Na manhã deste sábado (18), a Comunidade Shalom se reuniu para o Retiro da Grande Comunidade. Depois de iniciar com o terço e momento de oração, deu-se a pregação de Moysés Azevedo, fundador e moderador geral da Comunidade, ao vivo para os membros da Casa Mãe da Comunidade em Fortaleza e online para aqueles que participam dos diversos lugares do mundo, na África, na Ásia, na Europa, América do Norte, América de língua hispânica e no próprio Brasil.
O Retiro, que traz como tema geral “O espírito do conselho evangélico da obediência e o serviço de autoridade”, teve na sua primeira pregação a ênfase do serviço de autoridade como serviço a Deus.
Introduzindo o Retiro, Moysés destacou que os membros da Comunidade fazem a promessa de Obediência porque querem em tudo buscar fazer a Vontade de Deus. “Nós obedecemos a Deus através da Igreja, do Magistério da Igreja, da Palavra de Deus, dos Estatutos e das autoridades constituídas.“ E citando o Cardeal Raniero Cantalamessa, O.F.M. Cap., lembrou que “não há senhorio de Deus em ação se não houver obediência”. Discorrendo sobre alguns dentre os artigos dos Estatutos da Comunidade Católica Shalom, Moysés inseriu o público no espírito do tema.
“A autoridade é um serviço de Cruz. Para Jesus, a única autoridade é a autoridade do serviço e o único poder é o poder da Cruz. O serviço de autoridade está a serviço de Deus, a serviço das pessoas e a serviço do Carisma.”
Serviço de Autoridade a serviço de Deus
A primazia de Deus e a primazia da graça
“Tudo na Igreja nasce na oração e tudo cresce na graça da oração”, com essa citação do Papa Francisco, Moysés introduziu sua fala sobre a primazia de Deus e a primazia da graça, primeiro subtema da pregação. Acentuando o espírito do Carisma Shalom que tem como âmago a vida de intimidade com Deus, incentivou a todos a mais uma vez “estar e viver com Deus”.
“Ser Shalom significa, em primeiro lugar ser uma pessoa que reza. O âmago da Vocação é o Amor Esponsal, quem não entendeu isso, não entendeu o que é ser Shalom.”
O fundador frisou que na Comunidade “nada podemos fazer sem oração, porque esse é o sinal da nossa primazia de Deus”. E lembrava o que o próprio Jesus diz no Evangelho de São João : “Sem mim, nada podeis fazer” (Jo 15, 5).
A vida interior
No subtema da vida interior, Moysés citou o Papa Leão XIV, dizendo: “Sem a vida interior nem sequer a vida espiritual é possível”. Incentivando a Comunidade a trilhar um caminho sério de intimidade com Deus onde disse o fundador:
“A nossa medida é a santidade, não a mediocridade!”
Nesse momento, Moysés tocou o tema da formação pessoal como um dos auxílios para esse caminho interior e enfatizou que a escolha do formador deve ser a escolha por ‘um mestre de vida de oração e vocacional, que ajude a viver esse caminho’, alguém que ajude o formando a ter a vida nas próprias mãos e a se decidir pela Vontade de Deus.
Jesus, meu Senhor
O fundador da Comunidade recobrou o sentido do Senhorio de Jesus dentro da vida de serviço a Deus e comentou que devemos ser “homens e mulheres de discernimento, que buscam auxílios, mas que têm a sensibilidade de quem reza e sabe discernir os movimentos do Espírito Santo e rejeitar os movimentos do espírito do mundo”. E com ênfase disse:
“O discernimento é um dom espiritual que penetra na vida de quem reza.”
O dom da Piedade
“O dom da Piedade gera em nós o apaixonamento interior e nos dá o deleite de perdermos outras coisas para estar na presença de Deus, para fazer a Vontade Dele”, disse Moysés ao explanar sobre o tema da Piedade. E continuou falando sobre a esponsalidade como graça constitutiva da vocação Shalom, esponsalidade e amor que tem sempre uma nova face a ser revelada. Exortando o corpo da Comunidade a revigorar o seu amor esponsal, exclamou:
“Será que é evidente o nosso amor esponsal? Você vê e os outros veem este amor esponsal em você? Quem está apaixonado não consegue esconder, assim como quando o amor esponsal esfria, isso se torna evidente.”
Oração Esponsal
Concluindo a pregação, Moysés convidou a todos a rezarem uma oração de São Boaventura, suplicando o dom do desejo e de um novo apaixonamento por Jesus:
“Feri, dulcíssimo Jesus, o mais intimo e profundo do meu ser com o dardo suavíssimo e salutar do Vosso amor, com aquela santíssima e inalterável caridade que foi brasão e timbre dos vossos Apóstolos, para que a minha alma se deleite e enterneça com a febre sempre crescente de Vos querer mais.
Dai à minha alma que se queime em desejos de Vós, que desfaleça nos Vossos átrios, e deseje dissolver-se e confundir-se Convosco”
(São Boaventura)