Todo dia é especial e diferente. Todo dia tem sua própria história e sua dinâmica própria. Nem um dia será igual a outro. Nenhum. Pode ser parecido, mas nunca igual. E esta quinta-feira se tornou sui generis pelo fato de uma nova maneira de internalizar os mistérios do terço, apesar de toda quinta ser dia de meditar sobre os mistérios luminosos. E, por cada dia ser único, um mistério específico me saltou ao coração hoje: a instituição da Eucaristia. Jesus, Nosso Senhor, se reúne com os seus para a ceia de despedida. Mas esta não é uma ceia qualquer. Esta ceia é especial, ele tem sabor de despedida, mas tem também caráter de fortalecimento. Jesus, sabendo que iria sofrer a sua paixão, quis alimentar e fortalecer a fé de seus amigos, pois “uma refeição significa crescimento por meio da Nutrição” (keller).
Em um banquete, satisfazemos as nossas necessidades e damos prazer aos nossos sentidos. Quantos sentimentos alegres não estão reunidos em volta de um banquete? Quantas partilhas? Quantas memórias não compartilhamos ao sentar a mesa de um banquete com pessoas amadas? Alimentamos o corpo, mas também alimentamos as nossas relações em volta de uma mesa.
Eu imagino a cena e a carga de emoções que estava presente nesse evento tão sublime. O filho de Deus, o Deus vivo, o tão esperado e desejado messias estava se banqueteando com seus amigos. Mas eu imagino que emoções diferentes habitavam os corações de cada um dos presentes. No entanto, Jesus, conhecedor do que estava para acontecer com ele, estava ali para alimentar e fortalecer o seu grupo. Para que eles, mesmo que se entristecessem, estivessem fortes. Porque eu posso estar triste, mas, ainda assim, estar forte.
Uma ceia tem função de nos alimentar. De nos fazer fortes. E quem se assenta à mesa da Eucaristia com o Senhor se fortalece espiritualmente, tem suas necessidades supridas. Não é uma fantasia ou um conto de fadas. É real. A Eucaristia nos alimenta substancialmente, nos fortalece, dando-nos forças para lutar contra todo o mal que se aproxima de nós. Eu repito: não é mágica, não nos aproximamos de Cristo porque queremos ser amados e ganhar seus favores em busca de milagres. É o contrário: porque já fomos amados e já recebemos de suas mãos e coração misericordioso toda sorte de bençãos e milagres que devemos nos aproximar para agradecer e nos banquetear com nosso amigo e Salvador. Eu não me aproximo da mesa para ser amado, eu me aproximo porque que já fui e sou amado. Eu me aproximo porque este é um alimento especial, vindo diretamente do coração do meu Deus. E porque o amo, me sento alegremente para cear com o amado de minha alma.
Quem de nós, tendo a oportunidade de estar em uma ceia “íntima” com a pessoa amada e, sabedores que somos correspondidos, não se alegraria e ficaria ansioso por esse encontro? Não contaria os dias e as horas? Não se prepararia com as melhores roupas e os melhores perfumes? Até imaginaria as palavras que diria. As juras de amor que trocariam.
Assim eu imagino este momento. Quantas palavras bonitas foram ditas! Quantos olhares de intimidade foram trocados! Quanta santa cumplicidade entre os presentes! E eu fico, ainda a imaginar, você que está comigo, neste momento, lendo este texto sentir um grande e incontido desejo de estar junto ao amado. Quem sabe seus olhos cheios de lágrimas lhe estejam lembrando que é hora de voltar aos braços do amado. De se derramar desavergonhadamente diante dele e declarar todo o seu amor. Isto se chama saudade. E só tem saudades quem ama e quem é correspondido, pois não se tem saudade do que não é bom. Isso é um bom sinal. Não deixe passar a hora de voltar ao seu amor. Vista sua melhor roupa (sua alma), coloque o melhor perfume (a confissão) e dirija-se a este encontro de amor. Não é gentil de nossa parte deixar que nosso amor fique nos esperando por muito tempo. Mas é bom saber, que custe o tempo que custar ele não desistirá de você e nem de mim. Ele está sempre a nos esperar. Vamos agilizar esse encontro?
“Senhor Jesus, amado de minha alma e razão do meu existir. Que sou eu sem você? Alma perdida em busca de amores passageiros. Eu reconheço em minha indignidade que também te amo, e emocionado, por me saber amado mais que tudo neste mundo, eu me proponho a estar contigo todos os dias. Te peço, Senhor, seja a minha fortaleza, o meu amparo e conduze-me, Senhor cada dia para mais perto de Ti. Amém”.
Marvão Jorge

Um texto que expressa a esponsalidade e o desejo de retornar a Deus. Muito bom!
Muito interessante! Gostei demais. Hora de voltar ao primeiro é verdadeiro amor