Formação

O Apostolado de Evangelização e Santificação dos Homens

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A obra redentora de Cristo, que consiste essencialmentena salvação dos homens, inclui também a instauração da ordem temporal.Portanto, a missão da Igreja não consiste só em levar aos homens a mensagem deCristo e sua graça, senão também em penetrar do espírito evangélico asrealidades temporais e aperfeiçoá-las. Assim os leigos, ao realizarem essamissão da Igreja, exercem o apostolado tanto na Igreja quanto no mundo, tantona ordem espiritual quanto na temporal: ordens que, embora distintas, de tal formase acham entrosadas num único plano de Deus, que o próprio Deus desejareassumir em Cristo o mundo todo para formar uma nova criatura, de maneiraincoativa, nesta terra e levando-a à plenitude no último dia. O leigo, que é aomesmo tempo membro da Igreja e da sociedade civil, deve conduzir-se firmementenesses dois setores por uma única consciência cristã.

 É missão da Igreja salvar os homens pela fé em Cristo epor Sua graça. Por isso o apostolado da Igreja, e de todos os seus membros, seorienta antes de mais nada para a manifestação da mensagem de Cristo ao mundopor palavras e por atos, como também para a comunicação de Sua graça. Isto serealiza principalmente pelo ministério da palavra e dos sacramentos, confiadoespecialmente ao clero, mas no qual também os leigos têm a realizar um papel degrande importância, para se fazerem “cooperadores da verdade” (3 Jo 8). Nestalinha sobretudo completam-se mutuamente o apostolado dos leigos e o ministériopastoral.

Abrem-se aos leigos inúmeras ocasiões de exercerem oapostolado da evangelização e santificação. O próprio testemunho da vida cristãe as boas obras feitas em espírito sobrenatural possuem a força de atraírem oshomens para a fé e para Deus. Pois diz o Senhor: “Brilhe vossa luz de tal formadiante dos homens, que vejam vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que estános céus”. (Mt 5,16).

Tal apostolado no entanto não consiste apenas no testemunhoda vida. O verdadeiro apóstolo procura ocasiões para anunciar Cristo compalavras, seja aos que não crêem para trazê-los à fé, seja aos fiéis parainstruí-los, confirmá-los e despertá-los para uma vida mais fervorosa: “pois acaridade nos impele” (2Cor 5,14). No coração de todos hão de ressoar aquelaspalavras do Apóstolo: “Ai de mim, se não evangelizar” (1Cor 9,16).1

Aparecendo na nossa época novos problemas e grassandogravíssimos erros que ameaçam inverter profundamente a religião, a ordem morale a própria sociedade humana, este S. Sínodo exorta de coração todos os leigos,conforme a capacidade intelectual e a formação de cada qual, que, segundo a menteda igreja, assumam mais conscienciosamente as suas responsabilidades noaprofundamento dos princípios cristãos, na sua defesa e na adequada aplicaçãodos mesmos aos problemas de nossa época.

 Reforma Cristã da Ordem Temporal

É porém plano de Deus acerca do mundo que os homens, emespírito de concórdia, construam a ordem temporal e sem cessar a aperfeiçoem.

Todas as realidades que constituem a ordem temporal, comosejam os bens da vida e da família, a cultura, economia, artes e profissões,instituições políticas, relações internacionais e outros assuntos deste teor,junto com a evolução e o progresso deles, não constituem apenas subsídios parao fim último do homem, mas possuem valor próprio por Deus nelas colocado, sejaquando consideradas em si mesmas, seja como partes de toda uma ordem temporal:“e viu Deus que tudo quanto realizara era mesmo bom” (Gn 1,31). Esta bondadenatural das coisas recebe uma dignidade especial a partir de sua relação com apessoa humana, a serviço da qual elas foram criadas. Finalmente, aprouve a Deusreunir todas as coisas, tanto as naturais como as sobrenaturais, num todo emCristo Jesus, “para que Ele obtivesse o primado em tudo” (Col. 1,18). Noentanto, este destino não só não priva a ordem temporal de sua autonomia, deseus fins próprios, leis, subsídios, importância para o bem dos homens, masantes a aperfeiçoa em sua expressão e eficácia própria e ao mesmo tempo aequaciona com a vocação integral do homem sobre a terra.

Ao longo da História, o uso das coisas temporais estevealiado a graves erros, porque os homens, atingidos pela culpa original,deslizaram muitas vezes para inúmeros erros acerca do Deus verdadeiro, danatureza do homem e dos princípios da lei moral: daí veio que se corrompessemos costumes e as instituições humanas e, não raro, que a pessoa humana fosseoprimida. Também em nossos dias, não poucos, confiando mais do que é justo noprogresso das ciências naturais e da técnica, se desencaminham para uma espéciede idolatria das coisas temporais, tornando-se antes servos delas do quesenhores.

É tarefa de toda a Igreja colimar este objetivo, a saber,capacitar os homens para instruírem com retidão a ordem universal das coisastemporais e para orientá-la por Cristo a Deus. Aos pastores compete enunciarclaramente os princípios acerca do fim da criação e do uso do mundo, prestarassistência moral e espiritual, para renovar-se em Cristo a ordem das coisastemporais.

Faz-se porém mister que os leigos assumam a renovação daordem temporal como sua função própria e nela operem de maneira direta edefinida, guiados pela luz do Evangelho e pela mente da Igreja, e levados pelacaridade cristã. Cooperem como cidadãos com os cidadãos, com sua competênciaespecífica e responsabilidade própria. Procurem por toda a parte e em tudo ajustiça do reino de Deus. De tal sorte deve ser reformada a ordem temporal,que, conservando-se integralmente suas leis próprias, se conforme aosprincípios mais altos da vida cristã e se adapte às condições diferentes doslugares, tempos e povos. Entre as obras deste tipo de apostolado sobressai aação social cristã a qual deseja o S. Sínodo se estenda hoje a todo o setortemporal, também ao da cultura.2

Ação Caritativa, Segredo do Apostolado Cristão

 Enquanto todo o exercício do apostolado deve buscar suaorigem e força na caridade, algumas obras são por sua natureza aptas aconverter-se em expressão viva da mesma caridade, obras essas que o CristoSenhor quis fossem sinais de sua missão messiânica (cf. Mt 11,4-5).

O maior mandamento da lei é amar a Deus de todo o coração eao próximo como a si mesmo 9cf. Mt 22, 37-40). Este mandamento da caridade paracom o próximo, Cristo o fez Seu e o enriqueceu com novo significado, querendoser Ele próprio, identificado com os irmãos, objeto desta caridade, ao afirmar:“na medida em que o fizestes a um dentre esses meus irmãos mais pequeninos amim o fizestes” (Mt 25,40). Pois Ele, ao assumir a natureza humana, uniu a sinuma família todo o gênero humano por uma espécie de solidariedadesobrenatural, e constituiu como sinal de seus discípulos a caridade, por estaspalavras: “Nisto reconhecerão todos que sois discípulos meus, se tiverdes amoruns para com os outros” (Jo 13,35).

A Santa Igreja, por sua vez, como em seus primórdios uniu oágape à Ceia Eucarística e se manifestou toda unida em torno de Cristo pelacaridade, assim em todos os tempos é reconhecida através deste sinal do amor.Embora se alegre com as iniciativas dos outros, reivindica as obras caridadecomo dever seu e direito inalienável. Por isso a misericórdia para com ospobres e doentes e as assim chamadas obras de caridade e de auxílio mútuo, paraaliviar as onimodas necessidades humanas, são tidas pela Igreja em estimaparticular.3

Em nosso tempo, tais atividades e oras se tornaram muitomais urgentes e universais, já que os meios de comunicação se fizeram maisrápidos, vencendo-se de alguma forma a distância entre os homens etransformando-se os cidadãos do mundo todo como que em membros de uma sófamília. A ação caritativa, nos dias de hoje, praticamente pode e deve atingirtodos os homens e todas as suas necessidades. Onde quer que haja alguém quecarece de comida e bebida, de roupa, casa, medicamentos, trabalho, instrução,de condições necessárias para uma vida realmente humana, que esteja atormentadopelas tribulações ou doença, que sofra exílio ou prisão, aí a caridade cristãdeve procurá-lo e descobri-lo , aliviá-lo com carinhosa assistência e ajudá-locom auxílios oportunos. Esta obrigação impõe-se, em primeiro lugar, aos homense aos povos cercados de prosperidade.4

Para que o exercício desta caridade esteja acima de qualquercrítica e se apresente como tal: olhe-se no próximo a imagem de Deus, segundo aqual foi criado, e o Cristo Senhor, a quem na realidade se oferece o que é dadoao indigente; respeite-se com a maior delicadeza a liberdade e a dignidade dapessoa que recebe o auxílio; não se desdoure a pureza de intenção com nenhumaprocura de vantagem pessoal ou desejo de dominar5, satisfaçam-se em primeirolugar as exigências da justiça, para que não se dê como caridade o que já édevido a título de justiça; eliminem-se as causas dos males, não só os efeitos;seja encaminhada a ajuda de tal maneira que, os que a recebem, pouco a pouco selibertem da dependência externa e se tornem auto-suficientes.

Os leigos prestigiem e ajudem na medida de suas forças asobras de caridade e as iniciativas de assistência social, sejam particulares oupúblicas, e mesmo internacionais, por meio das quais se leva auxílio eficienteaos indivíduos e povos em necessidade. Neste campo cooperem com todos os homensde boa vontade.6

Carta sobre o Apostolado dos Leigos – Concílio Vaticano II

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