Formação

Missão: obra dos amigos de Jesus

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O Dia Mundial das Missões, celebrado neste último domingo,dia 24 de outubro, teve uma bela Mensagem do Papa Bento XVI, com este tema: “aconstrução da comunhão eclesial é a chave da missão”. A Mensagem destaca maisuma vez a natureza missionária da própria Igreja e de todas as suas iniciativase organizações. Todas as nossas atividades pastorais devem ter um cunhoclaramente missionário.

 Nisso o Papa retoma uma vez mais a reflexão já feita naConferência de Aparecida sobre a conversão pastoral e missionária de nossaIgreja, de todos os seus membros, de suas iniciativas, instituições eorganizações: É preciso passar de uma pastoral de mera conservação e manutençãopara uma pastoral decididamente missionária. Se a Igreja ficasse ocupada apenasconsigo mesma, deixando de ir ao encontro do mundo e suas realidades, eladeixaria de ser fiel à vontade de seu divino Fundador, expressa claramente noenvio missionário dos apóstolos: “Ide por todo o mundo, anunciai o Evangelho atodos os povos” (cf Mt 28,19). A luz que recebemos no Batismo deve brilhar, enão ser escondida; o sal não deve ser guardado, mas misturado com os alimentos,para dar-lhes sabor; o fermento guardado na prateleira ainda não cumpre suafinalidade mas apenas, quando colocado na massa…

 A ação missionária é vital para a Igreja e a renova. Sedeixasse de ser missionária, a Igreja tornar-se-ia como uma árvore que não maisrecebe água: tal árvore começaria a perder vitalidade, a murchar e perderfolhas; finalmente, morreria. Uma Igreja que se faz missionária, é como árvorebem irrigada: cheia de vitalidade, mas permanece sempre verde, produz flores efrutos sempre novos… A missão realiza-se no anúncio e testemunho do Evangelhoe na comunicação da fé; pode ser um processo lento, com diversos passos, mas sóalcança seu objetivo quando as pessoas são levadas ao encontro pessoal e vitalcom Cristo. Este é, sem dúvida, o objetivo final da missão da Igreja.

 Mas o Papa aponta algo mais na Mensagem missionária desteano: a missão será tanto mais eficaz, quanto mais houver unidade entre oscristãos. Trata-se da unidade na mesma fé e adesão a Jesus Cristo e, por meiodele, da adesão a Deus Pai, no dom do Espírito Santo; mas também da unidade nacomunhão eclesial, que nasce do nosso comum encontro com o Senhor Jesus Cristoe com seu Evangelho. Nele e em torno dele se constrói e realiza a comunhãoeclesial. A missão não pode ser feita com pregações desencontradas, ou compersonalismos que fazem aparecer mais o pregador do que o próprio Cristo e seuEvangelho; e uma Igreja dividida perderia sua credibilidade perante o mundo. Aação missionária não é obra de uns poucos, mas de todos os membros dacomunidade eclesial.

 Com o encerramento do mês das missões não cessa nossapreocupação missionária; A conversão pastoral e missionária, justamente, deveajudar-nos a ser uma Igreja em permanente estado de missão. Esta mesma é tambéma preocupação de nossa Igreja, em São Paulo, que nos conclama, no 10º Plano dePastoral, a sermos discípulos e missionários de Jesus Cristo “na cidade de SãoPaulo”; este é o nosso espaço missionário permanente. O mês de outubro nosajudou a uma nova tomada de consciência da amplidão e urgência do desafiomissionário. E a recente Assembleia dasIgrejas, em Itaici, nos estimulou a abraçarmos a Missão Continental e a lhe darmuitas expressões na nossa Igreja em São Paulo.

 O esforço missionário requer a conversão pessoal a Cristo eseu Evangelho, mas também inclui a conversão da mentalidade e a revisão doritmo de nossas ocupações e programas. Poderia ser que nossa ação pastoraltenha perdido vitalidade e já não consegue mais despertar o interesse de quaseninguém pela Boa Nova… Poderia também ser que gastamos a maior parte do nossotempo em questões periféricas, e não no essencial de nossa missão; poderiaainda ser que haja pouca colaboração e interesse em participar da vida e damissão da Igreja, ou que esta tenha perdido o seu foco; neste caso, serianecessário retomar e aprofundar a formação cristã do povo e dos colaboradoresna missão. Pode ser também que nos resignamos perante as dificuldadeseconômicas e com a escassez de recursos para o trabalho missionário…

 Nada que não possa ser resolvido, quando existe “ardormissionário” e a consciência de que somos “colaboradores na obra de Deus”. Defato, a obra missionária não é feita por assalariados, nem com metodologiasfora do alcance: é obra, sobretudo, dos “amigos” de Jesus, que o deixaramentrar em suas vidas e ficaram fascinados por Ele. Estes são capazes deenfrentar qualquer obstáculo ou cansaço, sem medir esforços e sacrifícios;serão capazes até mesmo de entregar a vida por Cristo.


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