Durante os meses de outubro de 2021 a outubro de 2022, fui diagnosticado e precisei me submeter a um tratamento de câncer bastante desafiador: um linfoma não Hodgkin agressivo de células grandes do tipo B começou a se alastrar, após um diagnóstico de um nódulo no baço.
Uma situação desesperadora se abateu diante de mim e de minha família: o enfrentamento do câncer seria uma via-crúcis que iria se iniciar. Temeroso da iminência da morte, passei por todo o processo sem a mínima convicção do desfecho final. Realizei 7 imuno-quimioterapias, 3 cirurgias de grande porte, incluindo esplenectomia, laparotomia, fiquei careca, perdi peso e passei por todas as debilidades próprias deste tratamento. Ao final do processo, ainda passei por quatro sangramentos severos, onde, dado por incapaz de superar a enfermidade, cheguei a ensaiar, por mais de uma ocasião, a despedida junto aos meus familiares, tendo chegado a entrar em cuidados paliativos.
Qual o papel da espiritualidade neste processo?
Absolutamente decisivo. Como católico, já praticava meditações bíblicas diárias, orações do santo terço e recebia a eucaristia com grande frequência. Quando a provação bateu à minha porta, fui convocado a responder com os recursos da fé: continuei a fazer o que já havia aprendido e vivenciado, tanto pessoal quanto comunitariamente, na Comunidade Católica Shalom. Recebi os sacramentos de cura, fui envolvido na intercessão de muitas pessoas que acreditavam no improvável e segui em frente!
As certezas que me acompanharam foram: a fé na redenção, na expiação dos pecados, a fé numa reviravolta miraculosa, a aceitação resignada da provação, a capacidade de viver o hoje, sem pensar no problema de amanhã. Uni-me à cruz de Cristo e ao sofrimento de tantos enfermos ao redor do mundo. Um certo sentimento de solidariedade e comunhão com o céu e com os padecimentos dos homens. Se tudo “desse errado”, ainda tinha uma certeza grande: a fé na vida eterna! O papel da família, dos amigos, de todos os profissionais de saúde foi absolutamente decisivo e consolador.
No dia 11 de outubro de 2022, véspera de Nossa Senhora Aparecida, levei meu exame PET SCAN CT para o médico que me acompanhou durante todo o processo e quão grande não foi a minha surpresa, quando ouvi: “você está curado, não há nenhuma célula cancerígena.” Não pudemos, eu e a minha esposa, conter as lágrimas e lá, louvamos bastante o Onipotente, nos abraçamos com o médico e rezamos juntos, testemunhando o poder da fé, da cura, do milagre operado pelo Divino Redentor.
Este testemunho aconteceu na cidade de Foz do Iguaçu, no período em que nossa família lá viveu, entre 2020 e 2023. Hoje estou aqui para deixar o meu relato, apresentando o papel decisivo da espiritualidade no enfrentamento do câncer.
Lancei um livro contanto toda a história – O câncer e eu – um pêndulo entre a vida e a morte, dediquei-o ao meu médico e a toda a equipe que cuidou de mim. Deixei-o depositado em uma das prateleiras de uma pequena biblioteca da sala da equipe de cuidados paliativos no Hospital Ministro Costa Cavalcanti onde eu e diversos enfermos nos dirigíamos, em meio às internações, para fazermos leituras, visando diminuir as fadigas e os fardos de tão difícil processo.
Segue uma matéria falando mais sobre o assunto: Por que escrever um livro?
Delcy Pereira Carvalho Filho
Membro da Comunidade Católica Shalom
51 anos, casado com Marla Cavalcanti, pai de Davi Cavalcanti e Ana Beatriz.
Fortaleza – Ceará
