Formação

O nascimento de Maria

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A festividade do nascimento da Mãe de Deus temprovavelmente sua origem em Jerusalém, em meados do século V. Porquefoi em Jerusalém que se manteve viva a tradição que a Virgem terianascido junto à Porta da Piscina Probática.

Fazendouso desta referência, encontramos citações de São João Damasceno em suaHomilia sobre a Natividade de Maria: "Hoje é o começo da salvação domundo, porque na Santa Probática foi-nos gerada a Mãe de Deus atravésde quem o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo, nos foigerado." [1]

Considerado o nascimentode Maria como o início histórico da obra da Redenção, o CalendárioLitúrgico Bizantino abre suas portas festejando o nascimento da Virgem:"A celebração de hoje é para nós o começo de todas as festas". [2]

Mariaé apresentada pela Liturgia como a "Virgem bela e Gloriosa" que Deusamou com predileção deste a sua eternidade desde toda a Criação comosua obra-prima, enriquecida das graças mais sublimes e elevada àexcelsa dignidade de Mãe de Deus e de Bem-aventurada Virgem. [3]

Segundoo espírito da Igreja, devemos celebrar a Festa da Natividade com santaAlegria, porque o nascimento de Maria é a aurora de nossa salvação. Como seu nascimento é anunciado ao mundo a boa nova: a mãe do Salvador jáestá entre nós.

«Alegrem-se, portanto, os Patriarcas do AntigoTestamento que, em Maria, reconheceram a figura da Mãe do Messias. Elese os justos da Antiga Lei aguardavam a séculos, serem admitidos naglória celeste pela aplicação na fé dos méritos de Cristo, o benditofruto da Virgem Maria . Alegrem-se todos os homens porque o nascimentoda Virgem veio anunciar-lhes a aurora do grande dia da libertação pelaqual aspiram todos os povos. Alegrem-se todos os anjos porque neste diafoi-lhes dada pela primeira vez a ocasião de reverenciar a sua futuraRainha.» [4]

Visivelmente, nenhumacontecimento extraordinário acompanhou o nascimento de Maria e osEvangelhos nada dizem sobre sua natividade. Nenhum relato de profecia,nem aparições de anjos, nem sinais extraordinários são narrados pelosEvangelistas. Só no Céu houve Festa, pois o Filho de Deus vê sua Mãenascer. 

Na vida da Virgem Maria aordinariedade dos fatos sempre lhe acompanhou. Aquela que vivia o seucotidiano de maneira despercebida aos olhos dos homens dá à Luz oSalvador. A humildade também lhe era característica pois ela sendoRainha apresentou-se sempre como serva obediente. 

Tem-sepoucos registros históricos da cidade onde nascera Maria , mas por serconhecida como "A Virgem de Nazaré", intui-se que foi lá que Joaquim eAna (avós de Jesus) receberam de Deus a pequena Maria.

Omundo continuou seu curso dando importância a outros acontecimentos quedepois seriam completamente esquecidos. Para Deus a grandeza dos fatosnão está na proporção dos aplausos que o mundo lhe oferece, mas naserenidade de sua aceitação cumprindo a sua vontade. 

Com freqüência as coisas importantes para Deus passam despercebidas aos olhos dos homens. 

Cresceucomo todas as jovens, mas se distinguia por ser toda de Deus, guardandotudo em seu coração". [5] A sua vida ,tão cheia de normalidade,ensina-nos a agir em tudo com olhos postos em Deus numa perpétuaoferenda ao Senhor.

Maria é a aurora que preconiza a vinda Sol, o Sol da justiça que traz à luz aqueles que estão nas trevas do pecado.

Notas:

[1] São João Damasceno, Homilia sobre a Natividade de Maria, 6 PG 96;
[2] Andréas de Creta, Homilia Mariana. V. Fazzo p.43
[3] Patriarca Fócio, Homilia sobre a Natividade,PG 43
[4] Lehmann, P. JB. Na luz Perpétua, 1959 p.268
[5] Lc 2,51

Uma nova Eva

S. Bernardo (1091-1153): Louvores da Virgem Maria – homilia 2

Alegra-te,Adão, nosso pai, e sobretudo tu, Eva, nossa mãe. Fostes ao mesmo tempoos nossos pais e os nossos assassinos; vós que nos destinastes à morteainda antes de nos terdes dado à luz, consolai-vos agora. Uma dasvossas filhas – e que filha! – vos consolará… Vem então, Eva, correpara junto de Maria. Que a mãe recorra à sua filha; a filha responderápela mãe e apagará a sua falta… Porque a raça humana será agora elevadapor uma mulher.

Que dizia Adão outrora?“A mulher que me deste ofereceu-me o fruto da árvore e eu comi.” (Gn3,12) Eram palavras más, que agravavam a sua falta em vez de aapagarem. Mas a divina Sabedoria triunfou sobre tanta malícia; aquelaocasião de perdoar que Deus tinha tentado em vão fazer nascer, aointerrogar Adão, eis que agora a encontra no tesouro da sua inesgotávelbondade. A primeira mulher é substituída por outra, uma mulher sábia nolugar da insensata, uma mulher humilde tanto quanto a outra eraorgulhosa.

Em vez do fruto da árvore damorte, ela apresenta aos homens o pão da vida; substitui aquelealimento amargo e envenenado pela doçura dum alimento eterno. Mudaentão, Adão, a tua acusação injusta em expressão de agradecimento ediz: “Senhor, a mulher que tu me deste apresentou-me o fruto da árvoreda vida. Comi dele e o seu sabor foi para mim mais delicioso do que omel (Sl 18,11), porque por este fruto me devolveste a vida.” Eis porqueé que o anjo foi enviado a uma virgem. Ó Virgem admirável, digna detodas as honras! Ó mulher que temos de venerar infinitamente entretodas as mulheres, tu reparas a falta dos nossos primeiros pais, tu dásvida a toda a sua descendência.


Fonte: Evangelho Cotidiano


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