Formação

O Natal de todos os dias

comshalom

 Dom Redovino Rizzardo

Não é segredo para ninguém: existem muitos Natais. Um dos mais badalados é o comercial. Um dos mais esquecidos é o cristão.

Ocomercial, quem não o conhece? Fruto do consumismo e do materialismo,nele só há lugar para quem tem dinheiro. Não deixa de ser uma lástima:o mercado conseguiu ocultar o significado da festa mais bonita docristianismo.

Graçasa Deus, há também o Natal cristão. Ele acontece em quem não se fecha emsi mesmo nem desiste na busca de uma autenticidade de vida, que ésempre fruto de uma constante conversão.

Foio que descobriu e vivenciou o bispo alemão Klaus Hemmerle, falecido hápoucos anos, depois de ter transformado a espiritualidade de comunhão –o ideal de sua vida – num constante serviço aos irmãos: «Jesus nãoficou esperando as horas. Não subiu ao pódio. Ele veio ao seu encontro.Veio até você. Vá ao encontro dele. Vá até aqueles para os quais nãohavia lugar na hospedaria. Vá ao encontro dele. Até o nosso meio. Entremim e você. Vá o encontro dele. Vá até você».

ParaKlaus Hemmerle – e para todos os cristãos – o Natal acontece quando, aoinvés de aguardar que os outros façam a sua parte ou que as coisasaconteçam por si mesmas, dá-se o primeiro passo com alegria eprontidão, sem esperar por recompensas ou reconheci-mentos; quando nãose fica a vida inteira tentando esmagar os irmãos para “subir aopó-dio”; quando se vai ao encontro de quantos “não têm lugar nahospedaria”. É o que também nos lembra a liturgia do advento: «Agora eem todos os tempos, Jesus vem ao nosso encon-tro, presente em cadapessoa humana, para que o acolhamos na fé e o testemunhemos nacaridade».

Masnão é preciso ir muito longe para encontrar os pobres: cada pessoa quepassa ao lado carece de amor e cada ambiente que se freqüenta, nãopoucas vezes, se parece a uma geleira tenebrosa. Era por isso que SãoJoão da Cruz não cansava de repetir: «Onde não há amor, coloque amor, eencontrará amor». E se esse amor for mútuo, então Jesus resplandecerá«em nosso meio, entre mim e você».

Assimpensando e agindo, o bispo Hemmerle seguia a doutrina espiritual de suames-tra, Chiara Lubich, falecida no dia 14 de março deste ano. Paraela, o Natal pode e deve acontecer todos os dias:
«É Natal: o Verbo se fez homem e acendeu o amor na terra.

É Natal: gostaríamos que esse dia jamais findasse. Senhor, ensina-nos a perpetuar tua presença espiritual entre os homens.

ÉNatal: que o teu amor aceso na terra arda em nossos corações e nosamemos como tu queres. Então, estarás entre nós. E, se nos amarmos,todo dia poderá ser Natal».

Em outra mensagem de Natal, Chiara aprofundava assim o seu pensamento:
«“Ondeestiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou eu no meiodeles” (Mt 18,20). No meio deles, exatamente como há dois mil anos, nomeio de Maria e José.

Somente que, agora, a sua presença, embora real, é espiritual.

AJesus não agrada ficar apenas nos sacrários. Seu desejo é estar entreos homens e com eles partilhar os pensamentos, os projetos, aspreocupações, as alegrias…

Tambémpara isto é que veio à terra, para nos dar a chance de tê-lo entre nóssempre, mantendo o calor, a esperança, a luz, a concórdia que todoNatal traz consigo».

Apesarde nunca se ter convertido ao cristianismo – pelo péssimo exemplo devida dado por alguns colonizadores ingleses –, Mahatma Gandhi concordaplenamente com Klaus Hemmerle e Chiara Lubich ao afirmar: «Jesus teránascido, vivido e morrido em vão se não tivermos aprendido com a ele areger nossas vidas pela lei eterna do amor».

Essasmensagens, que sintetizam o caminho proposto pelo Papa João Paulo IIpara o século XXI – “fazer da Igreja a casa e a escola da comunhão” – étambém o ideal de vida que desejo ver abraçado por mim e pelos irmãos eamigos a quem amo – dentre os quais, está sobretudo você, caro leitor,que me acompanhou ao longo deste ano, atuando decisi-vamente por ummundo melhor –, para que cada momento, cada circunstância e cadaen-contro que acontecerem em 2009, prolonguem a alegria, a paz e o amordo Natal!


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