
Assim, também me vi. Eu que na época tinha apenas 18 anos, também dizia ao Senhor que não sabia evangelizar, não sabia coordenar grupos de oração, imagine ir em missão? Foi então que Ele me convenceu com a palavra de Colossenses 3, 5-17, que fala das mortificações da carne, da eleição de Deus, do chamado a triunfar em meu coração a paz de Cristo e do fazer tudo conforme o nome do Senhor, dando-lhe graças. Logo pensei, a paz significa Shalom! Me senti impulsionado a assumir a vontade de Deus. E assim, no ano seguinte deixei a minha terra Aracaju e parti em missão para o Rio de Janeiro para iniciar o postulantado na Comunidade de Vida Shalom.
“Há muitas pessoas que serão alcançadas por meio do nosso sim, se dizermos não, quem será a real imagem de Cristo para elas?”
Com o passar dos anos fui acometido de muitos desafios, tentações, provas e purificações de Deus. Em muitas delas quis desistir, mas o Senhor sempre falava-me através da oração e da formação pessoal e comunitária que eu sou eleito e sua escolha é irrevogável. Recordo-me muito de um trecho da palavra de Deus que li na capela do Discipulado de Pacajus, quando eu estava em grandes questionamentos quanto à vontade de Deus: “Persigo o alvo, rumo ao prêmio celeste, ao qual Deus nos chama, em Jesus Cristo…” e a palavra continua, “Contudo seja qual for o ponto a que chegamos, o que importa é prosseguir decididamente”(Fil 3, 14.17). Mais uma vez não podia negar a graça da eleição de Deus, mesmo me achando tão fraco e pecador. Importa prosseguir decididamente rumo ao prêmio da vocação que o Senhor me concedeu.
Em abril completei dez anos que ingressei na Comunidade e desde que iniciei o postulantado na Comunidade de Vida Shalom, sempre tive consciência de que Deus me chamava a consagrar a minha vida. O tempo foi me ensinando a escutar a voz de Deus e a descobrir minha real identidade vocacional.
Hoje, sou consagrado na Comunidade de Aliança, moro em Florianópolis e sempre trago a certeza de que sou missionário em Santa Catarina e em qualquer parte do mundo. Sou estudante de jornalismo, sempre que me apresento numa turma nova falo que sou missionário. Para alguns isso gera curiosidade, para outros, rejeição, mas vejo que um grande meio para evangelização. Utilizo os trabalhos acadêmicos para evangelizar meus professores e colegas. Escrevi dois ligados à vivência do carisma, um sobre o “Ser jovem em missão” na Comunidade Shalom e outro uma entrevista com Marcelo Davi, ex responsável local de Florianópolis, sobre o “Celibato na Igreja Católica”, este último foi bastante elogiado pelo professor.
Vejo que não tenho mais tempo para parar em mim mesmo, nos meus medos e no olhar para as minhas fraquezas. É urgente atender ao chamado do Senhor, pois Ele espera de mim uma resposta imediata, como foi a de Maria e a dos discípulos que Ele chamou para segui-lO. Como leigo missionário, reconheço que meus colegas têm sede de Deus e até esperam pela manifestação da minha fé. Por isso, convido a todos que sentirem o chamado de Deus a não hesitarem em respondê-lO com um sim generoso. Há muitas pessoas que serão alcançadas por meio do nosso sim, se dizermos não, quem será a real imagem de Cristo para elas?
José Allison Santos