
O Evangelho de João hoje narra uma dupla aparição de Jesus… No Primeiro dia e no oitavo dia após Sua Ressurreição. Sabemos que a narração da criação nos fala de sete dias… O que poderíamos entender então desta citação de João?
‘Deus criou tudo e viu que era bom (…) Deus criou o homem e viu que era muito bom’ (cf. Gn 1), mas com o pecado o homem afastou-se desta beleza primeira, desta semelhança com o próprio Deus. No entanto ao se fazer homem, como nos diz a Gaudium et Spes, “Deus revela o homem ao próprio homem” (GS, 22). Sim! Em Cristo encontra-se o nosso princípio e o nosso fim. Toda vida de Cristo nos salva e nos faz reencontrar os caminhos do Pai.
Naquele sexto dia no Gênesis o homem era criado da terra, neste novo sexto dia O Homem Perfeito é sepultado na terra para também recriá-la, e no sétimo dia em que fala-se do descanso de Deus, Deus feito homem nos faz compreender que o Seu descanso é retirar o homem da morte.
E enfim chegamos novamente ao primeiro dia, o dia da nova Criação, o dia que se estende por oito dias para nos falar de um Dia Eterno que virá. Para Deus o primeiro e o oitavo dia são o mesmo e é pela Sua Ressurreição que somos recriados… Aquele sopro primeiro agora vem dos lábios do Ressuscitado e a falta de paz que habitava o coração do homem desde sua queda se dissipa quando por três vezes ele escuta: “Shalom! Paz a vós!” Não é simplesmente um anúncio mas é esta Palavra feita carne que se coloca diante deles… “Ele é a nossa Paz!” E o Verbo Ressuscitado se fez Paz no meio deles…
Ainda que já bastasse isto, “Deus não se deixa vencer em generosidade”, como nos fala Bento XVI. Então apresentando suas gloriosas chagas e o Seu lado aberto Ele nos dá O novo Paraíso cujo acesso é a Sua Misericórdia. Sim, fomos recriados no Oitavo Dia! o Novo Primeiro Dia! O Dia que nem o pecado nem a morte pode vencer… O Dia da Misericórdia!!!