Santíssima. Tudo isto visando a expansão do Reino de Deus nesta terra em vistas às Bodas Eternas na Casa do Pai. Nas Bodas de Caná o vinho da alegria veio a faltar o que ocasionou tristeza e desolação para os promotores daquela festa. Esta  foi muito bem começada, mas, de repente,  ficou envolta em suspense. Entretanto,  lá estavam Jesus e Maria e os noivos puderam servir no fim o melhor vinho.

Em nossos dias, mais do que nunca, é preciso que Cristo e sua Mãe estejam presentes em todas as famílias, porque eles as ajudarão a transformar os espinhos da vida em pérolas para a eternidade, a mudar as águas turvas das fraquezas humanas em vinho delicioso que robustece para os embates da vida.

Côn. José Geraldo Vidigal
Professor no Seminário de Mariana durante 40 anos.


Comentários

Aviso: Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião da Comunidade Shalom. É proibido inserir comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem os direitos dos outros. Os editores podem retirar sem aviso prévio os comentários que não cumprirem os critérios estabelecidos neste aviso ou que estejam fora do tema.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *