Eu sou Lilian Patrí
Meu testemunho de vida nasce do reconhecimento do amor e da fidelidade de Deus para comigo. Amor que foi se manifestando ao longo da minha história de forma incomparável, irrevogável, santo, puro e eterno.
Nascida em família tradicionalmente católica, filha de pais maravilhosos que me deram referências de tudo a partir de sua própria vida, sou a terceira de quatro irmãs. Tive a oportunidade de estudar em uma escola Salesiana da qual trago boas lembranças e muitos valores.
Aos quatorze anos tive a minha primeira experiência com Jesus através do Seminário de Vida no Espírito Santo, promovido no Renascer, retiro de Carnaval promovido pela Comunidade Shalom em algumas cidades do Brasil. Muitas coisas me marcaram nesse encontro, mas sem dúvidas, o momento mais forte para mim, foi a Confissão que fiz logo após a pregação sobre o amor de Deus. Após algumas horas na fila, diante do sacerdote eu só conseguia chorar, lembrava-me das muitas vezes em que havia ido dormir com um vazio tão grande dentro de mim, onde eu dizia que não entendia para que havia nascido, não me sentia amada, mesmo tendo a família que todos os meus amigos gostariam de ter, era insatisfeita comigo mesma, com o que eu fazia!
Muitas coisas ainda vinham a minha mente, quando o padre viu que eu não conseguiria falar, impôs as mãos sobre minha cabeça e fez uma oração simples, mas que escutei com atenção: “Minha filha, não importa o que você fez, a partir de agora, vai e anuncia este grande amor que você está sentindo a todos os que precisam saber que são amados!”
Em outras palavras, diante de mim estava Aquele que me amava e me conhecia profundamente, que me convencia do quanto eu era amada e desejada por Ele desde sempre. Essa experiência foi transformando toda a minha vida, fui mudando meus hábitos, pequenas escolhas, tipo de músicas que escutava, programas que assistia, lugares que antes gostava de frequentar. Passei a participar da Obra Shalom, dos grupos de oração, dos serviços, formações, dos eventos promovidos no PJJ.
O Senhor passou a exercer sobre mim uma forte atração. Nada me era imposto, posso dizer que sempre fiz o que quis, tudo era uma forma de retribuir todo o amor que eu havia recebido de Deus.
Tendo minha vida e juventude alcançada por esse amor tão grande, vi crescer dentro de mim um forte compromisso com Deus através da oração e com as pessoas através da evangelização. Percebi que o Senhor me chamava a algo mais, descobri que Ele tinha planos para mim e buscá-los tornou-se a grande meta da minha vida. Todos os outros planos que eu tinha não deixaram de existir, mas não eram mais fortes do que o desejo de fazer a vontade de Deus e não a minha.
Trazia em meu coração a convicção de que Deus me queria para Ele, mesmo sendo tão jovem e não tendo muitas certezas humanas. Tendo feito vestibular para Psicologia e Serviço Social, também pedi ingresso na Comunidade de Vida Shalom. Em 2001, aos 18 anos, ingressei na Comunidade de Vida e fui enviada em missão para a cidade de Natal- RN.
Vejo que o Senhor foi me concedendo um desejo cada vez mais forte de amá-Lo, de em tudo buscar a vontade e os interesses Dele. Vi que é possível viver isso em um caminho de oferta de vida, escolhi viver para Ele e não mais para mim. Essa é uma luta diária, constante, onde provo de um amor que em tudo é mais forte do que eu.
Depois de cinco anos de vida comunitária e de missão, percebi que Deus me chamava a algo mais. Mais uma vez era preciso dedicar-me a oração, a escuta da voz de Deus e com confiança deixar-me conduzir. Acreditamos que o Matrimônio ou o Celibato para o Reino dos Céus diz respeito à forma de como somos chamados a amar e servir mais a Deus e aos outros.
Fui descobrindo em Deus a capacidade de amar como um grande dom. Vi muitas mentalidades do mundo que ainda existiam dentro de mim, ideias erradas sobre o amor, liberdade, relacionamentos, feridas e pecados… Mais uma vez o Senhor foi se revelando a mim, convencendo-me do Seu amor apaixonado.
Trilhando esse caminho de discernimento da vontade de Deus, lembro-me de uma experiência de oração decisiva para mim. Estávamos no retiro de Semana Santa de 2006, contemplando a via sacra na sexta-feira, onde celebramos a Paixão de Cristo. Infelizmente ou felizmente, não conseguimos muito traduzir com palavras o que são verdadeiras graças da experiência de Deus.
O que posso dizer é que naquele dia, contemplando o mistério da Cruz de Cristo, eu me vi olhada e amada pelo Senhor de uma forma incomparável, a certeza de ser amada me devolvia a mim mesma, meu coração poderia ali descansar depois de tantas buscas, desejei que a primeira e a última palavra da minha vida fosse um sim Àquele amor que estava ali, na Cruz, diante de mim.
“Eu te beijo Senhor, e a tua paixão é o meu tudo. És meu tudo, Jesus, Amado de minha alma! ”
Fui convencida de um amor sem igual, desde então não olhei mais para a Cruz da mesma forma, esta tornou-se sinal de um amor apaixonado. Sim, apaixonado! Eu também gostaria de viver e ser sempre apaixonada por Deus! Eu não gostaria de perder mais tempo diante do que é eterno, nem ficar mais tentando calcular o que é sem medidas!
Neste mesmo ano, com 23 anos, fiz minha primeira promessa no Celibato pelo Reino dos Céus. Durante seis anos renovei essa promessa diante de Deus e da Comunidade, experimentando a cada dia da força dessa eleição que é desde sempre e para sempre. Como toda escolha supõe renúncia, estas foram ao longo desses anos dando sempre sentido a escolha feita. Vieram os apaixonamentos, a oferta de constituir uma família e da maternidade biológica, enfim, a oferta é sempre viva e bela.
Hoje, aos 30 anos, tendo professado com a graça de Deus os votos perpétuos no Celibato, posso testemunhar que sou chamada a amar até o fim, conheço a cada dia um amor que não me permite desistir das pessoas, pois é desta forma que eu sou amada. Amor que me enche de esperança e me faz anunciar a vida que só Deus tem para nos dar.
É incrível como o coração me parece grande quando considero todos os tesouros da terra, pois vejo que nem todos estes tesouros reunidos poderiam saciá-lo! Mas quando considero Jesus, como me parece pequeno este mesmo coração! Como quero amá-lo!… Amá-lo mais do que quanto tenha sido jamais amado!
(Santa Teresinha)
Lílian Patrício