Meu nome é Isabelle Pinheiro de Macedo, sou consagrada na Comunidade de Aliança da Comunidade Católica Shalom há quatro anos. Quando estava cursando o mestrado em enfermagem, no início de 2010, me senti inquieta com o desejo de partir em missão. Então me coloquei em oração e discernimento com a comunidade, afim de bem corresponder ao apelo de Deus.
Lembro fortemente da passagem que me marcou neste tempo, onde Abel ofereceu as primícias daquilo que ele tinha, e assim seu sacrifício foi agradável ao Senhor. Sentia que também eu era convidada a dar as primícias da minha vida a Deus: meus melhores anos de vida (estava com 24 anos na época), na minha profissão (mestre em enfermagem), na minha vida apostólica (era núcleo do projeto juventude e pastora de grupo de oração) e na minha família.
Também sentia que, como Comunidade de Aliança, Deus pedia que colocasse realmente a minha vida em Suas mãos, e este seria um gesto concreto de confiança e abandono. Assim, escrevi a carta oficializando o pedido à comunidade e em maio de 2011 recebi a resposta: fui enviada para a fundação da missão Shalom na diocese de Setubal, em Portugal.
Neste momento, experimentei da frase tão cara de Santa Teresinha: “O bom Deus não poderia inspirar sonhos irrealizáveis”. Sempre desejei fazer parte de uma fundação, ver a obra nascente, os primeiros a experimentarem do carisma, enfim, Deus me surpreendeu! E no dia 23 de setembro embarcamos no avião: eu e mais quatro irmãos, rumo à desconhecida, mas já tão amada terra prometida.

Tudo na nova terra gerava admiração e encanto: as construções milenárias, as estações do ano tão definidas, a mesma e ao mesmo tempo tão diferente língua portuguesa, a culinária, o modo de pensar, agir e viver do povo. Passamos os primeiros meses desbravando a terra, nos fazendo presentes em alguns eventos da Diocese e da paroquia próxima a nossa casa. Além de buscarmos nos adaptar a realidade de trabalho que Deus nos confiou no Santuário de Cristo Rei: acolhimento aos peregrinos, atendimento nas lojas, visitas guiadas, etc.
Em março do ano seguinte iniciamos o nosso primeiro grupo de oração na paroquia do Seixal, já com doze pessoas. E uma vez ao mês, realizávamos uma missa de cura nesta mesma paroquia. Assim, nossa obra foi tomando rosto, e ao final destes três anos tínhamos sete membros trilhando o caminho vocacional.
Em setembro de 2013, fui transferida para a missão de Braga, no norte de Portugal. Lá, pude auxiliar nos cuidados de saúde do bispo emérito da Diocese, fazendo a experiência de colocar minha profissão a serviço da Igreja e da Comunidade. Também desempenhei atividades apostólicas que nunca me imaginei realizando, como os trabalhos desenvolvidos no economato.
Durante o tempo de missão, me apaixonei por um irmão da Comunidade de Aliança pertencente à missão de Setubal, e mais uma vez me coloquei em oração e discernimento junto à Comunidade. E, ao final de alguns meses, no dia 08 de dezembro – dia da Imaculada Conceição – a Comunidade liberou o nosso namoro.
Diante dos mistérios insondáveis de Deus, ao final do meu tempo de missão, em 2014, recebo a feliz notícia de que fui convocada no concurso público do Estado do Rio Grande do Norte, meu estado de origem, para o cargo de enfermeira. Concurso este que havia feito em 2010, antes de partir em missão.
Realmente, experimentei e experimento a cada dia que a minha vida está nas mãos de Deus e não há melhor lugar melhor do que este!