Institucional

“A minha vida já não é minha, é doada, é pro outro”

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“… A peregrinação pelo caminho De Santiago ia terminar fazendo com que eu descobrisse a mim mesmo… “

No último sábado, dia 03/12, um grupo de jovens da comunidade católica shalom da Missão de Perdizes/SP foi evangelizar no Parque da Juventude, na zona norte da capital paulista, com a missão de dar de graça aquilo que de graça receberam. Eu estava entre eles.

No caminho para o parque, os planos que haviamos feito não se realizaram. Chegamos atrasados no local,  mas mesmo assim nos permitimos viver sem seguranças, pois Deus estava nos moldando.

Encontramos um homem que aparentava ter 50 anos, que nos contou ter uma filha de 19. Motivados por essa informação, apresentamos os eventos programados na comunidade: o Follow Me “Segue-me” (voltado para universitários), e o Acamp’s, que atrairia a atenção de sua filha que é escoteira.

Depois de toda conversa e partilha sobre a vida dele, da filha e da mulher, ele nos questionou:

– Sondem-se antes de responder. Uma vez, minha filha foi com pessoal no parque com a roupa de escoteiro e fizeram aquilo de só segurar uma plaquinha escrita: “Me abrace”. E a galera abraçava eles… Eles tinham como princípio que foram fazer aquilo no parque. No escotismo um dos princípios é a obediência. Dou como exemplo o apito do chefe quando quer reunir os escoteiros, que independente de onde estiverem vão correndo ao encontro dele, sem que use uma palavra – explicou introduzindo o questionamento – Mas agora fazendo uma pergunta seria: Qual o intuito de vocês, enquanto jovens, fazendo esse tipo de trabalho? Pra cada um, sem aquilo de “é que sabe que…” (risos).

– Pra mim é levar a verdadeira felicidade a todos – respondeu categoricamente Camilla Santos

– Dou como exemplo, que fui de paróquia há 9 anos, e como vivência eu não tinha uma vida de oração diária, e no acamp’s (que fui convidado por uma amiga), eu percebi a necessidade que eu tinha de falar com Deus – exemplificou Maurício Neres – Meu intuito é fazer com que as pessoas possam ter uma experiência única com Deus e queira também falar com Ele, pois Deus está aqui.

– O meu desejo ao sair para evangelizar é alcançar os jovens que se sentem vazios assim como eu um dia já estive vazio e quero que, como eu, eles possam se sentir amados por Deus – respondeu João Paulo.

– Eu achava que Deus era uma pessoa muito distante, Ele lá e eu aqui . Quando eu descobri que Ele está vivo, que Ele é pra mim, que Ele me ama como eu sou, eu falei: Ele é O cara! – refletiu Andreza Marques antes da resposta ao questionamento levantado – Mas o meu intuito é fazer com que outras pessoas se sintam amadas e que saibam que não estão só.

– Deus e suas didáticas né… tem sido um tempo bem difícil pra mim, acolher a vontade de Deus. É um socorro que a humanidade geme e pede, principalmente os jovens que estão super perdidos. Eu já passei por isso, eu já fui uma jovem do mundo, sei o quanto nos sentimos incompletos, e buscamos um preenchimento fora de série. Eu buscava nas baladas, nas pessoas, em tudo… – respondi relembrando da minha vida antes de decidir-se por Deus – Quando eu tive meu reencontro com Deus, com a face misericordiosa dEle, Ele me disse “Eu te pego em meu colo, eu te puxo pra você caminhar”. E foi assim realmente, uma didática que Ele precisou que eu passasse, pra entender que a minha vida já não é minha, já é doada, é pro outro. E por isso eu estou aqui.

– Eu passarei esse papel pra minha filha, mas o que acontecer daqui pra frente não será por mim, mas por vocês, pela oração de vocês! – respondeu depois que respondemos seu questionamento – No mínimo deve ter alguém aqui usando droga, e são vocês quem tem que chegar nessa pessoa, pra que ele possa hoje perguntar à vocês ‘pra onde eu vou?’
Eu sou só um instrumento de Deus assim como vocês são – nos lembrou de nossa maior missão ao finalizar a conversa, virar as costas, e sair com os panfletos que entregamos a ele em suas mãos.

Por fim: Há MUITAS pessoas distantes no vazio, atormentadas pelos males de uma era turbulenta e sem alívio. Ansiamos pelo dia sublime, onde na saudade por alguém que ainda não vimos, nos imaginamos correndo para os teus braços, ó Pai. Só queremos a calmaria de um lugar que sopre o vento da paz, guiando-nos às águas tranquilas. Somos estrangeiros e vamos seguindo para o eterno lar, enquanto esperamos o momento que iremos te encontrar. Quando, não sabemos, mas um dia, saberemos! Vivemos para te encontrar.

“Não é porque você é jovem que você não vai estar com Deus.”

Nicolle Luísa é vocacionada da Missão São Paulo/Perdizes da Comunidade Católica Shalom.


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