Formação

Morte e Vida Eterna

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Dom Gil Antônio Moreira

Omês de novembro é tradicionalmente celebrado como mês “das almas”.Inicia-se, contudo, com a festa de Todos os Santos, num grito exultanteque proclama a vitória da vida sobre a morte.

Nodia 2, na liturgia dos Finados, a Igreja apresenta suas preces aoSenhor por todos os que, tendo terminado sua peregrinação terrestre eafastado o perigo da condenação eterna, se purificam na chama ardentedo amor de Deus (purgatório) preparando-se para a visão beatífica, deque já gozam todos os santos. 

Estascomemorações elevam nossas mentes às últimas realidades (novíssimos),das quais nenhum vivente escapará: morte, juízo, inferno ou paraíso.Para o Senhor, a nossa vida tem grande importância. A nossa histórianão lhe é indiferente, nos recordou o Papa Bento XVI, em sua Encíclica,Spe salvi. Assim sendo, é no amor incomensurável de Deus pelo homem quese apóia a doutrina católica sobre a vocação à eternidade inserida nocoração humano, sobre a escatologia, que conhece uma fase intermediáriae outra final.

Ateologia católica, com base na Sagrada Escritura e na Sagrada Tradição,ensina que o homem não foi criado para conhecer a corrupção da carne.Alvo privilegiado do amor de Deus, não teria conhecido o fim trágico desua existência, que é a morte, se não se tivesse rebelado contra seuCriador. Constituído no estado de santidade e justiça original,passaria da vida terrestre para a visão de Deus de uma maneira naturale sem traumas. Sendo alma imortal e corpo material, perfeita dualidadequerida pelo Senhor, sua inteireza, isto é, sua pessoa, estavadestinada à contemplação do Eterno.

Nãofoi assim, porém, que as coisas aconteceram.      O homem pecougravemente: duvidou do amor de Deus e quis ocupar-lhe o lugar.Destruída a comunhão com o Criador, encontrou o fim trágico edestrutivo para os seus dias: o pó será o seu fim (Cf. Gn 3,19). Foienvolvido pelo drama da separação perpétua de Deus e da corrupção dacarne. Com efeito, Paulo ensina que “o salário do pecado é a morte” (Rm6,23).

APáscoa de Cristo, no entanto, privou a morte de seu maior poderio: o deseparar-nos de Deus. Antes do Cristo, mesmo os justos após a morteestavam privados da visão de Deus. São estes os que no Credo dizemosforam libertos da Mansão dos mortos pelo Senhor. Tendo-lhes aberto oacesso ao Pai, o Senhor “mata” a morte, que, de agora em diante, seráapenas uma conseqüência temporal do pecado, isto é, continuará a ser acorrupção de nossa carne, mas “não mais nos poderá separar do amor deDeus” (Cf. Rm 8, 38). Paulo diz que a morte é “partir e ir para estarcom Cristo” (Fl 1,23).

Todos,portanto, que morrem em estado de amizade perfeita com Deus sãoadmitidos à Sua adorável presença logo após a morte. Outros, todavia,mesmo não se encontrando em inimizade com Deus, não foram consideradosdignos de contemplá-lo sem antes passar por uma realidade depurificação. A prática de rezar pelos mortos, presente desde os temposmais remotos da Igreja, fundamenta a doutrina sobre o purgatório eencontra base bíblica no segundo livro dos Macabeus (Cf.Mc 12, 38-45).

Na caridade de Cristo, rezemos pelos falecidos, pois eles também oram por nós.


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