Formação

Na peregrinação da vida, você sabe caminhar com esperança?

A aurora pascal já desponta no horizonte e ainda há tempo de recomeçar com o coração cheio de esperança.

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Peregrinar nesta Quaresma não foi nada fácil, não é mesmo? Ao longo do percurso, nos deparamos com diversos desafios. Sentimos na carne os insistentes apelos das tentações que nos impeliam a desviar da rota. Sobre os ombros, carregamos a dor e o peso dos nossos fardos. O desânimo pode até ter batido à nossa porta. Apesar de tudo, o Papa nos convida à conversão à Esperança — à confiança em Deus e na sua grande promessa: a Vida Eterna.

Na peregrinação da vida, nosso olhar deve permanecer firme na grande meta: o Céu. Mesmo que venham as noites escuras, os ventos fortes, o calor escaldante ou as grandes tempestades, devemos caminhar juntos na Esperança dessa promessa.

Nesta jornada quaresmal, precisamos ter a certeza da vitória pascal. Como diz São Paulo: “A esperança não engana” (cf. Rm 5,5). É essa verdade que deve mover nosso coração a lutar.

Talvez, ao olharmos para o nosso interior, nos deparamos com fraquezas e pecados contra os quais já lutamos há muito tempo. Diante deles, parece que já não temos mais forças para vencê-los. Todavia, lembremo-nos: não estamos sozinhos. É o próprio Cristo que combate conosco.

Santo Agostinho nos lembra:

“Enquanto há vida, há esperança de conversão.”

Nesse caminho de retorno à casa do Pai, sofreremos muitas quedas. Mas a confiança em sua misericórdia deve nos impelir a sempre recomeçar e nunca desistir. Como diz o Papa Francisco: “Deus jamais se cansa de nos perdoar. Nós é que nos cansamos de pedir perdão.” Por isso, na Esperança de alcançarmos a Santidade, levantemo-nos uma, duas, mil vezes, se for preciso.

“Santo não é aquele que não cai, mas aquele que, mesmo caindo, não desiste de levantar.” (São João Paulo II)

Como já vimos, o processo de conversão exige de nós muita esperança, mas não apenas isso: requer também uma confiança cega em Deus. O caminho é dinâmico e cheio de irregularidades, mas devemos ter coragem de nos lançar, certos de que o Senhor tudo pode e estará sempre ao nosso lado.

O Papa Francisco, durante a Audiência Geral de 26 de abril de 2017, na Praça de São Pedro, falou sobre a mensagem de esperança e confiança que Jesus transmitiu aos discípulos de Emaús:

“Deus caminhará sempre conosco, sempre, mesmo nos momentos mais dolorosos, também nos momentos mais feios, também nos momentos de derrota: ali está o Senhor. E esta é a nossa esperança. Caminhamos adiante com esta esperança! Porque Ele está conosco e caminha conosco, sempre!”

Por vezes, diante da nossa jornada, o desespero pode tomar conta do nosso coração. O destino final parece distante; não conseguimos enxergar o que está por trás dos montes. O silêncio de Deus inquieta a nossa alma. Falta-nos paciência para esperar e confiar.

Podemos passar por momentos de profunda obscuridade, sem sinais extraordinários, visões ou consolações divinas. Deus parece estar em silêncio. Maria, a Mãe da Esperança, com sua vida nos ensina a esperar contra toda desesperança.

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Inácio Larrañaga descreve que, após a Anunciação e o nascimento de Jesus, os céus se calaram. Durante o longo período em Nazaré, Deus não se manifestava com milagres ou confirmações visíveis. Maria teve que viver apenas da fé, sustentando-se na esperança de uma promessa.

Ela viu Jesus crescer como um jovem comum, sem indícios de glória ou poder divino. Em sua humildade e silêncio, Maria permaneceu firme, confiando em Deus mesmo quando tudo ao seu redor parecia apenas ordinário. Foi uma espera silenciosa, dolorosa e perseverante — um verdadeiro martírio da fé.

Um outro ponto sobre o qual devemos refletir é: como parte de um povo que caminha junto rumo ao Céu, tenho tido esperança na santidade dos meus irmãos? Corremos, infelizmente, o grande risco de julgar aqueles que parecem desviar da rota. Ao invés de estender a mão aos que estão caídos, muitas vezes somos indiferentes e desacreditamos do seu processo de conversão.

Não deixemos nossos irmãos à beira do caminho, feridos e sem forças. Como o Bom Samaritano, olhemos com esperança, ternura e misericórdia. Aproximemo-nos para amar e cuidar — sem pressa por resultados —, mas com fé de que o Senhor pode fazer daquele irmão um grande santo.

A Quaresma está quase no fim, mas ainda há tempo para recomeçar. Não deixe que as feridas e cansaço te façam perder a Esperança de, com Cristo, Ressuscitar. Eis o tempo da graça!


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