Formação

O chamado de Paulo de Tarso

comshalom

Josefa Alves
Missionária da ComunidadeCatólica Shalom

Na vida de cada um de nós existem acontecimentos que setornam decisivos e que têm enormes consequências. Foi assim com Paulo naestrada que leva a Damasco: aquele encontro mudou a sua vida e deu um novo rumoà história do cristianismo.

Paulo era judeu, nascido em Tarso (atual Turquia), mas,cresceu em Jerusalém, onde foi educado na mais rígida norma da Lei, comGamaliel, um dos maiores doutores da Lei do seu tempo. Era um fariseupraticante e cheio de zelo por Deus; foi por este zelo que se tornou perseguidordos cristãos, e foi para defender a Lei e a honra de Deus que se dirigiu aDamasco, com a intenção de prender todos os cristãos que lá encontrasse (Cfr.At 9,1-19; 22,1-21; 26,4-18). Mas, a estrada que leva a Damasco tornou-setestemunha de uma verdadeira “revolução copernicana”, de um encontro quetransformou a sua vida e, a partir dela, a vida de um povo. Jesus o esperavanaquela estrada.

Embora o encontro com Cristo tenha mudado radicalmente a suavida, é mais adequado chamá-lo de vocação e não de conversão, porque aconversão supõe o abandono de um caminho errado ou de uma fé medíocre paraaderir a um caminho certo. No caso de Paulo, ele sempre foi fervoroso no zelopor Deus e por sua Lei, mas Jesus o levou a experimentar de maneira plena asalvação anunciada no Antigo Testamento.

A vocação de São Paulo é tão importante para a história docristianismo que Lucas a narra três vezes nos Atos dos Apóstolos: At 9,1-19;22,1-21; 26,4-18 e a própria Igreja lhe dedica uma festa particular no dia 25de janeiro.

Depois dessa experiência, Paulo se sente conquistado,alcançado por Cristo. Mas, como não se pode anunciar Cristo sem ter tido umaexperiência pessoal, profunda e prolongada com Ele, foi necessário que Paulo seretirasse no deserto da Arábia; este foi um tempo privilegiado de contemplaçãoe de apropriação do mistério. No tempo favorável o Senhor o enviou comoapóstolo, servo de Cristo, disposto a tudo pelo Evangelho e assim, a suaexperiência pessoal se tornará testemunho vivo. Ele coloca Jesus no centro dasua existência. A descoberta da centralidade de Cristo se torna a mola mestra esecreta de sua vida, pois “o amor de Cristo nos impele” (2Cor 5,14). A suamística é a da imitação perfeita do Ressuscitado: “sede meus imitadores, comoeu mesmo o sou de Cristo” (1Cor 11,1).

A experiência no caminho de Damasco levou Paulo a deixartudo pela sublimidade do conhecimento de Cristo e do seu mistério de amor, e aconsumir-se para anunciá-lo a todos, especialmente aos pagãos. O amor porCristo o levou a pregar o Evangelho não somente com a palavra, mas com aprópria vida, e no final, Paulo anunciou Cristo com o martírio; o seu sangue,junto com o de Pedro e o de tantas outras testemunhas do Evangelho, tornoufecunda a Igreja.

Ao chamado divino Paulo responde com generosidade e semreservas, como testemunhará na carta aos Filipenses: “Mas o que era para mimlucro eu o tive como perda, por amor de Cristo. Mais ainda: tudo eu consideroperda, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor. Por ele, euperdi tudo e a tudo tenho como esterco, para ganhar a Cristo” (3,7-8).

Ele assume com todo o seu ser a responsabilidade, o dever ea honra de ser testemunha do Ressuscitado. Anunciar o Ressuscitado e daresperança ao homem são urgências interpelantes. Paulo entende e nos ensina quenegligenciá-las significa trair o homem, defraudá-lo dos bens dos quais ele temuma necessidade vital e irrenunciável.

Chamado para ser apóstolo de Cristo por vontade de Deus(1Cor 1,1), ele entende e vive toda a sua vida como resposta contínua a estavontade, que o escolheu como instrumento para levar o seu nome a todos oshomens.

Devemos não somente admirar a riqueza da sua vocação, mascom ele aprender a evangelizar “oportuna e inoportunamente” (2Tm 4,2) e pedir asua intercessão para sabermos enfrentar, com parresia, os problemas do nossotempo que dizem respeito ao homem e à sua salvação.

Que ele nos ensine e nos ajude a acolher o infinito amor deDeus, a amá-lo incondicionalmente e, por amor, anunciá-lo não somente compalavras, mas com a nossa vida.

“Depois disto, que nos resta a dizer? Se Deus está conosco,quem estará contra nós? Quem não poupou o seu próprio Filho e o entregou portodos nós, como não nos haverá de agraciar em tudo junto com ele? (…) Quemnos separará do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, afome, a nudez, o perigo, a espada? (…) Mas em tudo isto somos mais quevencedores, graças Àquele que nos amou” (Rm 8,31-37).

*Fonte: Mauro Orsatti, Le strade dello spirito, meditazionisul libro Atti degi Apostoli, Editrice Ancora, Milano 2007


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