Formação

O amor e a aliança com Cristo Jesus

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Tarcisio Vinicius

Somos chamados a viver o tempo da aliança. O homem e a mulher são chamados a construir, em seu dia-a-dia, uma verdadeira aliança de amor. Para compreender a beleza e a profundidade desta aliança de amor, veremos juntos um pouco das maravilhas que Deus realizou na humanidade através desta aliança.

A história de amor entre Deus e o homem é narrada pela bíblia como o desenvolvimento e a atualização de uma aliança que Deus propõe à humanidade. Esta proposta de aliança tem uma longa história que se perde na noite dos tempos. Lembremos certamente da narração do dilúvio universal, do qual se salvaram só os que estavam na arca? Então da destruição geral surge uma criação renovada, com a qual Deus estabelece a Sua aliança:

“Deus disse a Noé e a seus filhos: Eu estabeleço a minha aliança convosco e com todos os animais que vos acompanham…; nada mais será destruído pelas águas do dilúvio e nunca mais haverá dilúvio para devastar a terra” (Gn 9, 8-9. 11).

E as palavras de Deus são acompanhadas por um sinal que todos poderão reconhecer, o sinal do arco-íris:

“Quando Eu reunir as nuvens sobre a terra e o arco-íris aparecer nas nuvens, lembrar-me-ei da minha aliança convosco e com todos os seres vivos… Quando o arco-íris estiver nas nuvens, Eu vê-lo-ei e lembrar-me-ei da aliança eterna: aliança de Deus com todos os seres vivos e com tudo o que vivo sobre a terra” (Gn 9, 14-16).

A partir desta aliança, Deus permanece fiel à sua palavra, renovando esta aliança nos momentos mais significativos da história:

– Quando chama Abraão para que seja pai de uma multidão de povos: “Vou fazer uma aliança entre eu e você e multiplicarei sem medida… Vou estabelecer a minha aliança entre eu e você, como aliança eterna. Serei o teu Deus e o Deus da tua descendência (Gn 17, 2.7) e o sinal será a circuncisão”.

– Quando escolhe Davi como mediador entre Si e o povo: “Selei a minha aliança com o meu eleito, jurando ao meu servo Davi:“ Vou estabelecer a tua descendência para sempre e, de geração em geração, vou construir um trono para ti… Para sempre vou manter com ele o meu amor e a minha aliança com ele será firme… Jamais violarei a minha aliança, nem mudarei as minhas promessas” (Sl 89, 4-5 . 29.35): “o sinal será a continuidade da descendência, até Jesus de Nazaré, que nascerá da estirpe de Davi".

E precisamente em Cristo Jesus que a aliança entre Deus e o homem encontra a sua plenitude, cumprindo a promessa de Deus e a esperança do homem. De fato, em Jesus realiza-se a nova e eterna aliança, quem tem como sinal e selo o sangue derramado na cruz pelo Filho de Deus. O apóstolo Paulo recorda-o deste modo aos cristãos de Corinto:

“Na noite em que foi entregue, o Senhor Jesus tomou o pão e depois de dar graças, partiu-o e disse: Isto é o meu corpo que será entregue por vós; fazei isso em memória de mim. Do mesmo modo, depois da ceia, tomou também o cálice, dizendo: Este cálice é a Nova Aliança no meu sangue; todas as vezes que beberdes dele, fazei-o em memória de mim” (1 Cor 11, 13-25).

Olhando para a cruz, nós, os cristãos, compreendemos o que significa amar a sério. Se chamamos “Deus” ao nosso Deus, não é como exagero, mas apenas para balbuciar o pouco que podemos compreender de Deus. Jesus dá o seu corpo e derrama o seu sangue por todos: a medida do seu amor consiste em dar a sua vida.

Diante da profundidade e a seriedade do amor de Deus, está o amor do homem e da mulher, que são chamados a se tornarem sinal desse grande amor. Não será exagerado interpretar o amor humano à luz dos grandes gestos que a bíblia nos propõe para nos fazer compreender o amor de Deus? Não será pura utopia comparar o amor divino com humano? Não será irreal comparar a simplicidade e por vezes as limitações e a pobreza da relação entre homem e mulher, à grandeza das manifestações da benevolência de Deus para com a humanidade?

Deus, revelando-se ao homem, abre-lhe horizontes inigualáveis para o espírito humano e chama-o a participar na sua própria vida, que é essencialmente uma vida de comunhão no amor. E então não nos devemos admirar que Deus insira o amor entre homem e a mulher no circuito do seu amor, elevando-o a sinal capaz de manifestar e de atualizar o próprio amor de Deus pelo homem e em particular de Cristo pela sua Igreja.

No amor entre um homem e uma mulher se desenvolve e se constrói progressivamente esta riqueza de significado e esta capacidade de um dia se tornar uma manifestação plena da aliança entre Deus e a humanidade. O encontro entre o homem e a mulher deve conduzir ao conhecimento mútuo e a uma comunicação cada vez mais infinita, é um lento aperfeiçoamento de uma aliança, que poderá ter a sua consagração plena se chegar á decisão de partilhar a vossa vida de modo total e definitivo.

Para que a aliança entre um homem e uma mulher se torne imagem da grande aliança divina, deve assumir as características da totalidade, da fidelidade, de um compromisso definitivo. É um projeto exultante que deve se realizar na simplicidade dos encontros, do diálogo, das aspirações e dos compromissos. Não parece demasiado alta e difícil à meta a atingir. Ao lado destes casais, existe muitos outros que vivem esta busca com entusiasmo; ao lado está Deus que apóia a caminhada, pois deseja pôr na história dos homens muitos sinais visíveis e concretos da sua aliança com a Humanidade.


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