A Igreja Católica, em sua profissão de fé, faz a seguinte declaração: ”Creio em Jesus Cristo, seu único Filho e nosso Senhor, que foi concebido pelo poder do Espírito Santo”. Essa convicção de fé está centrada, toda ela, na missão do Filho e do Espírito Santo. Está ainda apoiada no fato de que o Filho é o ungido do Espírito do Pai, desde Sua Encarnação: Jesus é o Cristo, o Messias.
Todo o segundo capítulo do Símbolo da Fé deve ser lido sob essa lente. Isso porque: “Toda a obra de Cristo é missão conjunta do Filho e do Espírito Santo. Aqui mencionaremos somente o que se refere à promessa do Espírito Santo feita por Jesus, e à sua doação pelo Senhor glorificado ” (CIC 727).
A oferta amorosa e redentora de Cristo na Cruz e em Sua Ressurreição, foi o grande prelúdio, que predispôs os corações dos homens para acolher outra grande promessa do Pai, o Espírito Santo. Com isso, não se quer dizer que quem prepara a chegada é menor do que o esperado. Até porque o Espírito Santo confirma nos corações tudo o que foi anunciado pelo Filho:
“Jesus não revela plenamente o Espírito Santo enquanto Ele próprio não for glorificado pela sua morte e ressurreição. No entanto, sugere-O pouco a pouco, mesmo no seu ensino às multidões, quando revela que a sua carne será alimento para a vida do mundo. Insinua-O também a Nicodemos, à samaritana e aos que tomam parte na festa dos Tabernáculos. Aos seus discípulos, fala d’Ele abertamente a propósito da oração e do testemunho que devem dar” (CIC 728).
O Espírito Santo é a grande promessa do Pai. A oferta redentora de Cristo na Cruz foi a chave que abriu as portas do Céu para que o Espírito Santo viesse. Esse enviado do Céu, então, não fará outra coisa senão confirmar o ministério do Salvador. O Sacramento da Crisma confirma a graça batismal e acentua o “Pentecostes” do Mistério Pascal.
O batizado é confirmado pela força do Espírito Santo para ser membro responsável na Comunidade cristã. É enviado a ser testemunha de Cristo no mundo e viver em toda a amplitude sua vocação batismal. O primeiro e maior dom do Espírito Santo é o amor. ”’Deus é Amor’ (1Jo 4,8.16) e o Amor é o primeiro dom, que contém todos os outros. Este amor ‘derramou-o Deus nos nossos corações, pelo Espírito Santo que nos foi dado’ (Rm 5,5)” (CIC 733).
Os Cristão dos primeiros séculos da Igreja se definiam como mortos antes do santo batismo. O Sacramento, então, formaliza nossa pertença a Jesus e faz de nós destinatários de Sua graça, da vida plena que há em Deus. “Uma vez que estávamos mortos, ou pelo menos feridos pelo pecado, o primeiro efeito do dom do Amor é a remissão dos nossos pecados. E é a comunhão do Espírito Santo (2Cor 13,13) que, na Igreja, restitui aos batizados a semelhança divina perdida pelo pecado” (CIC 734).
A vida plena, feliz e realizada que existe na Trindade é comunicada a todos que acolherem a obra redentora de Cristo. Essa comunhão amorosa santifica e redime.
Jesus, no Evangelho, diz que: “A árvore que não der bom fruto, será cortada e lançada fora” (Mt 7,17-20). Sem o Espírito Santo, como aquele que faz germinar, seria inútil todo o esforço dos operários. Pois um planta; outro irriga; mas no final das contas, é o Espírito de Deus que faz germinar.
A Igreja enfrentou provas e combates ao longo dos séculos, todos esses acontecimentos, porém, não a fizeram sucumbir. Ela foi socorrida pelo Espírito de Deus (cf. Rm 8,26). O Catecismo se refere ao Espírito Santo nesse sentido como sendo: “O artífice da obra de Deus, o Mestre da oração” (CIC 741).
Que a Igreja nunca se canse de suplicar o socorro desse grande conselheiro. Ele é a resposta de Deus, quando ela se vê esmagada por interrogações.
