Hoje sou mais feliz
Vanda Figueiredo é vocacionada da Comunidade Shalom em Braga, Portugal. A jovem partilha sobre como conheceu a Comunidade e o que mais a atrai na vocação. Vanda também testemunha o que Deus mudou em sua vida durante esse tempo de caminhada e anima a outros jovens a não terem medo de descobrir o que Deus quer para si. Um convite numa conversa casual Há quatro anos, minha vida mudava. Conheci uma comunidade oriunda do Brasil com 30 anos, a Comunidade Católica Shalom. Foi um convite numa conversa casual, alguém que viu nas minhas conversas uma vontade de conhecer mais Deus, aquilo que na verdade todo o homem procura, mas foge. Serei sempre grata a essa pessoa. De repente, descobri que é possível ter amigos com quem se possa divertir, ‘brincar’, rir, chorar, partilhar ideias, experiências e crescer com isso, e isso é Deus. É possível juntos lutarmos por um mundo melhor. É possível conhecer vidas que se transformaram completamente por amor, e claramente conseguiram passar de burro para cavalo e são felizes por isso! E isso dá-lhes uma vivacidade e persistência que não se encontram facilmente por aí. Reconciliei-me com meus defeitos e limitações Hoje sou bem mais compreensiva comigo mesma e com os outros, sou bem mais leve, reconciliei-me com meus defeitos e limitações sabendo que eles não ditam a pessoa que sou. Aprendi a conhecer aquilo que faz de mim uma pessoa melhor e, por isso, mais alegre. De repente percebemos que Deus nos faz ir além e faz destruir as nossas limitações ou pelo menos ser mais fortes do que elas. Elas não têm a ultima palavra. De repente comparamos nossa vida hoje com a que era há tempos atrás e reconhecemos as incríveis mudanças que diariamente nem nos apercebemos que aconteciam. Tal como o corpo, inteligência e psíquico de uma criança muda, e, dia após dia, nem se nota, mas comparando anualmente se percebe o crescimento, espiritualmente acontece o mesmo. É necessário trabalhar para isso, caso contrário, corremos o risco de permanecermos crianças para sempre, espiritualmente, e assim sempre carentes e sempre dependentes de um mundo no qual não iremos existir para sempre. Assim vemos que, reconhecendo as nossas fragilidades diante de Deus e mesmo sem saber o que fazer, como arranjar forças ou mesmo sem merecer, Ele ama-nos na mesma pois vivenciamos o quanto Ele nos cura e muda para melhor e o faz sem nosso mérito, faz só porque nos ama, mas precisa do nosso ‘abaixar’ não por humilhação mas por reconhecimento, pois o amor dEle é tão perfeito que não se impõe, mas escolhe esperar por nós, demore o tempo que demorar. É por isso um ‘abaixar’ que nos eleva. Sim, às vezes, a espiritualidade parece contra-sensual, porque na verdade leva-nos a ir além das nossas compreensões humanas limitadas. Aí vamos conhecendo o Seu amor, aquele que procuramos em todo o lado mas nada nos sacia. Mas quando conhecemos esse amor, sim aquele que não se vê a olhos humanos, mas apenas com os olhos do coração (esse é o desafio possível) aí queremos corresponder e de repente a nossa vida ganha mais sentido. Apesar de paralelamente passarmos a lidar de frente com as nossas resistências e medos ao que é espiritual percebemos a grandeza de Deus pois vemos o quanto Ele é mais forte que as nossas ‘fortes’ fraquezas. E isso é crescimento, isso é Amor, é aquilo que procuramos desenfreadamente. E aí percebemos ‘ Senhor, para onde iremos se só Tu tens palavras de vida eterna?’ “A Igreja será jovem quando o jovem for Igreja” Assim sou impulsionada hoje, por gratidão a testemunhar e isso é para mim uma honra. Testemunhar que a vida de cada um importa, cada um faz diferença no mundo e tem algo para ensinar desde que encontre. Mais do que fazendo coisas é sendo e descobrindo-se a si próprio (‘Deus não nos criou para sermos perfeitos, mas únicos) dando ao mundo esse dom de ser único e assim aprender a fazer diferença no trabalho, na escola, família, amizades, namoro… Jovens, não sejamos preconceituosos. Tem gente que muda a sua vida para testemunhar isto e acaba transbordando essa felicidade para nós. Podem vir de outros países mas porque não surgirem aqui também pessoas assim. Se nos queixamos que a Igreja é arcaica, não tendo espírito jovem, não atrai… por quê não a tornamos nós mais atrativa (“a igreja será jovem quando o jovem for igreja”). No meu caso, por exemplo, com a Comunidade Católica Shalom pude perceber que é possível transmitir esperança, amor e sentido de vida através da arte, da música, da dança, da convivência e também da oração alegre, viva e comunitária. Com a partilha de experiências de vida. Por isso esta Comunidade me chamou a atenção, sinto que é claramente uma resposta às necessidades dos jovens (hoje em dia tão afetados por dependência e desestruturação familiar) e da igreja dos dias de hoje, daí a razão do meu empenho! Nós precisamos! E já vejo ser possível e esta é a minha motivação. Cresci num tempo em que uns diziam da juventude: ‘esta é uma geração rasca’ ou ‘eles são a esperança de um mundo melhor’. Eu escolho a segunda opção e vejo claramente que somos uma geração cheia de força para isso. O que escolhem vocês? Existe uma vontade para a tua vida Jovens, não tenhamos medo nem preconceito, foi-nos dada a coragem para isso. Não desperdicemos este tempo mais abençoado da nossa vida. Numa geração em que é tão fácil experimentar coisas novas, em que muitas nos levam mais ao fundo do poço que outra coisa, por quê não ter a coragem de conhecer Deus, uma pontinha que seja apenas. Pelo menos o efeito que Ele tem em nós apesar de parecer mais demorado e trabalhoso. Os seus efeitos não passam jamais, são para sempre e não nos deixam vazios e dependentes e desfigurados de nós próprios como tantas dependências (drogas, sexo, …) que apenas exploram as nossas fragilidades e as levam mais