Na semana passada, o mundo conheceu a história do macaco Punch.
Punch chamou a atenção ao ser rejeitado pela mãe e por seu grupo ainda nos primeiros dias de vida, a ponto de ser agredido, sem ter quem o defendesse.
Por carregar uma grande ausência de afeto, um dos cuidadores do local deu a ele um macaco de pelúcia, ao qual ele se apegou e passou a tratar como se fosse sua mãe.
Suas fotos com o macaco de pelúcia ganharam o mundo, e muitos internautas expressaram comoção e revolta. Muitos diziam que ele precisava de uma família e retrataram a cena como abandono e solidão.
Nos últimos dias, novas fotos também ganharam repercussão. Dessa vez, Punch aparece sendo acolhido em um abraço por outra macaco, que o adotou em seu grupo. Podemos dizer que é um final feliz para Punch, que agora não crescerá sozinho e sem afeto.
Mas o que a história de Punch nos ensina?
Em um tempo em que se banaliza a importância da família e se desvincula da mulher a sua relevância diante de sua vocação natural de ser mãe, a natureza grita.
Punch atrai o olhar do mundo para seu cenário de abandono, mas nos lembra que, se um animal necessita de um núcleo seguro onde é acolhido, muito maior é a necessidade do ser humano, em razão de sua dignidade.
Punch é um grito que ressoa no silêncio de um mundo que tem normalizado cada vez mais a ausência da mulher dentro do núcleo familiar — uma sociedade que tem terceirizado a maternidade e legalizado a prática do aborto, ato cruel de rejeição e abandono da pessoa humana ainda indefesa.
Quando Edith Stein reflete sobre a mulher e sua missão diante da formação da pessoa humana, afirma que, na estrutura feminina, existe uma orientação natural para acolher, proteger e fazer crescer a vida. Ela diz que a maternidade, seja física ou espiritual, é expressão profunda da vocação feminina inscrita na natureza da mulher.

Quando a mulher assume para si sua missão diante do mundo, eleva sua participação social por meio da colaboração intelectual e profissional, sem renunciar à sua vocação de gerar, acolher e formar a vida.
Se o abandono de um macaco foi capaz de comover o mundo, é porque sabemos, no mais profundo, que a vida não foi feita para ser abandonada mas sim acolhida, que o olhar da nossa geração seja elevado para a pessoa humana e que em nosso meio seja cultivado mais o cuidado e o acolhimento.
Anna Angelica
Consagrada Comunidade de Vida
