Quando eu era criança, o primeiro sonho da minha vida era ser jogador de futebol. Eu era fã do Ronaldinho Gaúcho e tinha certeza que um dia eu ia ser um jogador tão bom como ele. Essa foi a primeira vez que eu coloquei a minha felicidade no depois.
Não me leve a mal. Eu não estou dizendo que eu era infeliz. Eu era só uma criança inocente, ingênua, cheia de sonhos e feliz! Porém, sempre parecia que a minha felicidade só ia ser completa quando eu fosse jogador de futebol. Lembro bem de um dia que um pensamento passou pela minha cabeça dizendo: “eu realmente espero me tornar jogador de futebol, ou serei muito frustrado”.
Meus sonhos, felizes sonhos
Além deste, outros planos e desejos levavam a minha felicidade para o depois. Casamento, trabalho, dinheiro. Todos esses sonhos eram belos e justos, mas a felicidade estava lá, no depois, nunca no agora.
Certo dia, me cansei de ser feliz no futuro, queria ser agora, hoje! Então, fui “feliz”! Iniciei uma aventura louca em busca da felicidade, procurava por ela em amizades, relacionamentos, festas, bebidas e prazeres. A felicidade nunca estava lá. Esse momento, que você deixa de esperar pela felicidade e passa a buscá-la é delicado. Se você não procurar no lugar certo, você não vai encontrar.
E quando você procura a felicidade e não a encontra, você passa a pensar que a vida é só isso mesmo: lampejos de alegrias que surgem nos intervalos da vida vazia. Você se acostuma à uma vida medíocre, onde pensa que ser feliz é impossível e já que nada faz sentido mesmo, leva a vida num eterno piloto automático. Era assim que eu estava em Dezembro de 2014.
Um convite
Nesse mesmo mês, um rapaz que estudava comigo me enviou um convite para o Acampamento de Jovens da Comunidade Católica Shalom. Eu achava esse cara bem legal, tinha vontade de ser amigo dele, e gostei do convite. Aceitei e fui.
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Meu nome é Antônio Ailon de Sousa Tonhá, sou natural de Teresina e desde 2015 faço parte da Obra Shalom. Atualmente, sirvo no pastoreio e virei pai de 34 jovens em Janeiro de 2023. Mas, antes de falar desse janeiro, me permita falar de janeiro de 2015.
No dia 11 de janeiro de 2015 eu descobri que a felicidade existe e está presente no agora. Esse dia é apenas um marco, pois durante todos os dias do meu acampamento, eu ia descobrindo a possibilidade e a realidade que é ser feliz.
O Acamp’s de 2015, foi o meu primeiro acampamento e desde então, apesar das dores, dificuldades e problemas da vida, eu fui feliz, eu sou feliz e sei que em Deus todas as coisas se resolvem e se ajustam. O Acampamento de Jovens me mostrou que a felicidade não é uma meta a ser alcançada no futuro, é uma graça dada por Deus, um presente para hoje que todos os dias pode ser vivido, porque, na verdade, a felicidade é o próprio Cristo.
Vocação: ser plenamente feliz
Desde aquele Acamp’s, participei de outros 10 Acampamentos e em todos, pude me recordar que a verdadeira alegria vem de Deus e nada pode roubá-la. Santa Teresinha nos diz que a vocação é o Amor, e eu, ouso aproveitar a sua frase para dizer: A minha vocação é a Felicidade em Cristo. Foi para isso que Deus me criou.
Além da oportunidade de conhecer Deus e descobrir que posso e mereço ser feliz, o Acampamento me mostrou a alegria do serviço, me mostrou que existe mais alegria em dar, do que em receber. Em 11 acampamentos, já pude servir em diversas equipes. Estrutura, lazer, apoio, comissão, além de bicos nas mais diversas áreas. Arrisco dizer que apenas as áreas que exigem um talento natural como dança e música nunca me viram por lá.
Deus me vê
Em todos esses anos, o serviço me ensinou que não existe ninguém que não possa ter a sua utilidade potencializada por Deus. Depois que perdi a oportunidade de ser jogador de futebol, muitas vezes me senti inútil por não alcançar um objetivo que queria tanto. O serviço foi uma das ferramentas usadas por Deus para me mostrar cada talento que ele me deu, e principalmente, que cada talento pode ser potencializado pela graça de Deus. Na verdade, como diz Santa Teresinha, sem Amor (ou seja, sem Deus) todas as obras são inúteis, até as mais grandiosas.
Não é por acaso que Santa Teresinha foi citada duas vezes nesse testemunho. No meu último serviço, recebi o convite para ser pai de família e pai da família Lisieux, a família apadrinhada por Santa Teresinha. Nesse serviço, a Santa de Lisieux me deu não uma rosa, mas 34 rosas. Cada um daqueles jovens que eu pude tocar em suas particularidades, experiências, qualidades, medos foi um verdadeiro presente de Deus.
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Eu penso que cada jovem é uma potência que se bem direcionada pode ser um ponto de mudança para um mundo melhor. É como diz Santa Catarina de Sena, “jovens, se forem aquilo que Deus quer, colocareis fogo no mundo”. A verdadeira potencialidade, a verdadeira alegria, o verdadeiro sentido de vida está em Deus. Era isso. Era só isso que eu queria passar para eles. Sejam aquilo que Deus quer, sejam jovens, sejam vocês mesmos, sejam santos, sejam verdadeiramente felizes.
Ailon de Sousa Tonhá
Obra Shalom
Missão Teresina

