Muitas vezes ao final do dia, seja depois de uma rotina de trabalho, seja num dia totalmente ocioso, meu coração já se encontrava inquieto com o dia seguinte. A noite gerava em mim sentimentos de medo e incerteza, simplesmente por não ter nas mãos o controle do que eu poderia viver quando o sol nascesse novamente.
Também por isso, eu vivia de pôr do sol ao nascer do sol em busca da felicidade, sem saber de fato aonde encontrá-la. Ao passar na porta de alguma Igreja, de forma despretensiosa tinha o costume de fazer o sinal da Cruz e, observando aquela Cruz ou a imagem do Santo Padroeiro do Templo, eu jamais imaginaria que o meu projeto de vida estaria fixado ali. A busca pelo Céu e pela felicidade. Mas como imaginar a felicidade diante de uma Cruz? Para mim era impossível, logo eu que buscava uma vida tranquila, não queria ter que passar pela porta estreita.
Olhando para a ressurreição de Cristo, onde ele se coloca em meio dos discípulos que tanto sofreram com as noites de luto, posso enxergar que as madrugadas que vivi em meio à escuridão não foram em vão. Era ali que começava também, diante dos questionamentos e da busca pela felicidade, a minha ressurreição. Assim como os discípulos que correram em direção ao túmulo, minha vida também se inclinou a esse mistério em busca de um novo amanhecer, de um novo dia.
Por graça de Deus, a Comunidade Shalom é fundamentada nessa experiência: Cruz e Ressurreição. Através de um Seminário de Vida, o Shalom do Pai veio até mim e me fez tocar em uma nova experiência com o amanhecer. Não mais aquele que me trazia medo e insegurança, por não saber o que seria da minha vida, mas um novo amanhecer que trazia a alegria de não mais correr em vão, de entender que a minha felicidade estava no silenciar para ouvir o Cristo que reina, que vive e que também me quer vivo para anunciar os seus feitos. As noites podem até nos trazer o medo, mas é no amanhecer que a Esperança da Ressurreição se renova em nós!
Filipe Diniz
Missão Teresina
