Me chamo Luciana, hoje sou Discípula de primeiro ano da comunidade de aliança, e venho partilhar um pouco do que aprendi com a minha vó.
Desde pequena ainda no carrinho minha vó sempre me levava às missas fielmente aos sábados e por muito tempo não compreendi, mas hoje percebo os traços da intercessão de Nossa Senhora desde cedo; os anos se passaram, muito aconteceu nas nossas vidas, mas o relacionamento com minha vó sempre foi a constante pra mim, até que em 2015 nossa família recebeu um choque ao descobrir um câncer em minha vó. E mais uma vez, ela e sua maneira de lidar com a doença me deu, nos deu mais lições de como viver na adversidade, lidar com o amor fraterno e o relacionamento com os familiares.
Recordo de um dia marcante, (10/03/16 ) ela estava no hospital após de ter passado por uma cirurgia bem delicada, e eu estava bem inquieta, por quê no dia seguinte entraria em reciclagem e passaria 10 dias fora, estava sem saber o que fazer, porque sabia que saindo eu, o Senhor nada deixaria faltar em minha família. Foi quando mais uma vez minha vó me surpreende e me convida a rezar o terço; como sempre, ela meditava cada mistério e durante a meditação eu compreendi mais uma vez o cuidado de Maria para comigo, com a minha vocação e sempre pelas mãos doces da minha vó.
Segui para Reciclagem, pensando muito nela, em como estaria, se melhorara, se piorara, até que a fidelidade e a o amor do Senhor me constrangeram: uma sensação de conforto tomou meu coração com Sua Voz que dizia: apenas confie, Eu cuido de vós. E sim, Ele cuidou e como cuidou! Ao meu retorno nada de grave havia acontecido. Passamos o ano de 2016 rezando o terço às quartas- feira, e como isso foi se tornando um cuidado de Deus para minha família, que por meio da doença minha vó me mostrou o Seu amor pela Virgem Maria.
Ela se chamava Maria Ângela, e no fim de 2016 descobrimos outro câncer no mesmo local do anterior, não sabia o que fazer, mesmo sabendo que o Senhor sempre cuida de nós, nos sentimos impotentes. Nesta época eu já era postulante e, muitas vezes foram meus irmãos que me ajudaram a perceber o amor de Deus por mim. Em março de 2017, foi necessário uma nova cirurgia de alto risco, ela permaneceu na UTI, e tivemos que ser fortes, porque percebíamos que ela já estava bem fraca e nós abalados. No nosso último contato ela me disse: ‘Deus te faça feliz!’ , tratei de trazer essa frase pra vida ordinária. Minha vó faleceu no dia 8/03/17, dia das mulheres, o que pra mim demonstra a mulher guerreira que ela foi. Enterrei minha vó no fim da tarde do dia 9/3 e no dia 10/3 pela manhã segui viagem para Aracaju, fazer reciclagem, foi uma decisão difícil, mas sabia que precisava ir, fui muito abraçada por Deus e lá vi a graça e a necessidade de estar com Ele. Hoje posso dizer, Deus me sustentou e sustenta.
Minha vó muitas vezes não entendia a minha vocação, mas no fundo, no fundo eu sabia da sua felicidade.
” Pensar em uma pessoa que se ama é rezar por ela” já dizia Sta Teresinha. Então se a saudade aperta, eu rezo.