Primeiramente quero começar agradecendo a Deus por tudo, agradecer Sua imensa misericórdia, Seu infinito amor, por ter agido com muita paciência comigo ao longo desse tempo de caminhada. Muita mesmo! Eu sempre fui um cara tranquilo, nunca fiz confusão, buscava, às vezes, obedecer meus pais, tinha tudo que queria e acho que até mais do que precisava, pois meus pais me davam o que eu queria. No meu relacionamento com meu irmão, por eu ser mais velho, não o deixava em paz. Com os amigos, sou brincalhão. A gente desenrolava, curtia muito ao lado deles, dentro da minha família, tios, primos, só alegria, amo demais minha família. Até a fase da adolescência, nunca dei muita preocupação aos meus pais, mesmo porque não fazia outra coisa a não ser brincar na escola, na rua, no condomínio perto da casa onde morei, em Fortaleza. Cresci e aprendi bastante. No meio de vários acontecimentos felizes e tristes, existia o problema do alcoolismo de meu pai que gerou problemas constantes. Quando nos mudamos para Itapipoca, esse tempo de adaptação para mim foi difícil, pois não conhecia ninguém. Todos os dias queria voltar para Fortaleza, para minha casa e chorava. Nunca fui de falar muito, nem de comentar da minha vida, das coisas que aconteciam para ninguém. Comecei a ir para a escola, tinha que fazer amizade, gosto muito de bater um “raxinha”, sou meio bagunceiro. Foi então que surgiram grandes amigos da bagunça dentro da sala e da escola. Na rua de casa tinha uns “moleques” que jogavam bola e fui jogar também. Já me fazia esquecer um pouco do passado, mas ainda o álcool atrapalhava minha família. Participávamos da Missa normalmente em Fortaleza e também quando viemos morar em Itapipoca. Amava meu pai e minha mãe, mas tinha eu no meio dessa confusão toda. Ficava nervoso quando meu pai não chegava no horário, já tinha acontecido coisas feias com ele e chegou um tempo que não aguentava mais ver aquilo. Em 2005, ocorreu então a separação deles, tinha 15 anos e fiquei em Itapipoca com meu irmão e minha mãe. Meu pai tinha voltado para Fortaleza. Para mim foi difícil, mas a vida seguiu. Tenho certeza de que depois destas coisas, eu tinha o papel de ajudar mais a minha mãe, porque ela ficou só para sustentar meu irmão que é especial e eu. Porém, antes nunca tive essa consciência de trabalhar, esse pensamento de poder ajudá-la, de vê-la passar por essa tribulação. Foi um sofrimento para ela. Ela também é uma “Maria”, guerreira, e devo demais a essa mulher que buscou dar seu máximo para mim e meu irmão, não só na questão de comida, mas de vida mesmo. Nunca necessitou bater em nós (até que eu precisei e merecia) para a gente aprender os valores e ser pessoas de bem. Em 2006, fui morar na casa de meus tios em Caucaia, passei um ano lá. Dificilmente participava da Missa ou algo relacionado a Igreja, muito pelo contrário, estava começando a frequentar festas do mundo. Em Itapipoca, já tinha começado a sair, só que longe da minha mãe tinha mais liberdade, claro, dentro dos limites e obedecendo a autoridade dos meus tios, sempre acompanhado dos meus primos. Minha mãe, então, teve experiência com o amor de Deus no Renascer, ao querer um carnaval diferente e por ser uma mulher temente a Deus. Levou também sua irmã mais nova para curtir um novo, conhecendo o Shalom. A questão da bebida alcoólica me levou a cair e me perder, só que não era tanto. Quando retornei a Itapipoca em 2007, comecei a consumir cada vez mais, porque queria me divertir, para perder um pouco da timidez, seja nos aniversários, festas, dentro da escola, finais de semanas com os amigos e acompanhado de mulheres. Às vezes, quando saía do controle, não sabia mais o que estava fazendo, ficava chato. No carnaval, meio que explodiu a minha vontade de querer curtir as festas, sair com amigos, ficar com várias mulheres em uma mesma noite. Porém, minha mãe não queria deixar por ser perigoso e fez o convite para ir ao Renascer com ela. Recebi o batismo no Espírito Santo e nesse dia chorei muito, foi uma coisa assim que não sabia o que tinha acontecido. Quando as pessoas oravam no Espírito me dava uma vontade de rir, porque era uma coisa nova, nunca tinha visto alguém orar daquela forma. Só que foi assim: durante o dia estava no Renascer e à noite, nas festas. Depois comecei a ir para o grupo de oração aos sábados à noite, mas quando terminava, saía com os amigos para o mundo. Até que chegou um tempo que não me deu mais vontade de ir, não queria, porque para mim tinha feito nenhuma diferença estar dentro do Shalom nas orações ou fora, estava a mesma coisa. Porém, a D. Eliane, minha mãe, era quem mandava e muitas vezes me obrigou a ir assim mesmo, querendo ou não. Nunca me interessei em fazer amizades com os irmãos do grupo, falava com eles mesmo por falar, não estava nem aí. Não gostava nenhum pouco dos acompanhamentos, porque tinha que falar da minha vida, das coisas que eu fazia para outro cara. Essas coisas nunca passaram pela minha cabeça, tentava falar o mínimo e sair logo. Cheguei a ir para o Congresso Nacional de Jovens e foi um momento de muita emoção ao ver o Santíssimo na adoração, na Santa Missa. Foi diferente, bem alegre, conheci uma galera boa, jovem. No ano de 2008, lá estava eu mais uma vez no Renascer, mas agora servindo na livraria, ajudava também na estrutura, só que foi a mesma coisa do ano anterior. Não sei como que aguentava, durante o dia servindo e à noite, festa. Entretanto, ocorreu uma briga com minha mãe, pois ela não queria deixar eu sair à noite, discutimos, saí de casa dizendo que ia para praça encontrar com a galera e acabei indo para festa. Mas no dia seguinte, me arrependi