A partir de uma palavra do Papa Francisco, Moysés Azevedo, Fundador da Comunidade Católica Shalom, convocou toda a Comunidade a assumir a missão de consolidar sua vida e missão. Com um apelo direto à responsabilidade espiritual e material, a pregação evidenciou que a fidelidade ao Carisma hoje é o que garantirá sua fecundidade nas futuras gerações.
O Retiro da Grande Comunidade de 2026, que traz como tema geral “O espírito do conselho evangélico da obediência e o serviço de autoridade”, tem ênfase no serviço de autoridade como serviço a Deus e aos irmãos.
Uma palavra que orienta o tempo presente
Dando continuidade ao caminho espiritual proposto ao longo do retiro, a segunda pregação do segundo dia foi marcada por uma memória viva e decisiva: uma palavra recebida em audiência com o Papa Francisco.
Ao recordar esse encontro, Moysés destacou que o Papa, após um momento de silêncio e oração, indicou um caminho claro para a Comunidade: consolidar. Mais do que um direcionamento pontual, trata-se de uma missão permanente.
Consolidar a vida e a missão da Comunidade não é tarefa de poucos, mas responsabilidade de todos — especialmente daqueles que exercem autoridade. É um chamado à maturidade, à firmeza e à fidelidade ao Carisma recebido.
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Uma obra que precisa de alicerces
A consolidação, como explicou Moysés, passa por dimensões concretas e espirituais. Não basta desejar frutos: é preciso estruturar o terreno onde eles irão crescer.
A Comunidade é chamada a avançar na organização de seu caminho espiritual, vocacional, missionário e também econômico. Essa estrutura não é um fim em si mesma, mas uma base sólida para sustentar a missão no presente e garantir que ela alcance as futuras gerações.
Um Carisma, recordou ele, “não é dado apenas para um tempo específico, mas para frutificar ao longo da história”, por isso, consolidar é também pensar no amanhã.
Providência e responsabilidade caminham juntas
Um dos pontos mais fortes da pregação foi o convite a uma visão equilibrada sobre os bens materiais. Moysés não hesitou em confrontar uma mentalidade equivocada que, por vezes, se infiltra de forma silenciosa: a ideia de que falar de recursos e organização econômica seria “menos espiritual”.
A Comunidade Shalom vive da Providência Divina — mas essa Providência passa, concretamente, pelas mãos dos seus membros. Existe uma responsabilidade real em administrar, organizar e oferecer bases sólidas, inclusive econômicas, para o futuro da Obra.
Ao mesmo tempo, reafirmou com clareza a centralidade da pobreza evangélica: não como negligência, mas como sinal de que Deus é o único Senhor. A comunhão de bens, nesse sentido, torna-se testemunho de liberdade diante do dinheiro e de obediência ao plano de Deus.
Citando o teólogo Reginald Garrigou-Lagrange, Moysés alertou: “Uma comunidade religiosa entra em decadência quando o número de tíbios começa a igualar o dos fervorosos.” A consolidação, portanto, passa também por uma decisão interior de radicalidade e fidelidade.
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Os desafios concretos da missão
Moysés apresentou áreas concretas que exigem avanço urgente para que a Comunidade responda à sua vocação, dentre elas:
- A presença no continente digital, com profissionalização e competência, surge como um campo indispensável de evangelização;
- Espaços como livrarias e lanchonetes são chamados a se tornarem ambientes verdadeiramente evangelizadores;
- A educação aparece como horizonte estratégico, com o fortalecimento de uma educação firmada nos valores cristãos.
Há ainda o desafio de “fazer o Carisma se tornar cultura viva”, capaz de formar novas gerações; de ampliar o serviço aos pobres no coração das cidades; de traduzir e difundir os conteúdos formativos para outras línguas; e de avançar com coragem nas missões em territórios sem cultura cristã, como África, Ásia e Oceania.
Também ecoa o apelo à formação dos sacerdotes, ao envio de famílias missionárias e à disponibilidade generosa de jovens celibatários que fecundem a vida e a missão da Comunidade.
O milagre que pede participação
Encerrando a pregação, Moysés conduziu a assembleia a uma compreensão profunda da ação de Deus: a consolidação da Comunidade passa por um milagre — mas não sem a participação humana.
Inspirado na multiplicação dos pães, ele recordou que Deus realiza o impossível, mas parte sempre da oferta concreta e humilde de cada um. Sem fidelidade à Comunhão de Bens e à vivência coerente da pobreza, não há autoridade espiritual para que as portas da Providência se abram.
A promessa de “soluções celestes”, da Revista Escuta 2025, permanece — mas ela se concretiza quando aquilo que é colocado nas mãos de Jesus, mesmo pequeno, é oferecido com fé e entrega.


