Essencialidade! O significado dessa expressão parece ter sido um pouco esquecido no atual contexto da pós-modernidade. Alguns historiadores e sociólogos veem como data inicial desse declínio o período pós Segunda Guerra Mundial. Isto porque, entre outras coisas, esse triste evento desencadeou diversas mudanças sociais, culturais, artísticas, filosóficas, científicas e estéticas.
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Essas mudanças foram responsáveis, ainda, por marcantes transformações nas relações entre a cultura e a religião. A essência e o real valor das coisas foram sendo esquecidos ou instrumentalizados. O belo foi se tornando tão escravo do lucro, que foi pouco a pouco se despojando de seus encantos. Numa pesquisa rápida pela internet, pode-se notar alguns dos efeitos dessas transformações no mundo atual: “Ausência de regras e valores; Individualismo; produção em série de uma cultura voltada para o consumo rápido; incertezas e vazios existenciais”.
É bom salientar que o objetivo dessa matéria não é a defesa desta ou daquela filosofia política e econômica. A meta é evidenciar que o ser humano é um ser racional e possui uma alma espiritual. É um ser teológico, onde o tempo e a eternidade se encontram. Isso significa que foi criado por Deus para coisas muito, muito mais elevadas do que as que nossas mãos podem tocar ou nossos olhos contemplar.

No âmbito da fé, é possível notar também esses efeitos. Na Páscoa, onde os cristãos celebram a ressurreição de Cristo, entrou em cena um coelho que dá ovos de chocolate. No Natal, onde se celebra o nascimento do Salvador, do Filho de Deus, entrou em cena um ancião (Papai Noel), que dá presentes.
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Quando se fala do Natal do Senhor, porém, volto sempre minha memória para as cenas em torno do evento da Encarnação e Nascimento de Jesus Cristo. Veja a saudação do enviado de Deus à Mãe do Salvador: “Não tenhas medo, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus. Ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu Pai Davi. Ele reinará para sempre sobre os descendentes de Jacó, e o seu reino não terá fim” (Lc 1,30-33).
Já adulto, Jesus declarou que a essência do Reino do qual o texto fala não é deste mundo (cf. Jo 18,36). Celebrar o Natal, então, é celebrar a primeira vinda de Jesus Cristo ao mundo. É celebrar uma data que jamais podemos nos esquecer. Não festejamos apenas mais uma passagem de ano, celebramos, na verdade, uma grande intervenção de Deus na história do mundo, mas também na história individual de cada um dos que creem nesse enviado do Céu.
Se você crê que Ele é o Salvador, cuja Paz anunciada é real e não passa, diga, então, com fé e amor: “Vem, Senhor Jesus!”
Rodrigo Santos