Sou Allan Davidson, Consagrado na Comunidade de Aliança, caminhando para as Promessas Definitivas, tenho 29 anos e fiz meu primeiro voto no ano de 2014.
Começo com um grande sinal de que Deus me criou para Ele e para ser todo Dele: Sofro de asma e aos 10 anos, tive uma crise muito forte, onde perdi os sentidos, desmaiei, meu corpo esfriou, fiquei sem pulso, não reagia… (morri), meu irmão que na época não era engajado (hoje ele também é consagrado), mas estava fazendo a leitura da bíblia, e colocou a mão sobre mim e rezou, pedindo a Deus que me trouxesse a vida de volta e que procuraria um grupo e entraria na igreja, aos poucos fui retornando e voltei. Esse fato me faz entender o chamado de Deu a uma vida consagrada. Porque não morri? Tantas crianças/jovens morrem cedo, porque não fui um desses e hoje estaria apenas nas estatísticas? Porque Deus me trouxe de volta?
Desde que fiz meu seminário de Vida no Espírito Santo, com 13 anos, carregava dentro de mim um desejo de ofertar tudo, de entregar tudo, de ser todo de Deus, de me dedicar a Ele de forma exclusiva, porém não tinha clareza de como, não sabia dar nome, nem onde seria. Entrei de cabeça na Comunidade Shalom e em 2006, ingressei na comunidade de aliança.
Enfim tinha encontrado o meu lugar, muito feliz, muitas descobertas, mas lá no fundo não me sentia ainda todo entregue, faltava algo…lá no fundo sabia que era o estado de vida, porem já despertava dentro de mim também muitos preconceitos machistas, julgamentos sobre o celibato e sobre os celibatários, pois é, eu tecia muitos comentários negativos, exagerados, deformados sobre o celibato. Mas já sabia que esse era meu chamado, porém fugia de todas as formas e essa era a minha forma de me defender.
No meu Discipulado iniciei dois processos de discernimento: caminhada para um namoro e para ir em missão. Acreditava com toda força que o que eu sentia falta era de uma namorada, durante a minha caminhada
Namorei 1 ano e 9 meses, foi um tempo muito importante, fecundo, necessário, frutuoso…porém…porém…porém… Continuava faltando algo, achei que seria ser comunidade de vida, mas logo vi que não. Gostava muito da minha namorada, muito mesmo, mas eu não conseguia colocá-la acima e nem na frente das outras coisas, gostava dela, gostava dos jovens, gostava da missão e no fundo queria só a Deus, mas não queria e nem aceitava, queria estar com ela, mas queria estar com todos também, amar todos sem distinção, acolher todos, disponível a todos, sem reservas, sem exclusividade.
Pense numa decisão difícil, depois de muita reza e conversa terminei o namoro, chorei feito um condenado, pensei que fosse morrer, tinha medo de ter tomado uma decisão errada. Durante o meu tempo de missão dentro de mim misteriosamente novamente a possibilidade do celibato nascia, bem fraca, mas nascia. O desejo de ser solteiro dentro de mim ia se perdendo, porque comecei a ver que era motivado por pensamentos mundanos e vi que não seria tão simples e fácil como achava. Lembro que comecei a procurar conhecer mais o celibato, lendo textos, livros, etc..
Deus foi me convencendo, me conquistando palmo a palmo, em partilha com meu irmão entediamos que o matrimônio dele gerava uma nova geração biológica na família quebrando as maldições humanas e o meu celibato as maldições espirituais, o celibato me reconciliava com o céu, realidade até então muito difícil de ser compreendida por mim. Fui ao retiro dos candidatos e a cada pregação eu me identificava mais, mas claro com grandes desafios, repudiava muitas coisas, mas ao mesmo tempo amava e queria, lembro de uma pergunta que eu fiz: Senhor porque eu? Porque com 25 anos? Porque tenho que ser o primeiro homem? Vou olhar para quem? Pedir ajuda a quem? E o meu sonho de ser pai? Entendi que não devia perguntar nada, mas silenciar e viver. Pouco a pouco tive e vou tendo as respostas. Deus responde mesmo!
Em 2014, depois de lutar tanto contra o celibato, finalmente assumia a minha identidade, quando na missa, durante a ação de graças, eu disse: Vosso sou, pois me criastes, vosso porque me remistes, vosso porque me atraístes, completo, possuído, preenchido do que tanto busquei, foi a hora de dizer hoje sou: Allan, Filho de Deus, Shalom, Celibatário.
Próximo ano quando fizer meu quarto voto ao celibato, já posso iniciar o meu caminho para os votos perpétuos.
A vocês jovens, o meu tudo!
“NÃO TENHAIS MEDO! DEIXEM-SE PODAR POR MIM, NÃO TENHAIS MEDO! SOU EU QUE VENHO TOMAR DE VÓS, PARA DAR A HUMANIDADE AQUILO QUE DEI A VÓS. ”

Valeu, Allan, testemunho belíssimo!!! SEu celibato é fecundíssimo!!!
Lindo testemunhooooo! Parabens pela a coragem me indetifiquei com sua historia.