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O Amor de Deus não deixa lacunas

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lydianeCostumava dizer que minha vida parecia mais roteiro de novela mexicana. Depois que participei do retiro Curados para Amar percebi que, longe disso, minha vida é uma bela história do Amor e da Providência Divina.  Quando fui gerada, meus pais eram apenas namorados, chegaram a noivar, mas não se casaram. Nos primeiros 12 anos da minha vida, sequer era registrada no nome do meu pai, apenas tive poucas visitas dele ainda quando eu era criança.

Quando eu tinha um ano, minha mãe se casou com meu padrasto, que foi e é um super pai para mim. Lembro que aos sete anos, quando me perguntaram se eu queria procurar meu pai de “sangue” e mudar o sobrenome, eu disse que não. Questionava que se o problema era o “sangue”, por que eu não podia tirar todo o meu sangue e colocar o do meu padrasto para termos o mesmo sangue? Criança realmente é inocente… Aos 12 anos, fiz o teste de DNA, meu pai biológico entrou na justiça para me assumir. Nossa relação dali em diante passou a ser somente sobre a pensão alimentícia, e eu achava que era assim mesmo que devia ser, afinal ele não tinha me assumido e me “devia” isso. Grande mentira que eu contava a mim mesma.

“Lembro que aos sete anos, quando me perguntaram se eu queria procurar meu pai de ‘sangue’ e mudar o sobrenome, eu disse que não. Questionava que se o problema era o ‘sangue’, por que eu não podia tirar todo o meu sangue e colocar o do meu padrasto para termos o mesmo sangue?”

Prestes a completar 22 anos, eu conseguia perceber que muito da minha personalidade, medos, aflições, refletiam essa falta de entendimento dessa parte da minha vida, que define quem eu sou. Durante o Curados para Amar, eu questionava mais ainda a Deus porque eu nasci assim, porque o Senhor permitiu que eu nascesse na situação de pecado dos meus pais (que não eram casados). Foi quando Ele repetiu mais de três vezes pela boca da minha acompanhadora para que eu nunca mais esquecesse: “Eu te quis, Eu te quis,  Eu te quis”.

Naquele momento, o Amor de Deus me bastou, Ele me quis. Ele sonhou comigo. Ele poderia ter impedido meu nascimento naquela situação, mas Ele me quis. Ali, eu senti o Amor que envolve a minha vida. Um amor providente, que percebendo que seja pela pouca idade ou quaisquer que foram os motivos pelo qual meu pai na época não me assumiu, Deus sabia que eu precisava de um pai, sabia o quanto eu necessitava da figura paterna em minha vida e por isso providenciou a chegada do meu padrasto. A partir dessa revelação, Deus me fez enxergar com a ajuda da minha acompanhadora que o Amor Dele não deixa lacunas. Onde eu poderia estar só, Ele providenciou alguém para cuidar de mim, para me amar, e faz isso até hoje!

O Amor foi curando com Amor todas as minhas feridas com relação à paternidade. Fui compreendendo meu pai e senti por Ele um forte amor. Descobri com Deus que o simples fato de ele ser meu pai já é motivo para eu amá-lo muito. Isso para mim foi surpresa, já que dizia que não podia amar alguém com quem nunca havia convivido.

Nesse Dia dos Pais, Deus me chamava a fazer algo concreto, para transbordar esse Amor que Ele me deu e que eu sentia gratuitamente. Liguei para meu pai e pela primeira vez chamei meu pai biológico de pai e lhe disse que o amava. Tivemos uma das melhores conversas dos meus 21 anos e recebi, ao final da ligação, um “eu também”, em resposta ao meu “amo você”. Consegui experimentar que na paternidade eu fui curada para Amar. Obrigada, meu bom Deus!

 

Lydiana Caroline Rossetti Orso

Vocacionada  – Missão do Shalom em Florianópolis

 


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