Formação

O mundo de hoje é como uma terra sedenta da Água Viva

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Presidentedo Pontifício Conselho para os Leigos
Palestraproferida em novembro de 2006, durante o Congresso Mundial das NovasComunidades

 


Queridosirmãos e irmãs,

A missão devocês é muito importante na Igreja. Vocês têm o dever de recordar a todos que oPentecostes não é um acontecimento de um passado distante, mas um acontecimentocontinuamente presente na vida da Igreja, e o Espírito Santo sopra agora, nestemomento, no meio de nós.

Mas, queridosirmãos, eu vim aqui para trazer não somente a minha saudação, vim aqui paratrazer a todos vocês uma saudação particular e a bênção do nosso Santo Padre, oPapa Bento XVI.

Depois de JoãoPaulo II, também este pontífice, Bento XVI, tem o coração largamente aberto às NovasComunidades e aos Novos Movimentos Eclesiais. Quero recordá-los as suaspalavras pronunciadas no último dia três de junho, na vigília de Pentecostes. Eledisse: “Queridos amigos, peço-vos que sejam ainda mais, muito mais,colaboradores do ministério apostólico universal do Papa, abrindo as portas àCristo, este é o melhor serviço da Igreja aos homens, e de modo todo particularaos pobres, a fim de que a vida da pessoa na ordem mais justa da sociedade e aconvivência pacífica entre as nações encontre em Cristo a pedra angular”.

Portanto, opensamento do Papa é claro, o Papa conta com vocês, vocês se tornaramimportantes instrumentos para abrirem as portas a Cristo, a porta dos coraçõeshumanos, as portas da nossa sociedade, as portas da cultura e de todos osambientes onde vive o homem.

Quero começara minha palestra recordando primeiramente as palavras de João Paulo II na CartaApostólica, Novo Milênio Ineunte, quando nos disse: “Muitas vezes repeti aolongo destes anos o apelo da nova evangelização. Eu reafirmo agora, sobretudopara indicar que é preciso reacender em nós o impulso do início, deixando-nosinvadir pelo ardor da pregação apostólica seguida de Pentecostes. Devemos reacenderem nós o sentimento vivido por Paulo que dizia ‘ai de mim se eu não pregar oEvangelho’”. E as palavras do Papa Bento XVI, pronunciadas por ocasião daJornada Mundial da Juventude em Colônia, falando aos bispos alemães: “Devemosrefletir seriamente sobre o modo no qual devemos realizar uma verdadeiraevangelização, não só uma nova evangelização, mas com freqüência uma verdadeirae própria evangelização”.

As pessoas nãoconhecem a Deus, não conhecem Cristo, existe um novo paganismo. E não ésuficiente tentar somente conservar o rebanho já existente, apesar disso tambémser importante. Creio que devemos todos juntos encontrar novos modos de levar oevangelho ao mundo atual, de anunciar de novo Cristo e de estabelecer a fé.

Acredito queessas palavras dos dois pontífices podem constituir duas coordenadas principaispara a nossa reflexão. O mundo tem sede do Evangelho, o mundo tem necessidadede Cristo. Mas quem o levará? Quem o levará aos homens e mulheres do nossotempo que ainda não o conhecem? É aí que intervém o próprio Espírito Santosuscitando na Igreja novos carismas como os vossos, dando um novo impulso e umnovo dinamismo evangelizador aos leigos homens e mulheres do nosso tempo.

O Papa JoãoPaulo II falava sempre que estamos vivendo na Igreja uma primavera do Espíritoe vocês, Novas Comunidades, são esta nova primavera do Espírito Santo nosnossos tempos, a Igreja precisa de vocês, precisa do vosso ímpeto missionário,para levarem o Evangelho aos novos areópagos do mundo moderno, às famílias quefreqüentemente estão em crise, ao mundo do trabalho, aos problemas sociaisdificilmente resolvidos, à cultura, aos meios de comunicação.

 

O mundo de hoje é como uma terra sedenta da Água Viva que éo Espírito Santo.

Queridosirmãos e irmãs, o Papa Bento XVI, por ocasião do II Congresso Mundial dosMovimentos Eclesiais e das Novas Comunidades escreveu: “Os Movimentos Eclesiaise as Novas Comunidades são o sinal luminoso da beleza de Cristo e da Igreja,sua esposa. Vocês pertencem a estrutura viva da Igreja e a Igreja vos agradecepelo vosso empenho missionário, pela ação formativa que é desenvolvida de modocada vez mais freqüente no meio das famílias cristãs, também pela promoção dasvocações ao sacerdócio ministerial e à vida consagrada. Agradece-vos tambémpela disponibilidade demonstrada em acolher as indicações operativas não só dosucessor de Pedro mas também dos Bispos das diversas Igrejas locais que estãojuntos com o Papa, guardadores da verdade, da caridade e da unidade”.

Então,queridos irmãos e irmãs, há hoje uma urgente necessidade da evangelização. Oque isto quer dizer? Duas coisas essencialmente. A primeira, uma aprofundadaformação cristã, que seja ao mesmo tempo uma verdadeira iniciação ao mistériocristão. E um segundo dever, o corajoso anúncio de Cristo ao mundo de hoje.

 

Formação dos cristãos batizados

A formação doscristãos batizados na fé é uma das urgências mais fortes de hoje. Por quetantos batizados aderem a tantas seitas espelhadas por aí? Por que na velhaEuropa se difunde esta “apostasia silenciosa” tão falada por João Paulo II? Acausa está aqui, a falta de formação cristã aprofundada, o modo superficial deser cristão. O Papa Bento XVI na sua primeira encíclica escreveu palavras muitoimportantes a cerca deste propósito. Disse ele: “O início de um ser cristão nãoé uma decisão ética, não é uma escolha dos ideais, antes de ser cristão existee está sobretudo um encontro com um acontecimento vivo, com uma pessoa viva,que se chama Jesus Cristo”. É, portanto, aí onde está o segredo mais profundoda formação que se realiza no interior das vossas comunidades. Tudo começa noencontro com Jesus Cristo, tudo começa quando se coloca o mesmo Cristo nocentro da vida, este é o fundamento, quem constrói sua vida cristã sobre talfundamento constrói sobre a rocha e não sobre a areia.

Queridosirmãos, nestes dias eu tive a oportunidade de visitar a Comunidade Canção Nova,e aquilo que mais me tocou é que em cada local de apostolado, seja nos meios decomunicação, na televisão, na rádio, na escola, no Centro Bom Samaritano, queacolhe os mais pobres, eu vi pequenas capelas com o Santíssimo Sacramento, eisso é importante porque isso demonstra o que está no centro, demonstra a fontede onde brota a vossa força, que é o próprio Jesus.

É através daformação que as diversas comunidades descobrem a beleza da vocação batismal, abeleza de ser discípulos de Cristo. Como eu disse, são pedagogias que colocamCristo no centro, são pedagogias radicais, que não têm medo de colocar diantedos homens e mulheres do nosso tempo as exigências do Evangelho. E isso é muitoimportante, sobretudo no que diz respeito aos jovens, porque os jovens de hoje têmnecessidade exatamente disso, de serem desafiados pelas exigências fortes doEvangelho, pelas exigências fortes de Jesus Cristo, que dão um sentido novo àvida do homem. Além disso, essas novas pedagogias suscitam um sentido forte depertença, sobretudo de pertença a Cristo, mas também à comunidade cristã, istoé, à Igreja.

Durante a suaviagem à Alemanha, o Papa citou um tema muito importante na sua intervenção: “Quemcrê jamais está sozinho”. Quanta solidão existe no mundo de hoje.

Eu visitei umcentro aqui na Canção nova, onde cerca de vinte pessoas, durante o dia e a noiteestão escutando os telefonemas de pessoas de todo o Brasil, pessoasdesesperadas, abandonadas, que não sabem o que fazer. Aí está o lugar ondeentram estes novos carismas, usando estes novos meios e métodos para chegar aestas pessoas desesperadas, infelizes, para dizer a elas, você não está só,Cristo é o seu melhor amigo, Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida, escolhe-o.

 

Um anúncio corajoso

E agora querofalar do segundo dever tão importante para a evangelização de hoje, um forteanúncio, um anúncio corajoso, sem achar-se impotente diante das dificuldades domundo. A Palavra de Deus é um grande tesouro em nossas mãos, um tesouro que nãopodemos esconder ou guardar só para nós mesmos. Devemos levá-lo ao mundo,devemos gritar nas praças e estradas da nossa cidade, dos nossos países, queDeus é amor, que Ele nos ama. Que na pessoa de Jesus nos amou até o fim, istoé, até a cruz, até a Eucaristia na qual se oferece todos os dias ao mundointeiro.

Este é o nossogrande dever, o grande desafio, anunciar Cristo, gritar ao mundo que Deus nosama e que Ele é amor.

Como temos queagradecer ao Papa Bento XVI, que na sua primeira Encíclica quis recordar a todaa Igreja essa verdade fundamental da nossa fé: Deus é amor! Isso me recordaagora as palavras de João Paulo II na sua primeira Encíclica, RedemptorisHomen, na qual, seguindo a mesma linha de Bento XVI, diz: “O homem não podeviver se não encontra na sua vida o amor, e não se deixa invadir, penetrar, poreste amor”, e este amor do qual fala João Paulo II tem um rosto, é uma pessoa ese chama Jesus Cristo.

Hoje, naIgreja, fala-se muito de evangelização, organizam-se congressos, simpósios,seminários de estudo, publicam-se livros, artigos, documentos oficiais dasconferências episcopais e também da Santa Sé… Sim, mas é preciso falar,porque a evangelização é causa vital para Igreja e para o mundo, todavia existeum risco, o de ficarmos parados a nível teórico, a nível de projetos feitos nopapel. E, no entanto, os novos carismas e as novas comunidades geram batalhõesde homens e mulheres, jovens e adultos, solidamente formados na fé, plenos dezelo e sobretudo prontos para anunciar o Evangelho como todos nós aquipresentes. Portanto, não são estratégias estudadas numa mesa, mas sim projetosvivos, formados ali, nas histórias pessoais concretas e nas vidas de tantas comunidadescristãs. Poderia se dizer, projetos prontos para o uso, e é essa a grande riquezada Igreja dos nossos dias. Vocês, as vossas comunidades, são este recurso, estariqueza.

Como não nosadmirarmos diante da quantidade e da qualidade dos frutos de evangelizaçãogerados por esses novos carismas na Igreja de hoje? O princípio evangélico“pelos frutos vos conheceremos”, permanece sempre válido. São tantas as pessoasque graças a esses carismas encontraram Cristo, a fé, retornaram à Igreja, àprática dos sacramentos, depois de longos anos. São tantas as pessoas que viviamum cristianismo superficial e passaram a um cristianismo adulto, maduro,convicto e empenhado. Quantos frutos de autêntica santidade de vida, quantasfamílias reconstruídas na fidelidade e no amor recíproco, quantas vocações aosacerdócio, à vida consagrada e as novas formas de vida laical segundo osconselhos evangélicos.

Queridosamigos, a mensagem mais importante que vocês trazem para o mundo de hoje, éesta, “vale a pena ser cristão, vale a pena assumirmos Cristo na própria vida”.Como disse Bento XVI no início do seu serviço como sucessor de Pedro: “Cristonão tira nada do homem, não tira nada daquilo que é verdadeiro, belo e bom, Elenão tira nada e doa tudo”.

 

É belo ser cristão!

Por fim,queridos amigos, quero deter-me com vocês brevemente sobre alguns pontos daevangelização que estão bem presentes no coração do Papa Bento XVI e queconvergem com a orientação de fundo das Novas Comunidades. Antes de tudo o Papanos ensina que o processo de evangelização não precisa jamais perder de vista oessencial do acontecimento cristão, isto é, o encontro com Cristo. A descobertado Batismo é o primeiro ponto fundamental do nosso ser cristão, isto é, da novaevangelização.

Uma outraindicação básica que nos vem do Papa Bento XVI diz respeito à dimensão positivada mensagem evangélica. O Papa disse: “É preciso saber primeiro o queverdadeiramente queremos. O cristianismo, o catolicismo, não é um acúmulo deproibições, mas uma opção positiva, um projeto fascinante de vida, e é muitoimportante que se descubra isso novamente, porque essa consciência parece quepraticamente desapareceu nos dias atuais. Em outras palavras, precisamos ajudaros nossos contemporâneos a descobrirem de novo a beleza e o fascínio de seremcristãos, isto é, discípulos de Cristo”. Queridos amigos, essa deveria ser umaprioridade para cada evangelizador de hoje, mostrar aos nossos contemporâneos,sobretudo com a nossa vida, com a nossa felicidade e com a nossa palavra, queser cristão é belo.

Antes deviajar para Colônia, para a Jornada Mundial da Juventude, um jornalistaperguntou ao Papa Bento XVI qual era a mensagem mais importante que ele queriatransmitir aos jovens do mundo inteiro. O Papa deu uma resposta muito bela emuito significativa: “Quero fazê-los entender que é belo ser cristãos, nadamais, nada mais que isso, é belo ser cristão”.

E essaresposta do Papa Bento XVI recorda as palavras do início do seu pontificado,quando dizia: “Não há nada mais bonito que estar reunidos, surpresos peloEvangelho de Cristo. Não há nada mais bonito que conhecê-lo e comunicar aosoutros a amizade com Ele”. Acredito que essa é a experiência de fundo que vocêstêm nas vossas comunidades. Que vocês têm graças aos respectivos carismas dasvossas comunidades e este é o maior fruto que o Espírito Santo gera nas vossasvidas.

Mas olhandopara a grande necessidade de evangelização nos dias de hoje, olhando estagrande messe evangélica que nos espera e que nos desafia a todos, podemos nos perguntar:Por onde começar essa obra tão grande e tão fascinante da nova evangelização? Aresposta do Papa Bento XVI é muito clara e com esta palavra concluo a minhapalestra. “Antes de qualquer atividade e de qualquer programa, deve estar aadoração que nos torna verdadeiramente livres e nos dá critérios para o nossoagir e para nossa vida”.

Queridos amigos,tenhamos essa palavra do Papa como uma bússola segura que nos indica o caminhoseguro para uma nova evangelização. Amém!


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