Institucional

O cristalizador que nos faz sal da terra e luz do mundo

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Jordania ShalomSou aluna de Engenharia Química (UFRN) e durante uma aula de campo pude conhecer o processo produtivo do sal. É bem simples, se comparado a outros que conhecemos no decorrer da graduação. A água salgada é retirada de um braço de mar para grandes evaporadores que fazem movimentos circulares, movidos a energia solar, para que a água evapore e aumente a concentração do sal. Ao sair dos evaporadores, o sal vai para o cristalizador e lá começa a se formar a lâmina de sal, que será coletada, lavada, empilhada e posteriormente destinada ao cliente.

Observando esse processo, não há como não lembrar da passagem: “Vocês são o sal da terra (…) Vocês são a luz do mundo” (Mt 5, 13-14). Enquanto observava o processo eu refletia: nós somos o sal da terra, mas para que possamos ser esse sal, precisamos ser processados, tratados e só então enviados ao nosso destino final: o céu.

Primeiro somos escolhidos em um mar de pessoas, onde muitas também são chamadas. É nesse momento onde temos uma experiência pessoal com o Amor de Deus e com a sua misericórdia. Então passamos a trilhar o maior percurso, nos evaporadores, onde é evaporado tudo aquilo que não é para a nossa felicidade. Nessa fase há algo a ser formado, a ser curado, a ser evaporado de nossas vidas. Por isso os evaporadores são de grande proporção, pois muitas vezes esse processo tende a ser longo. E está posicionado sobre a luz do sol, pois as graças nos alcançam sob a luz de Deus.

A energia necessária para essa evaporação, para que nos tornemos sal, são as Graças derramadas diariamente em nossas vidas. Muitas vezes não as percebemos, mas elas estão constantemente lá. Elas são enviadas do nosso Sol, nosso Paizinho, Deus. No cristalizador começamos a ganhar uma forma mais visível, começamos a ser sal. É nessa parte do processo onde devemos deixar a Graça de Deus agir intensamente e compreender que não é por nossas forças, não é mérito nosso e devemos confiar e buscar uma constante vida de oração e intimidade com Deus. Precisamos nos deixar formar por esse Amor para permitir que os primeiros cristais de sal ganhem sua forma.

Todo o processo se dá por gravidade e, por isso, é fisicamente impossível que o fluxo faça o caminho inverso. Não há lógica em tentar voltar para o evaporador ou até mesmo para o braço de mar. Da mesma forma, nós devemos permitir sermos guiados pelo fluxo, pelo caminho de e para a felicidade. A gravidade aqui é nossa maior aliada, é nossa Mãezinha, a Virgem Maria. É ela quem nos aponta o caminho para encontrarmos o coração do seu filho, a nossa meta e o desejo mais íntimo do nosso coração. Por isso, não nos deixemos frustrar com nossas quedas, pois através da graça, tudo se renova. Não somos seres perfeitos, pois somos manchados pelo pecado. Mas é preciso lembrar que em nenhum processo industrial é possível obter 100% de eficiência. Perfeito, só a graça, o nosso Amado e o Amor que Ele tem por nós.

Que tenhamos a sabedoria de irmos ao cristalizador para sermos sal e luz no mundo. Anunciando o Amor de Deus, o sentido de nossas vidas, o sentido da nossa existência. Pois fomos criados pelo Amor, por Amor e para Amar. Que desejemos e que sejamos o sal e a luz da Terra!

Jordania Medeiros – Natal (RN)


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