Formação

O choro sobre a madeira

Diante daquele mistério, o Seu pai da terra também chora a sua indignidade, sua pequenez e incapacidade.

comshalom

O menino chora, como choram todos os recém nascidos, a sua mãe chora, contemplando a “pequenez de sua serva”. Diante daquele mistério, o Seu pai da terra também chora a sua indignidade, sua pequenez e incapacidade. O Pai do céu derramando-se em amor também chora, gotas de orvalho sereno. São lágrimas de dor e amor por dar aos homens seu bem mais precioso, chora porque reclina sobre a manjedoura o filho que erguerá na cruz.

Em seu choro o menino consola a dor de uma humanidade que desconhece o amor…a hora já vai avançada quando sua mãe compadecida por suas lágrimas o coloca nos braços. Extirpada a dor o menino continua a carregar o peso de amar porém, estando no colo de sua mãe pode reclinar-se, abandonar-se e como num embalar de corações une-se ali o Pai e a mãe, o esposo e a esposa, a mãe e o filho.

Consternado por tamanha beleza o pobre José observa. Não participa de sublime mistério? Ele não toca em tamanha beleza? Não verte ele as mesmas lágrimas de dor e amor? O pobre José, amigo dos anjos, põe-se no seu lugar, garante a paz e a segurança para que o mistério aconteça, carrega no seu coração a convicção de que é essa a sua missão, zelar, proteger, cuidar do mistério que se completará na cruz. Na madeira, o mesmo material nobre que preparou para hoje receber o menino amanhã erguerá o seu filho, o filho do carpinteiro, erguido para salvar e redimir o pecador, junto com Gabriel José contempla feliz e em meio as lágrimas consegue sorrir.

Alegra-te pobre pecador, rejubila-te justo sofredor, a misericórdia perfeita reclinou-se em palhas, a sua alegria deita-se em meio a indignidade, não a indignidade da manjedoura mas a do nosso pecado, o filho de Deus humanizado chora hoje as lágrimas que eu e você iríamos derramar se não nos tivesse sido entregue, nesta noite venturosa, o penhor da salvação.


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