Ainda me lembro da primeira vez que vi Carlo Acutis. Foi através de um banner em uma Igreja em Assis. Olhava para aquela imagem e pensava — confesso meu pecado de vaidade e soberba —: “O que um jovem-adolescente de 15 anos pode me ensinar sobre a santidade?” Eu estava muito enganado. Talvez porque, naquela época, ainda não existia a exortação do Papa Francisco Gaudete et Exsultate, que fala da santidade “ao pé da porta” (n. 7).
Carlo entrou desse modo na minha vida vocacional: Quando eu ainda era seminarista, tive a oportunidade de ir a Assis para um dia de retiro e oração. Não era turismo, a intenção era simplesmente rezar e meditar a vida de São Francisco, o santo do qual recebi também meu nome. Sempre me admirei com sua simplicidade, seu amor a Deus, sua oração profunda e sua radicalidade. Cada vez que lia sua vida ou assistia a filmes sobre ele, nascia em mim um forte desejo de santidade. Porém, naquele retiro, em sua cidade, lágrimas me vieram aos olhos ao pensar: “Como posso ser santo? Isso me parece impossível.”
De volta ao quarto, hospedado com um sacerdote amigo, desabafei, com lágrimas:
— Acho que não serei jamais santo. Não serei nunca como São Francisco…
E ele respondeu:
— Franco, você não precisa ser como São Francisco. Cada santo tem o seu modo de responder a Deus. Você precisa ser aquilo que Deus sonhou para você, cumprir a sua missão.
Depois, tentando me animar, recordou uma igreja que havíamos visitado:
— Olhe aquele menino que vimos no banner, no Santuário do Despojamento de São Francisco. Tão jovem, tão normal, da sua geração, que gostava de computadores e de comunicação como você. Ele está em processo de beatificação. Encontre o seu caminho de santidade.
Aquelas palavras, para um jovem seminarista, tiveram grande força. A imagem de Carlo Acutis me deu esperança.
Hoje, já sacerdote, na Praça de São Pedro, vi o Beato Carlo Acutis ser canonizado — ou seja, receber o reconhecimento de que nos precede no Céu. Lembrei-me, então, de uma obra do Beato Angélico chamada A Ciranda dos Santos, na qual os santos se dão as mãos e dançam em direção ao Céu. É uma espécie de procissão celeste. E senti o desejo de dizer: Obrigado Carlo, porque você pegou a minha mão! Senti uma promessa que se cumpria, uma lembrança dos desejos de santidade da minha juventude. E renovei, naquele momento, minha decisão por pegar a mão de Carlos também, para entrar nessa procissão do jeito que Deus quer.
Carlo entrou na minha história como um jovem millennial que me precedeu no Céu. Assis, para mim, tornou-se ainda mais especial: além de São Francisco, a quem tenho devoção e amor profundos, lá encontrei tantas vezes o corpo de Carlo Acutis. Diversas vezes fui vê-lo, esse jovem “santo de calça jeans”, expressão que marcou meus primeiros anos de conversão e que repeti tantas vezes na juventude.
Hoje, sinto-me parte dessa grande procissão para o Céu, não sozinho, mas junto dos muitos jovens que acompanho e represento no trabalho no Vaticano, na minha comunidade e no mundo inteiro. Como em uma dança celeste, quero dar as mãos ao meus santos amigos São Pedro, São Francisco, São João Paulo II, São Carlo Acutis e tantos outros. E assim, sem medo, entrar nessa procissão.
Agora, volto-me a ti, jovem: eu com eles estendo a minha mão, convidando-te a entrar nessa ciranda dos santos. Qual será a tua resposta?

