Em busca de ser amada e de amar, ela só encontrou desamor. Foi usada, maltratada, manipulada. Não sabia o que era o amor. Encontrou somente migalhas de afeto. Saciou-se como objeto. Devorou. Corrompeu-se. Entregou-se mas não a quiseram. Era passageiro, superficial, talvez mais um Carnaval.
Ferida pelo amor medroso e mesquinho, fechou-se. Não amou. Não foi amada. Não questionou. Não sentiu falta. Negou-o. Não era presença. Fugia. Confundia-se. Calava. Silenciava. Nada esperava. Nada dava. Nada queria. Era raiva. Era indiferença. Secava, retorquia-se. Era deserto, talvez mais um vendaval.
De repente, assaltada pelo amor. Reencontra-o. Começa a florir, a cuidar. Olha para si. Mira em seus olhos. Confia. É possível amar, amá-lo. Interrogações, projeções, inquietações. Arrepio. É pra valer? Entre correr ou ficar, grita por amor. Decide-se.
A euforia se faz calmaria. O olhar no mundo agora contempla o céu. O que é verdadeiramente belo, real e constante. O amor se entranha ardentemente e docemente. Amor profundo. Não engana. Não mente. Veio para ficar, mas já estava. Veio para despertar. É eterno. Dá vida. Gera vida. É feliz. É novo. Surpreende.
Quem pode amar-te? Na sexta-feira da Paixão, o amor grita do alto da cruz. Tem sede de amor. Clama por amor. Dá-se por amor. Quem pode amá-Lo? Amar o que é fiel, sendo infiel. Amar superando medos e inconstâncias. Amar por acreditar que Ele só quer amar. Amar até gritar que o amor morreu mas se refaz.
