Assim como as dores de parto trazem à luz uma nova vida, o sangue do coração missionário gera novas vidas para o céu. Este é o mistério da oferta: doar-se até o fim, deixar-se gastar pelo Reino, mesmo quando parece não restar forças.
O coração missionário sangra porque o Evangelho se encarna
O coração missionário sangra quando o Evangelho não é apenas lido, mas vivido. Sangra quando milagres acontecem em terras distantes e os sinais confirmam a Palavra. Sangra quando parentes, amigos e compatriotas não reconhecem a vocação, como aconteceu com o próprio Jesus em Nazaré.
O missionário experimenta na própria pele a solidão de quem é incompreendido, mas também a força da promessa de Cristo:
“Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.” (Mt 16,24)
O Evangelho é claro: é carregar, não arrastar. É carregar com dignidade, não de qualquer maneira.
O desapego que liberta
O caminho missionário pede desapego radical: não levar bolsa, nem sandálias, nem seguranças humanas. “O Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça.” (Mt 8,20).
É uma disponibilidade total, que deixa os mortos enterrarem os seus mortos (Mt 8,22), para que o anúncio do Reino não se atrase. É não olhar para trás: “Ninguém que põe a mão no arado e olha para trás é apto para o Reino de Deus.” (Lc 9,62).
São palavras exigentes, mas o amor responde a tudo.
Quando surge o medo diante da pobreza evangélica, a confiança floresce: “De graça recebestes, de graça deveis dar.” (Mt 10,8). A confiança que sustenta. Não precisamos nos preocupar com nada, porque Deus cuida de tudo.
Ele alimenta as aves do céu (Mt 6,26) e veste os lírios do campo com beleza (Mt 6,28-30). A nós cabe buscar primeiro o Reino de Deus e a sua justiça (Mt 6,33).
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O coração missionário vai se gastando, mas cada gota derramada é oferta de amor. Jesus disse: “Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim, não é digno de mim.” (Mt 10,37). Mas também prometeu: “Todo aquele que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos ou campos por causa do meu nome, receberá cem vezes mais e terá como herança a vida eterna.” (Mt 19,29).
Então, Sangre coração missionário… Não temas, ainda tens muito a dar! Cada ciclo traz provas mais desafiadoras, mas já não são as mesmas do início. É renúncia, desapego, disponibilidade e pobreza.
É amar como Jesus, viver por um amor maior. Um amor que pede coragem, que exige recomeçar uma e outra vez, até que não reste sangue por derramar.
Tudo é por aqueles que tocam nossas vidas, para que conheçam o Amor. Porque os que andavam em trevas viram uma grande luz (Is 9,1; Mt 4,16), e essa luz brilhou em nós, porque nossa vida arde com o fogo da Evangelização.
O coração transpassado
O coração missionário sangra porque está transpassado pela espada da Palavra (Hb 4,12). Ainda há sangue por derramar, porque o amor não conhece medidas. Jesus não poupou esforços para amar e deixou a régua alta: “Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei.” (Jo 15,12).
Por isso, o coração missionário continua. Mesmo estrangeiro, segue em frente. Ainda há muito chão a evangelizar, ainda existem almas que não ouviram falar de Jesus, ainda há corações que esperam resposta. E o Evangelho responde, explica e salva. Sangue ao coração missionário! Não te limites, porque o amor não sabe calcular.
Por Noor Gonzalez
Shalom, Comunidade vida – Missão Fortaleza