O primeiro namoro foi um desastre. Muito jovem, a experiência amorosa era cheia de conflitos, descobertas, ciúmes e inseguranças. Muita insegurança!
– Não valeu, diria.
A segunda relação foi mais intensa. Conheceu na balada. Ficaram, foram se vendo e depois de umas semanas o amor era eterno, revelado em fotos e declarações com “textões” no Facebook em cada mesversário. Fizera isso a tempo, pois o que parecia infinito não completou um ano. Ficaram as mágoas.
Frustrada e sofrida deu um tempo para si mesma. Fez amizades, saiu, curtiu e foi nesse tempo que a amizade aconteceu antes da paixão. A sintonia fluía entre eles antes de pensar. Companheirismo, conversas sem fim, desabafos da vida, confidências, segurança… Segurança? Sim, pois até então esse sentimento não combinava com sua opção de dar um tempo em algo mas… Ficou abalada, o coração descompensou a estabilidade emocional. Despertou! Opa! Peraí, quer dizer que…
– Estou apaixonada pelo meu melhor amigo! Meu melhor amigo? Hã? Repetia várias vezes a mesma sentença em formas diferentes para saber qual a convenceria melhor da realidade.
– E agora? Como viver este segundo momento? Desejou ser arrebatada.
Nervosa, silenciou e escolheu esperar. Não queria perder a amizade. Como disfarçar? São José, valei-me! Primeiro contou para a melhor amiga que logo se dispôs a fazer parceria com o cupido. Tudo estava em segredo mas, a ansiedade, a indecisão e o forte desejo de se revelar, aos poucos foram deixando mais do que claro as intenções. Era o amor inabalável, formado na amizade. Muito parceira, amiga e inteligente, não foi o suficiente para que ele correspondesse firmemente um namoro.
– Que desespero! Ouvir dele mesmo a sinceridade que a amava mas, maaaas, somente como a-mi-ga.
Faltou o chão, o ar, faltou ser correspondida. Abalada com o amor “inabalável”, sofreu…
– Nunca mais me apaixono! Prometeu a si mesma em meio as lágrimas e soluços.
No primeiro momento, deu gelo. Sentiu pena de si mesma…o fogo voltou a arder.
Logo se viram novamente e a amizade parecia mais forte e sólida que nunca. Afinal era madura, foi um engano mas, no fundo, tinha esperanças de um “estalo” da parte dele: de repente ela, a “best friend” seria a mulher virtuosa de sua vida.
Se produziu, roupa nova e salto alto. Cortou os cabelos. Queria seduzir, não sendo ela mesma. Ao mesmo tempo que se maquiava o desprezava, se aproximava com doçura, sentia abuso, amor e raiva ao mesmo tempo. Arquitetava sempre estar por perto, desejando imprimir nele os sentimentos que escolhera sozinha para ambos. Não queria ser mais a parceira mas, a princesa.
– “Para Deus nada é impossível!”, afirmava se auto sabotando.
Por que tanta insistência em querer transformar a amizade em namoro? Querer forçar os seus sentimentos no outro? Para ele, a situação era cômoda, só desejava ser o amigo de outrora. Era inabalável em sua posição nas inúmeras tentativas em relação ao assunto. Agia naturalmente. Ela, ainda abalada. Fingia uma amizade que a míngua ia sendo torturada pela paixão.
Partiu dela romper de vez com o amigo pretendente. Não seria esse… Optou em cortar relações, nem um “oi” sequer… Rompeu! Era tudo ou nada. Não queria permanecer naquela roda viva matando a cada anoitecer a esperança que ressurgia incansável no outro dia. Não deu cabimento a frustração. Dentro dela ficara marcas profundas que levaria consigo: a certeza de que a primícia da amizade seria a base de seus próximos relacionamentos.
Esta sim, seria sua decisão inabalável na balada do amor.
