Teve início nesta sexta-feira, 29 de maio, a Jornada Regional dos Jovens Shalom (JRJ) na cidade de Teresina (PI). O encontro, que se estende por todo o fim de semana, promete ser um tempo intenso de oração, fraternidade e renovação missionária para a juventude Shalom da região. A Santa Missa de abertura foi presidida por Dom Júlio César de Jesus, bispo de Floriano (PI) e referencial para a Juventude do Regional Nordeste 4 da CNBB.
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Em sua homilia, durante a Eucaristia dedicada à celebração da Memória de São Paulo VI, Dom Júlio destacou a responsabilidade social do cristão, a renovação do homem em Cristo e a missão da Igreja frente às injustiças.
Shalom em sua essência
Antes de abordar a liturgia do dia, Dom Júlio fez uma breve reflexão sobre a palavra Shalom. O bispo destacou que nas Sagradas Escrituras, a palavra Shalom, de origem hebraica, é definida não apenas como paz, mas como a plenitude da graça, da bênção e da paz de Deus no coração. Uma paz que deve ser vivida em vista do outro. Segundo Dom Júlio essa é a essência da Comunidade Shalom.
“A Comunidade deve ser para o outro, não para si mesma. Shalom é lançar-se, doar-se, entregar-se, aniquilar a si mesmo para que o outro possa crescer e ter vida.”
A Civilização do Amor em Paulo VI
Destacando o legado de São Paulo VI para a Igreja e sua contribuição para a Doutrina Social da Igreja, Dom Júlio enfatizou a conscientização dos fiéis como parte da construção da Civilização do amor. O conceito que define o horizonte ético da Doutrina Social da Igreja (DSI) foi proposto originalmente pelo Papa Paulo VI. O bispo sublinhou – utilizando as palavras do santo – que “só teremos uma sociedade nova, quando tivermos homens novos.”
A Doutrina das “Coisas Novas”
Em sua homilia, o bispo resgatou a importância da encíclica Rerum Novarum, escrita pelo Papa Leão XIII. Dom Júlio mencionou o contexto histórico do documento. A encíclica surge em um período de exploração da dignidade humana, com jornadas de trabalho excessivas, ocasionando, inclusive falta de convívio familiar.
Ainda de acordo com Dom Júlio, a Igreja nos convida a olhar para o céu, para a novidade esperada de um “novo Céu e uma nova Terra”, mas a construção dessa realidade é responsabilidade humana em colaboração com o divino, no cotidiano da sociedade.
O Papel do Leigo na Sociedade e na Política
Falando sobre a participação na vida pública e na política, Dom Júlio destacou que os fiéis são convidados a participar de forma ativa deste campo. No entanto, o bispo estabeleceu uma distinção clara de papéis dentro da Igreja. O clero (padres, diáconos e bispos) não deve se envolver em política partidária, sendo o campo social e político lugar específico de atuação do leigo.
O bispo alertou sobre a omissão que não pode ser vivida pelos católicos. Segundo ele, quando cristãos comprometidos com a ética e a moral não se envolvem nas questões sociais, eles permitem que “os maus governem.” A atuação dos católicos deve, assim, ajudar a superar situações sociais, como falta de acesso à educação, saúde e lazer, a dificuldade de moradia para jovens que desejam constituir família, além da miséria e pobreza extrema.
O caminho a seguir
Encerrando sua homilia, Dom Júlio apontou caminhos que podem ser seguidos pelos jovens para a vivência do Evangelho, e para a transformação da sociedade. O bispo destacou entre eles: o cultivo de uma vida de oração profunda, a rejeição da ganância e o uso da religião para fins pessoais, e participação na construção de estruturas sociais justas.
Segundo Dom Júlio, todos esses caminhos devem ser buscados como caminho de renovação pessoal, na construção do “Homem Novo”, para a transformação da sociedade.





