Numa certa ocasião, eu explicava para as crianças do nosso querido Colégio Shalom o que era ser missionário e o que era o Tripé da nossa vocação. Depois de refletir sobre como comunicar esse ensinamento para aquele pequeninos, resolvi fazer uso de uma dinâmica pedagógica: desenhei no quadro um super-herói um pouco diferente. Ele tinha três pernas e os colorimos juntos, foi um barato!
Eu explicava então para as crianças que aquele herói tinha poder de resgatar e de restaurar as pessoas. Porém, quem o observava e convivia com ele, em pouco tempo descobria que a sua força brotava justamente da harmonia entre as suas três incrível pernas que o sustentavam. Uma perna tinha o poder de Contemplação a segunda, de Unidade e a terceira, de Evangelização.
Com certeza, o que vou dizer aqui não é novidade para os irmãos da Comunidade Vida ou Aliança Shalim, mas espero que consiga transbordar para os leitores de dentro e fora da Obra as graças que brotam da boa vivencia desse: “Tripé Shalomita”.
Contemplação, unidade e evangelização
Leia esse testemunho de São Paulo:
“Eu vos lembro, irmãos, o Evangelho que vos preguei, e que tendes acolhido, no qual estais firmes. Por ele sereis salvos, se o conservardes como vô-lo preguei. De outra forma, em vão teríeis abraçado a fé. Eu vos transmiti primeiramente o que eu mesmo havia recebido: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; foi sepultado, e ressurgiu ao terceiro dia, segundo as Escrituras; apareceu a Cefas, e em seguida aos Doze. Depois apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma vez, dos quais a maior parte ainda vive (e alguns já são mortos); depois apareceu a Tiago, em seguida a todos os apóstolos. 8. E, por último de todos, apareceu também a mim, como a um abortivo”. (Cor: 15,1-9)
Viu só que maravilha?
“Eu vos transmiti primeiramente o que eu mesmo havia recebido”. Aqui já é possível perceber de onde brotava toda a ousadia e a criatividade evangelizadora do grande apóstolo Paulo. Seu ardor brotava da sua intimidade com Deus, de sua abertura e acolhimento do Evangelho.
Ele recebeu o choque do Ressuscitado e mergulhou com tanta intensidade nesse mistério, que essa experiência o fez nascer de novo, porém, no útero santo, amoroso e perfeito da Igreja. Sua mudança de coração foi tão forte, que de perseguidor dos cristãos, ele tornou-se o grande perseguido. Tornou-se o Apostolo dos gentios e dos pagãos, como ele mesmo se definia.
Não nos iludamos, uma coisa está intimamente ligada às outras. Quando nossa relação e intimidade com Deus, por meio da oração pessoal, leitura e meditação atenta dos textos bíblicos (contemplação) está comprometida, a nossa unidade também se enfraquece. Consequentemente, o nosso testemunho (evangelização) perde força e intensidade.
Se você se sente sem ânimo, sem disposição e sem ardor para falar de Deus e para testemunhar a sua fé, tenha a ousadia de fazer um bom retiro pessoal e de se aventurar na vida interior. Faça uma revisão de vida e saiba mais sobre como anda a manutenção das “pernas” que lhe sustentam. Tenha a coragem de São Paulo, que desejou ardentemente mudar de vida!
Saiba que Deus será o primeiro a querer renovar essa intimidade, para que o seu ardor missionário e evangelizador ganhe uma potência heróica, com frutos fecundos de santidade. Coragem!
Rodrigo Santos
