Quantas coisas estamos descobrindo neste tempo… quantas novas oportunidades on-line… quantos deslocamentos descobrimos que não precisamos mais fazer… daqui para frente só vamos para uma palestra ou para um curso presencial se assim decidirmos. Temos (de forma mais evidente) a opção fantástica do home office.
Criamos grupos de oração on-line, eventos com públicos virtuais diferentes, e até algumas “visitas” também fazemos on-line. No entanto, há algumas coisas que ainda não podem acontecer assim. Os desdobramentos da pandemia não foram capazes de alterar algumas coisas que só podemos fazer offline. Coisas fundamentais.
Mas o que, definitivamente, não podemos fazer on-line?
Tempo de solidão offline
Todo mundo precisa de um “monte” para onde possa fugir e de um “jardim” onde possa chorar as suas gotas de sangue, como Cristo o fez. O “monte” é o local e o tempo em que não é permitida a influência de ninguém. Isto precisa ser offline. As conexões precisam ser interrompidas. Aquele tempo só pode ser de autorreflexão e de oração. Ali precisamos ficar quietos e ouvir, porque derramamos o nosso coração.
Aliás, o nosso Getsêmani é o “jardim” onde a nossa alma será melhor “derramada”. Quantos conflitos, irritabilidade, tensões e percalços porque estamos cheios de coisas que deveríamos ter semeado em nosso jardim mais pessoal…
Se vamos ao “monte” conectados, recebemos todas as influências que invadem e bloqueiam a nossa pessoalidade. E não seremos capazes de “chorar o nosso choro”, assimilar as nossas próprias angústias…
Um lugar e um tempo sem interrupções, ligações ou mensagens, precisa ser – intencionalmente – criados por nós. Qual foi a última vez, que de forma offline, que você subiu ao “monte” e entrou no seu “jardim”? O que de mais fundamental na sua vida foi “engolido” pelo on-line?
Tempo de qualidade offline
Precisamos de mais tempo de qualidade com a família, e sempre “investir” em mais alguém. Tempo de qualidade exclusivo, sem interferências. É o tempo de olhar nos olhos, e ouvir, sem a menor distração. Em casa, por exemplo, podemos cultivar este tempo nas refeições. Algumas vezes, precisamos proporcionar este período.
Quando estamos offline, estamos dizendo aos que estão à nossa frente: “Nada mais interessa, além de você”.
Hospitalidade offline
A hospitalidade nunca será on-line, ainda que tenhamos momentos incríveis na frente das telas. Vale a pena abrir a porta para receber, e “dar um copo de água” a qualquer um dos “pequeninos” que nos solicitarem.
Em um tempo em que acessar, clicar e conectar é, irreversivelmente, parte de nós, precisamos estar “off” para o mar de informações, de oportunidades, de lives e de conversas e de reuniões que são “impostas democraticamente” sobre nós.
Quem não quiser adoecer, precisa ainda sentar-se ao redor da “mesa” da comunhão caseira, informal e intencional, e preparar a “cama” e as “toalhas” para servir aos que chegarem à sua casa. Essa é a autêntica hospitalidade.
Que essa seja a nossa reflexão neste tempo em que, aos poucos, estamos recomeçando as nossas atividades presenciais no trabalho e no âmbito religioso também. Tudo mudou. Que tudo seja novo, dentro e fora de nós.
Vanilton Lima
Missionário da Comunidade Católica Shalom