Série: E a família, como vai?
Esse foi o tema proposto pela CNBB no ano de 1994, ao qual o Papa João Paulo II declarou como o ano da Família. Na ocasião, o Santo Padre, diante dos problemas e momentos difíceis que as Famílias estavam vivendo, promoveu um caminho que levassem-nas a recuperar a alegria de ser família, de viver e rezar juntos, de ser uma feliz, pequena e fecunda Igreja doméstica.
O Coração do homem tem sede de felicidade, portanto, tem sede de Deus. Assim como cada um tem no coração um anseio por Deus, assim também cada família tem esse anseio. A família é um organismo vivo, que também tem um “coração” que busca, como cada homem, ser preenchido em seu vazio. Por maiores que sejam as oportunidades que o mundo nos oferece, nada conseguirá encher o coração, a não ser Deus.
A missão de cada família, já nos diz o Catecismo, além do caráter unitivo, é composta pelo caráter procriativo, pelo acolhimento da vida e pela educação dos filhos.
Educar os filhos para Deus, para o acolhimento do testemunho vivo de Cristo Ressuscitado
A família é uma escola de educação que deve levar todo o seu organismo a buscar a Deus como primazia, como o essencial diante de tantas coisas importantes que a cercam.
Pela força do exemplo na família é que se fala sobre amor, vida, perdão, esperança, fé e eternidade no interior do lar. Ela é uma escola de formação no ordinário, levada a viver e ver a vida de forma extraordinária. A família deve ser uma referência de vida comunitária e de partilha entre os seus e para com os outros. Ela caminha entre acertos e erros, em meio a correções e pedidos de perdão, construindo em si e nos seus membros uma Comunidade de Amor.
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Em tudo o que se vive e faz na família e através dela, a preocupação dominante deve ser o Céu, tendo os pés no chão e o coração no Alto, desapegando-se das coisas desta terra e voltando-se para as coisas que não passam.
Deus é o principal interessado que a família dê certo
Ele respeita a liberdade humana e está sempre pronto a perdoar, amar e agir no coração de cada um. Deus constituiu a família, quis fazer-Se carne e habitar num lar. Ele quis ter uma família. O Senhor mesmo elegeu a família como um lugar privilegiado de manifestação da graça.
Escolheu-a para ser a geradora de vida, fábrica de vocações, berço de santos que darão suas vidas pelo Cristo e povoarão o Céu
A experiência de Deus, a experiência da Igreja, o sentido do sagrado e do respeito, a vivência das virtudes, devem acontecer, em primeiro lugar, em nossa igreja doméstica, em nosso lar, pela força do exemplo.
Em meio a tantas exigências que a convivência nos traz, essa escola de formação, amor e santificação, será o lugar favorável para que a graça de Deus possa agir. Quando a graça atinge a alma da família, gera um movimento interior que leva à transformação e à conformação da família a Cristo, segundo o modelo maior, que é a família de Nazaré.
Os lares visitados por essa graça vivem um movimento interior e exterior que leva a um transbordamento tanto naqueles que compõem a família, como nos que são atraídos a ela por meio do convívio social e eclesial. A graça na família é, portanto, uma ação viva do amor de Deus, um movimento dinâmico, no qual é impossível fechar-se em si mesmo.
Com os corações voltados para o Alto, a exemplo da espiritualidade e pedagogia do santo casal Martin, Luís e Zélia, pais de Santa Teresinha, os quais a Igreja celebra os 10 anos de canonização, conheçamos os pilares de sua família:
- Deus, o primeiro a ser servido,
- Em tudo confiar na Providência Divina e,
- Em tudo fazer a vontade do Senhor.
Isso fazia refletir a força e o brilho do testemunho e do exemplo, do diálogo contínuo e frequente, do amor sem interesse que leva a servir e que visa a santificação do cônjuge e dos filhos. Ser santos juntos, tendo a certeza de que o Evangelho gera famílias novas. Isso torna real a prédica de pessoas que creem juntas, desejam e vivem uma comunidade de amor e que, com a vida comum, evangelizam.
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Se os pais forem Santos, os filhos serão
Pois lerão o livro do exemplo, o qual é o mais educativo. Os livros mais importantes não são os mais famosos, nem os que mais vendem, mas os que mais formam. Pais que estão abertos à graça de Deus, que acolhem-na e que se deixam ser transformados por ela, vivendo as virtudes e os valores, transbordam e semeiam no coração dos filhos as sementes do amor a Deus e ao outro.
Em suma, os pais são imagens da paternidade de Deus e da maternidade da Igreja
A base da família é o casal e eles podem dar testemunhos e exemplos que ajudam ou não os filhos a reconhecerem o amor de Deus e a pertença à Igreja. Todos estamos inseridos nessa grande responsabilidade de gerar filhos para a Igreja, filhos para o Céu.
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Por Wagner Dantas,
Shalom, Comunidade de Aliança – Missão Fortaleza