Institucional

Moysés Azevedo no Congresso Shalom Recife: “Se deixem alcançar pela misericórdia!”

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Por Gean Carlos França

 

Missa, louvor, pregação e uma adoração ao Santíssimo, marcaram o primeiro dia do Congresso Shalom Recife, cujo tema é Misericordiados para misericordiar. Já na homilia, o frei Adalgizo, presidente da celebração eucarística, falava o quanto a liturgia do dia já introduzia bem a temática do evento. “Que esse congresso possa fortalecer a fé de vocês, que vocês possam sair desse espaço convictos da missão, ou ainda mais, conscientes dá missão de vocês; misericordiados, aqueles que foram contemplados pela misericórdia, para misericordiar, para ser canal da graça de Deus”, exortou o religioso.
Na sua primeira alocução no Congresso, Moysés Azevedo, fundador da Comunidade Shalom, explicou o que é e qual a dinâmica da misericórdia Divina. ‘‘O que é misericórdia? ‘Misere’ é miséria, e ‘cordis’ coração. Deus coloca o seu coração divino em nossa miséria humana, e a miséria humana mais profunda é o nosso pecado! O seu e o meu! É ali que a misericórdia divina deseja nos alcançar. A misericórdia nos alcança em nossas feridas. Jesus vem para colocar seu coração em nossa miséria, para nos salvar.”

 

‘‘Nas sagradas escrituras existem 2 termos bíblicos que o Papa Francisco gosta de retomar referentes a misericórdia – continuou Moysés. O primeiro termo na Bíblia, em hebraico, é Harami; e o segundo, Hesed. Mas o que significam? Harami significa a expressão do amor de Deus e que Ele gosta de comparar a uma versão feminina, aquele amor de entranhas, de mãe; Lembra a passagem de Isaías que questiona: ‘Pode uma mãe se esquecer de um filho que gerou?’ Harami é esse tipo de amor misericordioso, um amor de entranhas, de vísceras. A mulher abre espaço dentro de si para gerar outro ser, e se alegra com ele, sofre com ele, a ponto de estar disposta a tudo, a dar de si e, se preciso, dar a sua própria vida! E Deus nos ama assim!’’, prosseguiu.

Moysés continuou falando da outra dimensão do amor misericordioso: o Hesed. ‘‘É o amor em sua dimensão mais masculina, paterna. É o amor que é fidelidade, como um pai que é fiel e que está pronto para perdoar sempre’’, explicou. ‘‘Hesed significa aliança, a aliança de Deus com seu povo. Nós queremos ser fiéis, mas nem sempre conseguimos. Mas o Amor Hesed de Deus é tão grande que ele nos diz: ‘Eu serei Hesed por mim e por ti! Se tu quebrares a aliança, o meu amor te sustentará, te reanimará, como um pai caminha com seu filho. E se você não souber caminhar, como um pai, Eu te ensinarei, te levantarei.’’’

Misericórdia: uma experiência daqueles que se rasgam
Moysés esclareceu, então, o que é necessário para viver uma experiência com a misericórdia divina, reforçando a importância do reconhecimento pessoal de cada um como um pecador e necessitado da graça do Pai. ‘‘Para sermos misericordiados, a gente precisa de um receptáculo. E qual o receptáculo da misericórdia em nossa vida? O nosso pecado! É ele o lugar onde a misericórdia age. Para sermos alcançados precisamos compreender que muitas vezes escolhemos mal, erramos! Quebramos a nossa cara, ferimos a nós mesmos e aos outros. Sentimos a dor em nós e não a transferimos a ninguém, porque foi eu que escolhi, eu que pequei, eu que fraquejei.’’

‘‘Quanto mais se abafa uma ferida, mais ela se torna podre, ela gangrena. Por isso que é uma graça reconhecer nossa miséria e expor diante de Deus, ser transparentes. A dor é necessária para sermos curados! Essa dor do ‘Pequei, Senhor!’. E, rápido, o Amor de Deus vem, cura e salva. É preciso tocar nas misérias, sentir a dor dos pecados, nos arrepender e fazer a experiência da misericórdia! Rasgue-se, ou você nunca será visitado pela misericórdia!’’, concluiu.
Misericordiados: novas criaturas 

“Meus irmãos, quando nos confessamos sinceramente, Deus perdoa os nossos pecados e Ele esquece. A gente não esquece, mas Deus esquece, cancela. E nós somos uma nova criatura, o que ficou para trás, ficou para trás. Deus diz: eu jogarei os vossos pecados no fundo do mar. Deus nos dar a chance de recomeçar.

Você é uma nova criatura, o problema é que a gente não acredita nisso, não tomamos posse da graça que Deus dar. A misericórdia não nos remenda, mas nos recria. Nós somos uma nova criatura. Como aquele pai que vai levantando, levantando até o filho ficar de pé. A misericórdia faz isso, nos capacita para uma vida nova, real, concreta.”

Misericordiar: um dever  

Moisés seguiu explicando que ao recebermos a misericórdia somos impulsionados a misericordiar. “A misericórdia é uma ação de Deus benevolente. Deus que é misericordioso comigo, Deus que misericordia, nós que precisamos ser misericordiados, precisamos fazer uma experiência com a misericórdia de Deus, para misericordiar, agir com misericórdia como somos misericordiados.

É isso que vamos falar nesse final de semana: misericordiados para misericordiar. Só pode dar a misericórdia de Deus quem experimentou da misericórdia. É fazendo misericórdia que podemos misericoridar. Se deixem misericordiar, se deixem alcançar pela misericórdia, com um coração reto e sincero, se deixem alcançar!”, finalizou.


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