A Igreja no Brasil celebrou, no último dia 13 de junho, a beatificação do Padre Nazareno Lanciotti, missionário italiano que dedicou sua vida à evangelização e à promoção humana no Mato Grosso. A celebração aconteceu em Jauru (MT), cidade onde exerceu seu ministério sacerdotal por quase três décadas e onde derramou o próprio sangue em fidelidade ao Evangelho.
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Durante a oração do Angelus, no ultimo domingo, 14 de junho, o Papa Leão XIV recordou o novo beato e destacou a força de seu testemunho missionário.
“Ele também foi mártir porque, em nome do Evangelho, defendia os mais pobres”, afirmou o Santo Padre, pedindo que seu exemplo sustente a missão dos sacerdotes e de toda a Igreja.
Um missionário que escolheu o Brasil
Nascido em Roma, em 3 de março de 1940, Nazareno Lanciotti foi ordenado sacerdote em 1966. Poucos anos depois, respondeu ao chamado missionário e chegou ao Brasil em 1971. Em janeiro de 1972, iniciou sua missão em Jauru, na região oeste de Mato Grosso, próxima à fronteira com a Bolívia.
Ali, dedicou-se integralmente à evangelização e ao desenvolvimento das comunidades locais. Fundou a Paróquia Nossa Senhora do Pilar, criou dezenas de comunidades rurais, promoveu a adoração eucarística, abriu escolas, organizou obras sociais, estabeleceu um dispensário médico, uma casa para idosos e um seminário menor. Sua ação pastoral era marcada por uma profunda vida espiritual e por uma atenção concreta às necessidades do povo.
Defesa da vida até o martírio
Além do trabalho evangelizador, Padre Nazareno tornou-se uma voz firme contra diversas formas de violência e exploração presentes na região. Denunciava o tráfico de drogas, a prostituição e a exploração de menores, colocando-se ao lado dos mais vulneráveis.
Essa postura profética o transformou em alvo de perseguições. No dia 11 de fevereiro de 2001, enquanto jantava com colaboradores em sua residência, foi atacado por homens armados. Baleado gravemente, foi transferido para hospitais em Curitiba e São Paulo, mas não resistiu aos ferimentos. Morreu em 22 de fevereiro daquele ano, aos 61 anos. Antes de partir, deixou um dos maiores testemunhos cristãos: perdoou seus agressores.